PIB de Minas Gerais cresce 3,7% em 2006 e supera índice brasileiro
O Produto Interno Bruto mineiro cresceu 3,7% em 2006 e superou a expansão do PIB nacional, que foi de 2,9%. De acordo com a pesquisadora Aparecida de Souza, do Centro de Estatística e Informações da FJP, todos os setores da atividade econômica contribuíram positivamente para o resultado.
BELO HORIZONTE (22/03/07) – O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais cresceu 3,7% em 2006 e superou a expansão do PIB nacional que foi de 2,9%. De acordo com a pesquisadora Aparecida Sales de Souza, do Centro de Estatística e Informações da Fundação João Pinheiro, todos os setores da atividade econômica do Estado contribuíram positivamente para o resultado global. “A indústria evoluiu em 4,6%, a agropecuária cresceu 6% e os serviços 2,1%”, disse a especialista. Ela informa ainda que “a agropecuária destacou-se devido aos bons resultados apresentados, especialmente pelas culturas do café, de cana-de-açúcar e da bovinocultura de corte, com aumentos respectivos de 32,2%, 26,9% e 14,9%.”
A expansão da indústria esteve fortemente associada à consistente recuperação da construção civil, que aumentou 6,9%, e ao vigor da indústria extrativa mineral, que, movida pela intensa demanda internacional de minério de ferro, cresceu 8,8%. “A construção civil se recuperou a partir de 2004, por conta de investimentos e projetos governamentais em construção pesada, das quais podemos citar o Pro-Acesso, Pro-MG, Linha Verde, duplicação da Avenida Antônio Carlos e ainda novos financiamentos em habitação, queda dos juros e redução do desemprego,” esclareceu Aparecida Sales de Souza. A pesquisadora explicou que a indústria extrativa mineral está crescendo há cinco anos consecutivos pela intensa demanda mundial por minério de ferro, cuja cotação no mercado internacional, em 2006, cresceu 19,5%.”
A atividade de serviços foi impulsionada pelo acréscimo de 3,2% do comércio, que atingiu este desempenho por conta da queda dos juros e da inflação, maior oferta de crédito pessoal, melhoria nos indicadores desemprego e renda, promoções e financiamento facilitado.
Os transportes cresceram 0,2%, mas houve aumento do volume de cargas e de movimentação de passageiros nos aeroportos. “Este fraco desempenho deveu-se às condições das estradas que impediram um maior fluxo de produtos,” afirmou Aparecida Sales, justificando também que a queda de 1,8% nas Comunicações deveu-se à estagnação da telefonia fixa e que “a metodologia de cálculo do PIB não reflete a evolução da telefonia móvel, o que será corrigido com a mudança de base implementada pelo IBGE nesta semana."
A pesquisadora da Fundação João Pinheiro informou também que o cenário internacional favorável durante o ano propiciou maior volume de exportação e valorização de algumas das principais commodities da pauta mineira como minério de ferro e café, o que compensou o dólar depreciado. “Simultaneamente, a aceleração das importações tem afetado crescentemente a produção de vários segmentos da produção local como as indústrias têxtil, moveleira e de eletroeletrônicos”, destacou.
Ela diz ainda que a expansão do consumo interno em razão da baixa inflação, aumentos graduais no emprego e na renda, assim como pela oferta continuada de crédito pessoal. Segundo Aparecida Sales, “mesmo com os investimentos governamentais, em especial na construção civil, que constituíram importante fator de crescimento da economia, os juros elevados os gargalos de infra-estrutura e, principalmente, a carga tributária extorsiva impediram um crescimento mais consistente.” Finalizando, a especialista explicou que os aumentos de 4,8% registrados nos dois últimos trimestres renovam as perspectivas de maior dinamismo para o ano seguinte.