Piscicultura pode aumentar renda do produtor
Piscicultura pode aumentar renda do produtor
A piscicultura é uma das alternativas econômicas que o governo de Minas, por intermédio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está propondo ao produtor mineiro para fortalecer a economia das propriedades e apoiar o desenvolvimento do agronegócio. De acordo com o secretário Odelmo Leão, a produção de peixes pode ser conduzida ao lado de outras atividades rurais, sem ocupar muito espaço e, além de representar um negócio lucrativo, constitui eficaz meio de combate à fome.
Odelmo Leão diz que as condições em Minas para o desenvolvimento da piscicultura são favoráveis, devido ao volume de água existente. Há também a possibilidade de exportar, no caso da produção de tilápia e outras espécies. Mas o secretário enfatiza que os piscicultores devem conduzir sua atividade com tecnologia e assistência técnica para gerar renda e mais empregos.
“Grande parte das propriedades mineiras desenvolve esta atividade. O produtor já se conscientizou de que a criação de peixes é uma maneira de aumentar a sua renda”, observa o secretário. “Os custos não são altos porque a alimentação do pescado vem do aproveitamento de subprodutos oriundos do plantio do milho, soja e sorgo e da criação consorciada com suinocultura e avicultura”.
Produzir mais para diminuir a dependência
O coordenador técnico da Emater-MG, empresa vinculada à Secretaria de Agricultura, Dirceu Alves Ferreira, informa que Minas conta com mais de 5.000 km2 de espelhos dágua, provenientes das bacias hidrográficas e de águas represadas. Acrescenta que o crescimento da piscicultura mineira tem propiciado a diminuição da dependência de peixes de outros Estados, mas ainda existe a concorrência, principalmente da bacia Amazônica e até de outros países, como Argentina, Chile, Uruguai e países da Comunidade Européia.
Na década de 90 surgiram os chamados “pesque-pagues” e isso contribuiu para o aumento de criadores de peixe, pois a demanda começou a crescer, com lucratividade para ambos os lados. Em Minas há criadores que exploram a atividade em tanques-rede, grandes represas, principalmente para a criação de tilápias. Com o crescimento da piscicultura, a Emater-MG passou a dar maior assistência técnica aos médios e pequenos produtores, sem contar com os grandes proprietários de áreas.
Na Zona da Mata, uma das regiões com maior concentração de criatórios comerciais 5.200 exploram uma área de 446 hectares. A região Centro ocupa o segundo lugar, com 1.800 piscicultores e uma área de 300 hectares. Na região Norte estão 390 produtores, com a exploração de 110 hectares. No Sul, 1.400 produtores trabalham em 400 hectares. No Triângulo são 850 piscicultores e uma área de 320 hectares. No Leste existem 1.300 produtores e uma área de 230 hectares. No total são 1.806 hectares explorados por 10.940 piscicultores.
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) vem trabalhando nas áreas de reprodução artificial, nutrição e tecnologia de produção com espécies ativas exóticas em duas unidades de piscicultura, nos municípios de Leopoldina e Felixlândia, onde produz atualmente alevinos e peixes para consumo, abastecendo o sistema pesque-pague. As espécies em disponibilidade são carpa-comum, carpa-capim, pacu, tambaqui e piauçu. A empresa também comercializa matrizes de peixes ornamentais.
Segundo levantamentos da Epamig, existem mais de 10 mil piscicultores no Estado, concentrados especialmente na Zona da Mata, que produzem para abastecer a indústria e o sistema pesque-pague. No município de Vista Alegre, foi instalada a primeira indústria de processamento de peixes em Minas, a Saboral, que desenvolveu, juntamente com a Emater e a Epamig, o Projeto Tilápia – Produção de Pescados em Cultivo. Também na região da represa de Furnas desenvolve-se o cultivo de tilápia no sistema tanque-rede, com a participação de grande número de produtores.
Consumo em Minas precisa aumentar
Para a secretária-executiva do Programa de Aqüicultura da Epamig, Elizabeth Lomelino Cardoso, somente com a disponibilidade do peixe no mercado a preço acessível à cadeia produtiva de peixe se desenvolverá definitivamente. Apesar de a Organização Mundial de Saúde recomendar o consumo de 20 kg per capita de peixeano, Minas Gerais tem um dos mais baixos consumos do país, cerca de 400 g por pessoa ao ano, em Belo Horizonte. No interior, o consumo é ainda menor: 150 g per capita/ano. Segundo pesquisa da Epamig, as principais espécies para o cultivo são a tilápia e o surubim. Este último é a espécie nativa de maior preferência no país e para sua produção não existe uma tecnologia definida, mas na área de reprodução sim, obtendo-se até 40 kgm3ano em tanque-rede. Em sistema semi-intensivo (viveiro) pode-se alcançar 1khm3ano e, com um ano, pode-se atingir o peso final de 3 kg se o peixe for alimentado com ração balanceada.
A tilápia, de origem africana, é a espécie que pode se beneficiar do maior volume de tecnologia em todo o mundo. Adaptável a diferentes ambientes e condições socioeconômicas, chegou ao Brasil há várias décadas dentro de um programa para substituir a importação de pescados.
