Policiais recebem treinamento sobre serpentes na Funed
Com o objetivo de formar multiplicadores de informação sobre a prevenção de acidentes com serpentes, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) vai oferecer treinamento a policiais militares de Barbacena, professores e alunos da Escola Agrícola da cidade e membros da entidade ambiental Sala Verde.
BELO HORIZONTE (30/08/07) - Com a finalidade de formar multiplicadores de informação sobre a prevenção de acidentes com serpentes, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) vai oferecer nesta sexta-feira (31), às 13h30, um treinamento a 40 pessoas. A turma é formada por policiais da 13ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário de Barbacena, professores e alunos da Escola Agrícola da cidade; e membros da entidade ambiental Sala Verde.
A Polícia Militar de Barbacena se interessou pelas palestras sobre ofidismo e animais peçonhentos, oferecidas pela Funed, devido a grande concentração de cobras na região do Campo das Vertentes. A maior parte dos municípios atendidos pela equipe, um total de 57, está localizada na zona rural. Os policiais de meio ambiente pretendem repassar o conhecimento obtido na Funed durante os cursos e palestras já mantidos pela companhia. “Vamos aproveitar para falar sobre a ocorrência de queimadas neste período do ano. O risco de incêndio sempre é uma preocupação, porque as cobras tendem a fugir para as rodovias, apresentando ameaça à segurança dos motoristas, e podem chegar até a zona urbana”, afirma cabo de Oliveira, responsável pela organização da equipe de multiplicadores.
Comunidade
Há mais de 20 anos, o setor de animais peçonhentos da Funed desenvolve esse trabalho de responsabilidade social. Por meio das visitas, a fundação abre suas portas a grupos de escolas, empresas, universidades, prefeituras, com o objetivo de disseminar conhecimento sobre a biologia de animais peçonhentos (cobras, aranhas e escorpiões) e, principalmente, dar orientações sobre como evitar acidentes e o que fazer após um ataque, envolvendo noções de primeiros-socorros. “Também é um trabalho de conscientização e prevenção social. Buscamos mostrar que o atendimento imediato é o mais importante”, afirma Rômulo Righi de Toledo, chefe do setor de animais peçonhentos e coordenador dos treinamentos.
Os grupos de visitantes podem optar por participar também do treinamento prático. Após a palestra e entrega de cartilha didática, a equipe passa pela exposição permanente do serpentário e recebe orientações sobre manejo das cobras. É apresentada a forma de utilização do gancho, ferramenta utilizada na coleta das serpentes, além do uso da caixa de transporte e de questões jurídicas envolvidas na atividade. Rômulo Righi explica que a coleta desses animais deve ser feita com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “A captura sem autorização é ilegal”, adverte.
Orientações
Em caso de aparecimento de cobras em propriedades residenciais ou comerciais, o cidadão deve acionar o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar para fazer a coleta. Apenas pessoas que já passaram por treinamentos e têm segurança sobre o manejo das serpentes podem levar a cobra diretamente para a Funed, referência estadual no recebimento dos animais, sendo o destino final de todas as serpentes recolhidas em Minas Gerais.
Apenas a Funed, em Minas Gerais; o Instituto Butantan, em São Paulo; e o Instituto Vital Brasil (IVB), no Rio de Janeiro, fabricam os produtos imunobiológicos – soros - distribuídos gratuitamente pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunização. “A extração de veneno para produção de soros é a finalidade principal da utilização das cobras na Funed. Quando elas não atendem ao perfil desejado, são destinadas para coleção científica e atendimento a escolas, como kit didático”, explica Breno Damasceno, estagiário do setor de animais peçonhentos.
Em caso de picada, a vítima deve ser levada para o pronto-socorro mais próximo para recebimento do soro antiofídico. No site da Funed, no link “Animais Peçonhentos”, está disponível a lista das unidades de saúde credenciadas em Minas Gerais para esse tipo de atendimento. A única medida que pode ser feita em casa é a lavagem do local afetado com água e sabão. O serviço de toxicologia do hospital é responsável pela aplicação do soro, dividido em quatro grupos. A identificação do soro apropriado é definida a partir da observação das reações físicas, exame de sangue e urina. O tratamento inadequado pode levar o paciente à morte.