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Notícia

Polícia Militar leva arte ao Terminal Rodoviário de BH

Quarta-feira | 04/06/2008 | 18:47·Atualizado em 27/06/2013 | 10:34
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BELO HORIZONTE (04/06/08) - Quem passar pela rodoviária de Belo Horizonte, no centro da capital, poderá conhecer e viajar pela arte presente nas diversas peças em exposição no espaço de cultura do terminal. São 190 trabalhos produzidos por cerca de 40 policiais militares de todo o Estado, que utilizam a arte como linguagem para se aproximar das pessoas. E foi para valorizar esse lado humano do policial e aprofundar cada vez mais os laços com a comunidade, que a Polícia Militar abriu nesta quarta-feira (4) a Exposição de Artes Plásticas da PMMG, que pode ser visitada até 16 de junho. A exposição faz parte das comemorações dos 233 anos da Polícia Militar.

De acordo com o capitão Marcos Soares Gandra, do Centro de Promoção Social da Polícia Militar de Minas Gerais, a mostra é anual e tem o objetivo de divulgar o lado artístico-cultural da corporação. “Queremos que o público externo conheça a arte produzida por quem cuida da segurança do nosso Estado. Essa linguagem representa muito mais essa parte humana, essa parte de cidadão, e que a aproxima da comunidade.”

Durante a solenidade de abertura da exposição, os policiais expositores foram homenageados com a entrega de certificado pela participação no evento. A Academia Musical Orquestra Show também integrou a cerimônia e, com muita música, atraiu dezenas de pessoas que transitavam pelo centro. As atividades comemorativas acontecem nas unidades da PM da capital e do interior até o próximo dia 13.

A Exposição

A mostra já é realizada em Minas há oito anos e ganha cada vez mais adeptos, como a capitão Adriana Lisboa Gomes, que há apenas dois anos, inspirada pelo trabalho dos colegas, começou a pintar. Ela conta que a arte foi uma forma de aliviar o desgaste da profissão e mostrar que um policial pode fazer ainda mais pela comunidade.

“A carreira policial militar é pesada, nosso serviço é desgastante, estressante, e você ter uma atividade que te coloque num outro mundo, que traga para você suavidade, delicadeza, faz com que você tire um pouco a carga pesada do serviço. E a PM faz essa exposição exatamente para incentivar e para mostrar que a corporação tem muito a oferecer. E que apesar de a gente viver com um serviço que acaba lidando com mazelas o tempo todo, a gente é mais do que isso”, disse capitão Adriana.

As técnicas encontradas na exposição são muitas: artesanato em madeira, em argila, pinturas sobre tela, ponto em cruz, papel mache, material reciclado, e muitas outras. No entanto, o trabalho do cabo Rosemir Hermenegídio, de Conselheiro Lafaiete, chama a atenção pela técnica trazida de Portugal no final do século XVIII, passada de pai para filho desde então, e hoje desenvolvida apenas pelo policial.

De acordo com o expositor, a Cerâmica Saramenha possui o aspecto vidrado, conseguido por meio de um verniz especial feito com pigmentos metálicos que a peça recebe antes de ir ao forno pela segunda vez. O cabo Rosemir explicou ainda que a técnica chegou ao Brasil com o padre português Viegas de Menezes, que descobriu o barro na região de Ouro Branco. Com a implantação de uma fábrica de cerâmica no distrito de Vila Rica (hoje Ouro Preto), a louça produzida abasteceu inúmeras cidades ao longo da Estrada Real. Devido à proibição imposta pela Coroa Portuguesa de se fazer produtos manufaturados no país, a fábrica foi fechada, restando apenas a sabedoria da técnica, passada de geração para geração.

“Essa é uma cerâmica bicentenária, de origem portuguesa e foi implantada na chácara do Barão de Saramenha, que era um distrito de Vila Rica. Os trabalhadores da antiga fábrica foram produzindo clandestinamente nos quintais de suas casas, passando a técnica de pai para filho, até chegar em mim. Praticamente, sou o último herdeiro dessa técnica”, disse o artista.

Com o trabalho, esse é o sexto ano consecutivo que o policial militar participa da exposição. “Já faço essas peças há 21 anos. Quando entrei para a Polícia continuei desenvolvendo o meu trabalho. Nós sempre recebemos um incentivo da corporação, daí essa idéia de estar fazendo essa mostra todo ano, para mostrar a sensibilidade do policial”, concluiu.