Programa do Estado objetiva a inclusão produtiva de jovens
Núcleos de Prevenção à Criminalidade instalados em vilas e aglomerados da capital mineira e Região Metropolitana, oferecem aos jovens e adolescentes oficinas de esporte, lazer e cultura, além de cursos que visam a inclusão produtiva, por meio da educação para o trabalho, e de resgate da estima.
BELO HORIZONTE (11/12/07) - Encontrar um emprego, sair-se bem na entrevista, vestir-se adequadamente, entregar um currículo corretamente preenchido e falar com desenvoltura e sem temor são desafios colocados diariamente para milhares de pessoas em busca de trabalho. Um desafio que não é fácil vencer e que pode se tornar mais complicado à medida que o tempo passa e a colocação não acontece. Para alguns, uma das conseqüências é a depressão; para outros, o desalento e a queda da auto-estima.
Núcleos de Prevenção à Criminalidade instalados em vilas e aglomerados da capital mineira e da sua Região Metropolitana, que oferecem aos jovens e adolescentes oficinas de esporte, lazer e cultura, também oferecem a eles cursos que visam a inclusão produtiva, através da educação para o trabalho, e de resgate da estima e da cidadania, através do estudo dos valores e da vida.
Funcionando desde março deste ano, numa parceria com a Associação Preparatória de Cidadãos do Amanhã (Aprecia), o programa capacitou 370 jovens e encaminhou 20 para diversas empresas, como uma rede de farmácias. Atualmente fazem os cursos 150 adolescentes, nos diversos núcleos espalhados por Belo Horizonte. Outros dois convênios, com a Copasa e a Câmara dos Diretores Lojistas (CDL), capacitaram mais 155 jovens e adolescentes. Dos 135 atendidos pela CDL, 61 foram encaminhados para o mercado de trabalho.
Aluna do curso aplicado no Morro das Pedras, Nelma Gomes, com experiência na área administrativa e escritório, está desempregada há cinco meses. Para ela, "os conceitos repassados nos cursos são fundamentais, ao trazerem maiores esclarecimentos sobre o comportamento em entrevistas, montagem de currículos. O curso levanta a estima, estimula, instiga as pessoas a acreditarem em si e buscarem se colocar de modo correto na procura por um emprego".
Também desempregado, o cobrador de ônibus coletivo Deusdete Ciro Gonçalves, do Morro das Pedras, considera-se privilegiado por ter participado do curso e recebido "orientações importantes para a pessoa se portar na busca de trabalho. O curso é de fácil assimilação, rico em conteúdo, abordando todos os passos, desde a montagem do currículo até o comportamento durante as entrevistas, passando pelo modo de se vestir e que palavreado usar na conversação". Ele se diz confiante e com novo ânimo para continuar a busca de uma vaga de trabalho, depois de fazer o curso.
A consultora e professora Alessandra Palhares Diniz ressalta que "o curso é transformador, estimulante, complementa, mostra potencialidades insuspeitadas dos participantes, faz com que eles acreditem que são cidadãos e podem ingressar no mercado de trabalho. Nas aulas eles aprendem como se comportar no cotidiano, na busca pelo trabalho. O curso busca criar oportunidades dentro da visão do mercado de trabalho, dentro do que ele necessita, criar lideranças, dar autonomia, através da educação para o trabalho e da inclusão produtiva." Ela diz que é gratificante ver como "os alunos crescem, descobrem-se, aumentam a estima e passam a acreditar mais em si mesmos, o que é fundamental para enfrentar a disputa por um lugar no mercado de trabalho".
A inclusão produtiva aplica dois cursos. No de educação para o trabalho, o aluno aprende como se portar nas entrevistas para o emprego, a montar o currículo, e a se vestir de modo adequado. São 12 horas/aula. Já o curso Vida e Valores busca resgatar valores humanos, a estima, através do respeito ao próximo, do entendimento de deveres e direitos dele na comunidade, abordando ética e moral. São 16 horas/aula. Ao final os alunos recebem certificados.
Parceira da Secretaria de Estado de Defesa Social no projeto, a Aprecia busca colocar os formandos no mercado de trabalho através de convênios com empresas que acessam banco de dados montado com os perfis daqueles que concluíram o curso.
Wagner de Jesus da Silva, 19 anos, foi encaminhado para trabalhar numa rede de farmácias, no bairro Santo Agostinho. Morador do Morro das Pedras e com o segundo grau completo, no trabalho faz de tudo um pouco, atendimento no balcão, operador de caixa, repositor de estoque. Ele fez os dois cursos e tem contrato assinado por um ano com a drogaria. Trabalha uma semana na loja e outra faz curso de aperfeiçoamento no Senac, específico para farmácias e drogarias. O salário é diferenciado e ele recebe vale-transporte. Wagner trabalhou alguns meses como arrumador/camareiro em hotel e também como auxiliar administrativo. O processo todo, entre cursos e contratação, durou 45 dias.
As atividades são realizadas nos Núcleos de Prevenção à Criminalidade (NPCs), onde são mantidos pelo menos dois programas de prevenção ao crime e à violência e realizadas ações voltadas para comunidade, como campanhas educativas, oficinas de inclusão produtiva, estímulo a iniciativas comunitárias e práticas pessoais preventivas contra a violência, atividades coletivas de cidadania e cultura, ocupação de espaços ociosos, propostas de educação e socialização para todos e projetos comunitários que visem à redução das oportunidades de ocorrência criminal.
Os programas desenvolvidos pelos núcleos são:
Fica Vivo - Controle de Homicídios de Minas Gerais, tem a finalidade de reduzir a incidência de homicídios em áreas de risco do Estado de Minas Gerais, com a implantação de redes de proteção social. Mediação de Conflitos, cujo objetivo é mediar/orientar extrajudicialmente conflitos em áreas carentes, contribuindo com a redução da violência nessas áreas.
Central de Acompanhamento de Penas e Medidas Alternativas - busca criar condições institucionais necessárias para o acompanhamento e aplicação das alternativas penais no Estado de Minas Gerais.
Reintegração Social de Egressos do Sistema Prisional - atende pessoas egressas do sistema prisional, gerando condições para sua reintegração à sociedade.
Proteção de crianças e adolescentes ameaçados de morte - responsável por proteger crianças e adolescentes ameaçados de morte, assim como seus familiares, garantindo o direito à vida, bem como a proteção da integridade física e moral do indivíduo.
Número de atendimentos de janeiro até outubro 2007:
Programa Fica Vivo: 12.561
Programa CEAPA: 7.913
Programa Reintegração Social do Egresso: 7.913
Programa Mediação de Conflitos: 15.825
Programa de Proteção à crianças e adolescentes ameaçados de morte122
Investimento: R$ 22.631.100,00