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Notícia

Programas promovem recuperação de áreas da Mata Atlântica

Uma parceria entre o Governo de Minas e 11 proprietários rurais recuperou 60 hectares de vegetação da Mata Atlântica, no entorno do Parque Estadual do Ibitipoca. A parceria é desenvolvida, há um ano, por meio do Programa de Proteção da Mata Atlântica de Minas Gerais (Promata/MG).

Sexta-feira | 06/06/2008 | 13:55·Atualizado em 24/05/2013 | 22:34
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BELO HORIZONTE (06/06/08) - Cerca de 60 hectares de vegetação de Mata Atlântica no entorno do Parque Estadual do Ibitipoca, localizado nos municípios de Lima Duarte e Santa Rita do Ibitipoca (Zona da Mata), foram recuperados em uma parceria entre o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e 11 proprietários rurais. A parceria é desenvolvida, há um ano, por meio do Programa de Proteção da Mata Atlântica de Minas Gerais (Promata/MG) que realiza ações voltadas para a recuperação de áreas degradadas.

Os produtores receberam insumos (arames, formicidas e mudas de espécies da Mata Atlântica). Eles também serão beneficiados com incentivos financeiros para recuperar e conservar as matas nativas em suas propriedades. Cada produtor receberá de R$ 150 a R$ 300 por hectare/ano, de acordo com a recuperação promovida e o dinheiro será repassado até o final deste semestre, após comprovação das ações.

Na região do Parque do Ibitipoca, o Promata teve início em 2007, mas o programa existe desde 2005 no entorno de outros parques estaduais com ocorrência de Mata Atlântica. Em todo o Estado já foram beneficiados 263 produtores rurais, em 31 municípios mineiros, e recuperou pouco mais de 4 mil hectares. Nesta parceria, o Governo de Minas já repassou R$ 883.726,12 aos produtores rurais.

Recuperação exemplar

A propriedade ‘Reserva do Ibitipoca” destaca-se na recuperação de áreas. Um de seus donos, Carlos Reppeto, mantém uma parceria com o IEF desde 2001. Para o proprietário rural, a partir de 2006, o IEF aperfeiçoou a parceria, ao fornecer não só as mudas de espécie nativas como também adubo e formicida.

A propriedade tem uma área de 3.550 hectares, bem superior à área do parque, de cerca de 1.500 hectares, e faz limite com a unidade de conservação ao norte, leste, sul e oeste. Carlos Reppeto destaca que cerca de 70% da propriedade foi destinada à regeneração natural. Em alguns pontos foram plantadas árvores como ipê roxo e amarelo, jacarandá, candeia e cambarás. “A intenção é formar um cinturão verde em volta do parque e criar os corredores ecológicos entre os remanescentes florestais para permitir a passagem da fauna local”, explica Reppeto.

O gerente do Parque Estadual do Ibitipoca, João Carlos Lima de Oliveira, explica a importância do cinturão verde para garantir a preservação do parque. “É uma obrigação nossa, perante a comunidade, buscar solução dos vários problemas. O parque é da comunidade, pertence a todos. O parque não é uma ilha, não adianta conservarmos o parque e o entorno ficar arrasado, pois assim teremos prejuízo na biodiversidade”, disse o gerente.

A analista ambiental do IEF, Clarice Silva, comemora a realização do programa nas comunidades do entorno do parque. “Nos 34 anos de existência da unidade de conservação, esse é o momento em que o parque poderá efetivamente colher resultados e contribuir para o desenvolvimento das comunidades de seu entorno, graças a parcerias bem feitas”, afirma.

Estas ações constituem, desde 2007, objetivos específicos do programa de governo para a agenda ambiental, com metas estabelecidas no Projeto Estruturador Conservação do Cerrado e Recuperação da Mata Atlântica. Nesse programa, o IEF se compromete com a recuperação/recomposição de 150.000 hectares de florestas nativas, entre 2007 e 2011.

Campanhas educativas

Além das ações do Promata, outras iniciativas são realizadas no entorno do parque do Ibitipoca para garantir a preservação ambiental, entre elas, campanhas de prevenção de incêndios florestais, para incentivar a coleta seletiva e de educação ambiental.

As campanhas educativas de prevenção a incêndios florestais são realizadas pelos funcionários do Parque Estadual do Ibitipoca nas comunidades dos municípios de Lima Duarte, Santa Rita do Ibitipoca e Bias Fortes. Para esta ação, eles contam com o apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros que percorrem as propriedades rurais orientando sobre o uso correto do fogo no manejo de pastagens. Com a proximidade do período de seca, os 25 brigadistas do parque iniciam mobilização no início de junho.

Outra ação de educação ambiental envolve turistas, estudantes e comunidades do entorno. A campanha é feita nos períodos de pico de visitação. Uma blitz já foi realizada durante o feriado da Semana Santa, quando 800 pessoas receberam orientação sobre cuidados de proteção ao ambiente e aos próprios visitantes. Outras blitze estão programadas para os períodos de férias escolares, de julho e dezembro. O parque é um dos seis mais visitados do país, entre unidades de conservação federais e estaduais.

A destinação correta do lixo também é uma preocupação dos técnicos do IEF que estão programando palestras para moradores do entorno, visitantes e estudantes. A proposta é utilizar o lixo orgânico na produção do composto orgânico usado como adubo nas plantações e a destinação de material reciclável para a Usina de Triagem e Compostagem em Lima Duarte. A campanha tem início em julho.

Parque Estadual do Ibitipoca

No parque são desenvolvidas várias pesquisas sobre fauna e flora que já revelaram a existência de espécies endêmicas de pererecas e espécies da flora. São mais de 130 espécies de orquídeas e 350 espécies de líquens (uma delas só existe no parque). Os líquens são considerados bioindicadores da qualidade do ar. Na fauna destacam-se as presenças do muriqui, o maior primata das Américas, onça-parda, lobo-guará, gato-maracajá e gato-mourisco, a maioria deles ameaçada de extinção.

A riqueza biológica é inversamente proporcional ao seu tamanho. Com apenas 1.500 hectares, o parque possui paisagens de grande beleza cênica, cavernas, cachoeiras e piscinas naturais. Para o gerente do parque há muito que se descobrir, principalmente em relação à entomologia (estudo dos insetos).