Produção de mexerica gera emprego e renda em Belo Vale
O maior produtor de mexerica de Minas Gerais, Belo Vale, na região Central, deve colher este ano 14 mil toneladas da fruta. A safra começou em maio e deve durar até setembro. O mercado consumidor, além do Estado, fica nos estados do Nordeste, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
BELO VALE (28/07/08) - A produção de tangerina ponkan está transformando a vida dos agricultores de Belo Vale, na região Central. O município já é hoje o maior produtor de mexerica (como popularmente conhecida a tangerina) de Minas Gerais e vende as frutas para diversos estados do Nordeste (Bahia, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Sergipe), além de Rio de Janeiro e Distrito Federal. A safra começou em maio na região e deve durar até setembro. A expectativa é que este ano sejam colhidas cerca de 14 mil toneladas de mexerica.
De acordo com a extensionista da Emater-MG Ana Luíza Resende Oliveira, vários fatores tem colaborado para o sucesso da cultura da região. "O clima aqui é adequado pois tem um período frio e com altitude propícia. Tudo isso contribui para que a cultura se desenvolva bem no município", explica. Além de Belo Vale, despontam no Médio Paraopeba como grandes produtores da frutas os municípios de Brumadinho, Piedade das Gerais, Bonfim e Moeda.
Segundo levantamento do escritório local da Emater, cerca de 200 produtores estão investindo na atividade. A maioria deles são agricultores familiares como é o caso do Renato Joaquim de Oliveira. O produtor chega a ter um lucro de R$ 3 por caixa e está animado com o negócio. "Eu comecei com mil pés e hoje tenho 15 mil. Eu acho que o lucro da mexerica está melhor do que de outras culturas", comenta.
Um hectare de lavoura de mexerica chega a dar um lucro de pelo menos R$ 5 mil por safra, segundo a técnica da Emater-MG. Esse cálculo é feito levando em conta 500 pés da fruta, com a retirada três caixas por pé, uma produção baixa já que grandes fruticultores chegam a colher até 12 caixas por árvore. Mas o segredo do sucesso do cultivo da tangerina em Belo Vale é que os produtores tem facilidade para comercializar a produção. "Quando o pequeno produtor não leva sua produção na Ceasa Minas, ele vende a fruta para os maiores produtores que vão comercializá-las em outros estados, principalmente do Nordeste. Esses grandes produtores garantem um preço mínimo, que costuma ser maior que o preço pago na Ceasa", explica Ana Luíza.
Mas além de ser uma boa fonte de renda para os produtores da região, o cultivo da mexerica também gerou muitos empregos no campo. Matuzalém Fernandes da Rocha administra uma das fazendas de maior produção de mexerica do município e diz que na fase de colheita a propriedade emprega de 30 a 40 pessoas. Mas, segundo ele, além da colheita, também é necessário contratar mão de obra na época de adubar e limpar a lavoura."Depois que a mexerica começou na região ela deu bastante emprego para as pessoas. Antes, o pessoal tinha que sair longe para procurar serviço e agora pode trabalhar aqui pertinho", afirma.