Preço e apoio do governo fortalecem amendoim
Preço e apoio do governo fortalecem amendoim
Minas Gerais tem 4,619 mil hectares plantados de amendoim e deverá colher 8,696 mil toneladas do produto na próxima safra, o que garante ao Estado o quarto lugar na produção nacional, atrás de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. O governo estadual, por intermédio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, procura mudar esse quadro, oferecendo assistência técnica, parceria com instituições de crédito e outros instrumentos de apoio para o desenvolvimento da atividade.
De acordo com o secretário de Agricultura, Odelmo Leão, estudos de mercado realizados pela Secretaria mostram que um importante aliado desse programa é a rentabilidade proporcionada pelo produto. A possibilidade de bons rendimentos com a venda de amendoim, principalmente para a indústria, responde em parte pelo aumento em 69,32% da área cultivada sobre a safra de 2003, conforme a avaliação dos extensionistas. A produção brasileira, no ano passado, foi de 177 mil toneladas numa área plantada de 84 mil hectares e para este ano a estimativa é de 187 mil toneladas, com aumento de 5,1%.
A evolução do cultivo de amendoim pode ser observada principalmente no Triângulo Mineiro. Estudos realizados em fevereiro de 2004 pelo Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias (GCEA), do IBGE, confirmam os dados apresentados pelos técnicos da Emater, indicando que foram plantados na região 3.994 hectares. Está prevista uma produção de 8 mil toneladas e rendimento em torno de 2 mil quilos por hectare.
Novas áreas de cultivo do amendoim em casca foram implantadas nos municípios de Iturama, Limeira do Oeste e União de Minas, proporcionando aumento de 9,85% na área plantada e 12,61% na produção.
Duas safras
A cultura do amendoim tem duas colheitas: a primeira, na época das chuvas, em novembro, e a segunda em fevereiro do ano seguinte. Do plantio à colheita decorrem de 100 a 110 dias. O preço ao produtor oscila de R$ 20,00 a R$ 22,00 a saca de 25 quilos. O amendoim em casca produzido em Minas é quase todo vendido para as indústrias de beneficiamento paulistas especializadas na moagem e torra, destinados a doces em geral, iogurte, sorvetes, rapadura e à mistura com chocolate.
Um produto sul-americano
O amendoim é originário da América do Sul, mas foi enviado primeiro para a Europa, no século XVIII. No século seguinte chegou ao Brasil, possivelmente no meio da carga de viajantes que visitaram os vales do Rio Paraná e Paraguai, na região do Gran Chaco, América do Sul. Os índios iniciaram a difusão da leguminosa para as diversas regiões da América Latina, América Central e México. Do Brasil foi levada para a África, e do Peru para as Filipinas, China, Japão e Índia.
A sementes do amendoim são ricas em óleo (aproximadamente 50%) e proteína (22 a 30%). Contêm carboidratos, sais minerais e vitaminas, constituindo-se portanto em alimento altamente energético (585 calorias/100 g/sementes). O produto, além de ser consumido in natura, atende também à industria de doces, como grãos inteiros com diversas coberturas, ou grãos moídos na forma de paçocas, ou substituindo a castanha de caju em cobertura de sorvetes. Os grãos também podem ser utilizados para a extração do óleo, empregado diretamente na alimentação humana, na indústria de conservas (enlatados) e em produtos medicinais.