População da cidade de Campanha comemora os benefícios da estadualização de fundação local
Com a medida, acesso ao ensino superior passa a ser gratuito no município do Sul de Minas. Incorporações transformaram a Uemg na terceira maior universidade do Estado
Desde dezembro de 2013, as atividades da Fundação Cultural Campanha da Princesa foram incorporadas à Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). Consequentemente, a educação passou a ser gratuita e as portas se abriram para investimentos, novos cursos e mais alunos. Para comemorar e agradecer as mudanças, docentes, servidores, alunos, autoridades e parte da população da cidade de Campanha, no Sul de Minas, receberam, na sede da instituição, o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Narcio Rodrigues, e o reitor da Uemg, Dijon Moraes.
Interventora da Uemg Campanha, a professora Joana Beatriz Barros garantiu que a cidade está em festa com a estadualização. “Em meio a períodos de glória e dificuldades, conseguimos aguardar este momento de absorção, que amplia a Uemg”, comemorou. Durante a solenidade, a interventora ressaltou o artesanato produzido no município e a relevância de aprimorar o trabalho dos artistas locais. “Se, sem cursos de designer, já somos referência no artesanato, imagine com cursos de aprimoramento?”, indagou.
Encantado com a receptividade dos moradores de Campanha, o secretário Narcio Rodrigues lembrou a migração dos alunos para outras cidades para estudar. “As famílias se desagregavam ao colocar seus filhos para estudar em outra cidade. Hoje, os frutos de Campanha estudam aqui, nesta cidade que deixa de exportar para acolher alunos”, afirma. “Sejam bem vindos ao mundo do conhecimento”, acrescentou o secretário.
“Nosso reconhecimento e gratidão ao Governo de Minas e ao secretário Narcio, que, com muito respeito, se empenhou para a tão aguardada estadualização”, agradeceu o prefeito de Campanha, Lázaro Roberto da Silva. Para ele, a cidade já respira mais tranquila. “Agora aguardamos as boas consequências desta mudança”, disse.
Segundo o reitor da Uemg, Dijon Moraes Júnior, a universidade nasceu para atender as zonas despovoadas. “Esperávamos, junto com vocês, que a história fosse feita em Campanha. Somos a terceira maior universidade gratuita de Minas Gerais. Em dezembro, teremos 18.900 alunos. Passamos de 28 cursos de 2010 para 120 cursos superiores em 2015. Seremos a maior de Minas com cursos de ensino superior”, celebrou Dijon, que informou ter recebido o documento preliminar do Ministério da Educação que autoriza resolver as aberturas de cursos diretamente com o Conselho Estadual de Educação. “Aqui já tivemos 11 cursos e vamos retorná-los. Não mediremos esforços para trazer o que perderam”, garantiu.
Processo de estadualização
Desenvolvida pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a estadualização absorveu mais seis fundações e transformou a Uemg na terceira maior universidade de Minas Gerais, atualmente com 18 mil alunos. Todas as fundações incorporadas passam a oferecer ensino superior de qualidade e gratuito.
Campanha foi a segunda cidade a ser contemplada com a estadualização da Fundação Cultural Campanha da Princesa. Em seguida, as absorções foram da Fundação Fafile em Carangola, na Zona da Mata, e a Fundação Universitária do Vale do Jequitinhonha (Fevale), em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. No dia 3 de abril deste ano, o ex-governador Antonio Anastasia assinou decreto anunciando o cronograma de incorporação de outras três fundações de ensino superior: Ituiutaba (03/06); Divinópolis (03/09) e Passos (03/11).
Iniciativa muda a economia de Campanha
Beneficiadas com a absorção da Fundação Cultural Campanha da Princesa à Uemg, as irmãs Luana e Larissa Campolina, do 7° período de Pedagogia, desde dezembro de 2013 não pagam as mensalidades de R$ 560 que eram cobradas de cada uma pela fundação. Com o acesso gratuito ao ensino superior, atualmente, as gêmeas têm todo mês R$ 1.120 disponíveis para investir em consumo de bens, produtos e serviço na cidade. Atentos às transformações em Campanha, que passa a ter este dinheiro e de mais 60 alunos que deixaram de pagar mensalidades, empresários já estão investindo em seus ramos para atender a demanda desses e dos futuros moradores da região.
De acordo com a presidente da Associação Comercial e Empresarial da Campanha (ACE), Cleide Izabel Bersani, os empresários foram orientados a pensar num prazo de cinco anos de retorno do investimento. “Buscamos uma estrutura melhor para atender os alunos, oferecendo hospedagem e alimentação com custo menor e que lembrem a casa da mãe”, afirmou Cleide. Um mapeamento realizado pela ACE aponta que a estadualização vai envolver 92 municípios. “Campanha passará a atender moradores de um raio de 200 quilômetros”, explicou a presidente da associação. Hoje, a faculdade atende moradores das cidades de Maependi, Caxambu, Lambari, Varginha, Três Corações, São Gonçalo e Monsenhor Paulo.
A proprietária de uma pousada em Campanha, Maria Lemes Pereira, está ampliando o estabelecimento para atender os futuros alunos. O prédio de três andares está em forma e estão sendo construídos dez flats para acolhê-los. São quartos com sala, cozinha e banheiro, mobiliados. “Os novos hospedes trazem somente a roupa de cama. Oferecemos serviço de quarto, lavanderia, café da manhã, tudo que agrega serviço. Eles não pagam água, luz e internet”, afirmou Maria Lemes.
Segundo o secretário de Cultura Nilber Martins Rosa, não só a economia da cidade vai alterar. “Campanha era conhecida pelo investimento em educação e cultura. Essas características foram se perdendo nos últimos anos, mas esta estadualização resgata o retorno da identidade e desenvolvimento", enalteceu o secretário da cidade.