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Prêmios reconhecem ação da Emater/MG em vários municípios

Quinta-feira | 13/12/2007 | 15:06·Atualizado em 28/05/2013 | 19:35
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BELO HORIZONTE (13/12/07) - A Emater/MG recebeu, esta semana, o Troféu Ouro do Prêmio Maria Regina Nabuco em Segurança Alimentar e Nutricional, concedido pelo Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Belo Horizonte, em parceria com a prefeitura de Ribeirão das Neves.

A premiação é um reconhecimento à atuação da empresa mineira de assistência técnica e extensão rural que implantou, num município sem tradição rural, diversos projetos de avicultura e produção de hortaliças. A experiência vem mudando a vida de milhares de pessoas em Ribeirão das Neves, uma das áreas mais carentes da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Iniciado em novembro de 2005 no município, o Minas Sem Fome estimulou cerca de 15 mil famílias a produzirem o próprio alimento e aumentar a renda. No programa, o governo do Estado investiu aproximadamente R$ 500 mil, utilizados na compra e distribuição de insumos para criação de aves de postura, hortas, culturas de feijão e pomares.

"O trabalho desenvolvido em Ribeirão das Neves foi um grande desafio para toda a equipe, que está de parabéns. Apesar das dificuldades enfrentadas, como a falta de áreas apropriadas para a atividade agrícola, o resultado foi surpreendente, com grande participação da comunidade. O município foi escolhido para integrar o Minas Sem Fome pelo alto índice de exclusão social registrado", afirmou o presidente da Emater-MG, José Silva Soares.

A premiação, na categoria Produção e Beneficiamento de Alimentos, tem como objetivo disseminar e reconhecer ações relativas à segurança alimentar e nutricional realizadas por organizações públicas, privadas e não governamentais da Região Metropolitana da capital. O nome do prêmio é uma homenagem a Maria Regina Nabuco, falecida em 2004. Uma das maiores especialistas brasileiras em segurança alimentar, ela foi secretária municipal de Abastecimento de Belo Horizonte de 1993 a 1996.

Alcance sociall

No projeto de avicultura, uma das ações mais bem-sucedidas no município, foram implantados 42 galinheiros, com envolvimento de 2,2 mil famílias. Parte dos ovos vem enriquecendo a merenda dos alunos das escolas inscritas no Minas Sem Fome, além de melhorar a renda das famílias, que se organizaram para vender o excedente. A falta de tradição agrícola entre os moradores do município foi contornada com um intenso trabalho comunitário. Formaram-se, pela Emater-MG, cerca de 400 multiplicadores, capacitados para auxiliar na implantação e acompanhamento das criações, das hortas e dos pomares.

O Minas Sem Fome é um dos projetos estruturadores do Governo de Minas. Gerenciado pela Emater-MG, vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, mantém em Ribeirão das Neves parcerias com a Prefeitura municipal, o Conselho Municipal de Assistência Social CMAS), organizações não-governamentais, escolas municipais e estaduais, creches e outros grupos organizados da sociedade. Entre as funções da Emater-MG, estão a seleção das entidades beneficiadas, feita conjuntamente com o CMAS; o ajuste dos projetos coletivos de acordo com a realidade de cada entidade selecionada; a entrega dos insumos; o acompanhamento da implantação dos projetos; e a avaliação e definição de estratégias de sustentabilidade.

Marco Aurélio Loureiro, diretor da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, ressalta a qualidade do serviço de acompanhamento e fiscalização dos projetos implantados pela Emater-MG. "A empresa tem um bom histórico, com um excepcional corpo técnico e grande capacidade de monitoramento dos resultados na ponta. E isso é essencial para o sucesso dos projetos sociais, não apenas o Minas Sem Fome, mas os demais realizados em parceria com o Ministério (do Desenvolvimento Social)", afirma.

Desde seu lançamento, em 2004, o Minas Sem Fome já beneficiou mais de 500 mil famílias em todo o Estado, em ações de estímulo à produção sustentável de alimentos, com o objetivo de garantir a segurança alimentar e nutricional. Os beneficiários do programa são pessoas das áreas rural e urbana, em situação de vulnerabilidade social, organizadas por meio de entidades comunitárias, sem fins lucrativos e legalmente constituídas, com projetos de interesse coletivo, em atividades agropecuárias e agroindustriais.

Furnas Ouro Azul

Outro reconhecimento às ações da Emater-MG, desta vez na gestão de recursos hídricos, foi o 3º lugar no 6º Prêmio Furnas Ouro Azul, categoria empresa, conquistado pelo escritório da Emater-MG em Caxambu, com o projeto Estabilização de Solos e Controle de Erosão com Vetiveria zizanioides (L.) Nash.

O engenheiro agrônomo André Henriques, autor do trabalho, explica que seu objetivo foi encontrar um meio de deter a erosão causada por água das chuvas, um dos mais graves problemas ambientais decorrentes do mau uso do solo. Em seus estudos, chegou à planta vetiver, que, segundo ele, apresenta características capazes de estabilizar o solo e controlar a erosão, mesmo quando cultivada em condições muito adversas, como na ausência prolongada de chuvas e em terrenos inclinados. "O vetiver é uma alternativa tecnológica simples, eficaz, segura e de baixo custo. A produção de mudas é simples, ocupa pequenos espaços e não requer grandes investimentos. E a tecnologia de uso para controle da erosão pode ser reproduzida em qualquer parte do território brasileiro", explica André.

O Prêmio Furnas Ouro Azul estimula a divulgação da utilização adequada, a recuperação e a conservação de recursos hídricos, especificamente de Minas, do Distrito Federal e do Rio de Janeiro. Os trabalhos premiados serão publicados em cadernos especiais nos jornais Estado de Minas, Correio Braziliense e Jornal do Commercio e serão disponibilizados também na internet.

Além do aspecto ambiental, o projeto de controle da erosão adotado em Caxambu tem um forte componente social, pois o vetiver é produzido no Horto Municipal, com a participação de recuperandos do sistema penal e de adolescentes infratores. "Criamos assim uma oportunidade de inserção social dessas pessoas, por meio da qualificação profissional", destaca André Henriques.

Gestão de pessoas

O presidente da Emater-MG ressalta a inovação como uma das características do trabalho da extensão rural em Minas Gerais, que vem sendo modelo para vários outros estados. Também,neste mês de dezembro, a empresa foi agraciada com o Prêmio Ser Humano, concedido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-MG), ao Projeto Inovar, de capacitação de extensionistas.

"Esses prêmios são conquistas de toda a empresa, pois estimulamos a gestão participativa na Emater-MG. É uma nova maneira de conduzir a extensão rural, de implementar as políticas públicas do Governo de Minas em benefício de toda a sociedade", afirma José Silva. A Emater-MG, que completou 59 anos de criação no último dia 6 de dezembro, tem mais de 2.500 profissionais atuando em 780 municípios do Estado.