Crédito para reverter balança negativa
Em recente visita a Minas Gerais o secretário da Aqüicultura e da Pesca do Governo Federal, José Frisch, anunciou que os produtores de peixe já contam hoje com uma linha de crédito especial do BNDES, que empresta R$ 150 mil por pessoa, a uma taxa de 8,75%, com prazo de cinco anos para pagar e dois de carência. Frisch informou que a recém-criada secretaria da Aqüicultura está fazendo um levantamento da atividade pesqueira no Brasil, visando dar todo o apoio ao setor, que gera mais de 800 mil empregos diretos e 2,5 milhões indiretos e movimenta R$ 4 bilhões por ano. José Eduardo Rasguido, coordenador de piscicultura da Emater-MG, afirma que o papel do governo estadual é orientar a legalização dos projetos de crédito e a organização de grupos e associações de produtores. Os técnicos da Emater dão assistência a 8.900 pescadores. O coordenador técnico da empresa na área de piscicultura, José Eduardo Rasguido, revela que se nota a diminuição da oferta de pescado proveniente dos rios, em razão da falta de tratamento do esgoto das cidades, a falta de tratamento de efluentes pelas grandes indústrias que despejam poluentes nos rios, e da construção de hidrelétricas, condição prejudicial à piracema e à formação das lagoas marginais, o que limita a perpetuação das espécies. Com a diminuição do pescado, provoca-se a necessidade de importação, principalmente da bacia amazônica e de países como Chile, Uruguai e Argentina e até da Comunidade Européia para suprir as necessidades do mercado. O Brasil é o 25o produtor mundial de pescado, acumulando um déficit na balança comercial de US$ 332 milhões, em 97, passando a ser o maior importador de peixes da América Latina. As pesquisas indicam que o pescado é a terceira fonte principal de proteína de origem animal no mundo, ficando apenas atrás da carne bovina e suína. A produção brasileira de pescado é de 985 mil toneladas e o consumo per capita, de apenas 6,4 kgano. Minas Gerais é responsável por 4 mil toneladas
a, com faturamento estimado em R$ 10 milhões.
Para o coordenador de Piscicultura da Emater-MG, José Eduardo Rasguido, a perspectiva da piscicultura é muito boa e Minas Gerais já ingressou no mercado de exportação de filé fresco (resfriado) de tilápia para os Estados Unidos, por meio da empresa Frutos do Rio, localizada no município de Santa Maria de Itabira. A empresa possui frigorífico com capacidade para processar 160 toneladasmês, porém a demanda do importador é de 1.000 toneladasmês. Outros dois frigoríficos deverão ser implantados com capacidade para 15 mil toneladasmês. Mas a necessidade dos importadores é tão urgente que a Frutos do Rio teve que arrendar dois frigoríficos no Rio de Janeiro e outro em São Paulo para processar a produção. Os produtores de peixe na região estão se organizando para abastecer o mercado importador.
Eduardo Rasguido revelou que, possivelmente em novembro de 2003, será realizado em Belo Horizonte um grande evento da piscicultura brasileira, principalmente quanto ao aspecto da comercialização da produção e estruturação de uma entidade promotora do marketing do peixe cultivado no Brasil. Rasguido afirmou que o importante, neste aspecto, é a agilidade para liberação dos financiamentos para implantação e ampliação de projetos de piscicultura. Diversas empresas que compõem a cadeia produtiva têm demonstrado interesse em se estabelecer em Minas, devido ao grande potencial da atividade e à abertura para a exportação. Duas empresas, a Aquabel, uma das maiores produtoras de alevinos do Brasil, e a Bernauer, distribuidora de diversos tipos de equipamentos demonstram es interesse.
Ruralminas oferece nova tecnologia para criatórios
A Fundação Rural Mineira (Ruralminas), órgão do Sistema Operacional da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, vem adotando novas tecnologias, a fim de beneficiar o homem do campo, e tem disponibilizado a construção de pequenos viveiros para a criação de peixes, com custos subsidiados ou sem nenhum ônus. O presidente da Ruralminas, Eduardo Brandão, disse que a empresa está atendendo a 15 municípios, através da regional de Muriaé, na construção de cerca de 1,5 mil viveiros de piscicultura, beneficiando mais de mil famílias de produtores rurais. Entre os municípios beneficiados com os projetos estão Patrocínio de Muriaé, Ponte Nova, Leopoldina, Ubá e Santa Margarida.
O engenheiro agrônomo da Ruralminas, Joaquim Arildo Borges, gerente da regional de Muriaé, revela que em apenas cinco horas de trabalho é possível construir um viveiro de 150m2 de área a um custo de R$ 180,00. Esse valor subsidiado pode sair a custo zero, dentro dos programas desenvolvidos pelas prefeituras municipais. A Ruralminas disponibiliza suporte técnico especializado e serviços de motomecanização, visando à construção de pequenos viveiros para a criação de peixes. O trabalho da Ruralminas é feito em parceria com as prefeituras municipais e várias associações de produtores rurais visando incrementar o suplemento de proteína animal das famílias rurais, promovendo, ao mesmo tempo, a conservação da água.