Prevenção é uma das principais armas no combate ao câncer em Minas
Cerca de 40% da mortalidade atual por câncer ocorre por tipos passíveis de ações preventivas e detecção precoce e, portanto, apresentam um considerável potencial de diminuição. Ou seja, controlando-se o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas, a alimentação não saudável, o sedentarismo, e a obesidade, é possível diminuir os casos da doença.
BELO HORIZONTE (08/04/10) - Cerca de 40% da mortalidade atual por câncer ocorre por tipos passíveis de ações preventivas e detecção precoce e, portanto, apresentam um considerável potencial de diminuição. Ou seja, controlando-se o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas, a alimentação não saudável, o sedentarismo, e a obesidade, é possível diminuir os casos da doença, que é a segunda maior causadora de mortes no Estado.
“Em 2007, que é o último ano que temos concluídas as investigações de óbitos por tumores, ocorreram 16.269 mortes em Minas Gerais. Desses, 15.315 óbitos foram por neoplasias malignas e 7.098 óbitos (44,55%) foram por cânceres passíveis de ações preventivas ou de detecção precoce”, explica Berenice Antoniazzi, coordenadora Estadual do Programa de Vigilância Primária do Câncer, da Secretaria de Estado de Saúde (SES).
O alerta é feito nesta quinta-feira (8), data em que se comemora o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Segundo a estimativa de casos da doença do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para 2010, e válidas para 2011, são esperados 46.630 novas ocorrências em Minas Gerais. Desses, 23.790 serão em mulheres e 22.840 em homens. O câncer de mama apresenta o maior número de casos novos esperados, para mulheres, em Minas Gerais, com 4.250 casos, com um risco estimado de 41 casos a cada 100 mil mulheres. Em Belo Horizonte são esperados 950 casos, com um risco estimado de 70 casos a cada 100 mil mulheres.
Uma das explicações para a elevada incidência de câncer é, contraditoriamente, o aumento da expectativa de vida, já que o envelhecimento populacional leva ao aumento dos casos de doenças crônico-degenerativas. Isso explica também o crescimento do número de alguns tipos de câncer, associados ao melhor nível econômico, como, por exemplo, o de mama e de próstata.
Os números, que constam no Mapa da Situação do Câncer em Minas, concluído em fevereiro deste ano, podem orientar os gestores de saúde no planejamento da rede de atenção voltada para um conjunto de ações educativas e de prevenção dos fatores de risco (tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, alimentação não saudável, sedentarismo, obesidade e outros) associados aos exames clínicos e de diagnóstico aos grupos de risco dos cânceres prioritários. “Possibilitará também realizar no futuro uma avaliação de resultados, com o impacto das medidas adotadas”, complementa Berenice.
Redes
Para enfrentar o problema, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) vem desenvolvendo uma completa rede de atenção, que atua em prevenção, diagnóstico precoce, ações de vigilância e assistência integral ao paciente.
De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge de Souza Marques, em Minas Gerais, desde o início de 2003, determinou-se que nenhum paciente com câncer ficaria sem tratamento. “Graças à disponibilização de financiamento para pagamento extrateto em oncologia, por meio do qual o Estado repassa recursos aos municípios que gastaram mais do que estava previsto para o tratamento da doença”.
“Sem dúvida, o maior desafio que temos hoje em relação ao câncer é integrar todas as áreas de atenção à saúde, visando o combate da doença. Nesse sentido, encontros como estes são importantes, pois permitem aos gestores das diversas esferas de governo uma troca de ideias e experiências, possibilitando-nos traçar estratégias e planos de ação para o controle da doença”, destacou o secretário.
Diagnóstico
Os cânceres de mama e colo de útero são os que têm maior incidência entre as mulheres. Nos dois tipos, a cura está diretamente relacionada à rapidez no início do tratamento e, por isso, a SES vem estimulando a realização de exames diagnósticos. “Ano passado foram feitas, aproximadamente, 320 mil mamografias no Estado. A secretaria tem procurado sensibilizar os gestores municipais, fazendo com que eles se conscientizem sobre a importância de realizar os exames”, afirma o coordenador de Combate ao Câncer do Colo de Útero e Mama da SES, Sérgio Bicalho.
No caso do câncer de colo de útero, o exame realizado para detectar a doença é o Papanicolau. “Para combater essa modalidade da doença, temos incentivado a realização dos exames. Em 2009, por exemplo, foram feitos quase 1,3 milhão de exames, graças a um trabalho de conscientização desenvolvido junto aos municípios”, destaca Sérgio.
Já no caso do câncer de próstata, comum entre os homens, um dos exames que vêm sendo executados com é o PSA (Antígeno Prostático Específico). Por meio dele, faz-se a coleta de uma substância que detecta a presença de tumores, ainda na fase inicial.