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Projeto Arte Corre nas Veias apresenta "Em busca do Grande Sertão: Veredas"

Segunda-feira | 19/03/2007 | 14:07·Atualizado em 24/05/2013 | 22:01
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BELO HORIZONTE (19/03/07) - Em mais uma edição do projeto "Arte corre nas veias", a Fundação Hemominas apresenta, no hall da Administração Central da Fundação, a exposição "Em busca do Grande Sertão: Veredas". O projeto foi criado em 2004 com o objetivo de incentivar a cultura na Fundação.

A exposição foi aberta quinta-feira (15) com as presenças da presidente da Fundação Anna Bárbara Proietti, da vice-presidente Maria Olívia de Castro e Oliveira, de funcionários da Fundação, dos expositores e pessoas convidadas. A mostra poderá ser visitada, das 8h às 17h, até 13 de abril - rua Grão Pará, 882.

Desta vez, o "Arte corre nas veias" vivencia, através de fotos, as aventuras do livro "Grande sertão: veredas" do escritor João Guimarães Rosa. A idéia, de percorrer os caminhos que serviram de palco para a mais conhecida obra do escritor mineiro, foi colocada em prática por um grupo de professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas

Gerais (UFMG), com o apoio cultural da empresa Phocus4 e da própria Faculdade de Medicina. O escritor Guimarães Rosa foi aluno desta faculdade.

O grupo formado por Eugênio Marcos Andrade Goulart, Fernando Augusto Proietti, César Coelho Xavier, Lúcia Maria Horta Figueiredo Goulart e Maíra Figueiredo Goulart buscou retratar, através da estética e visão de cada um, algumas das paisagens relatadas na obra de Guimarães Rosa, principalmente no Norte de Minas Gerais. O resultado pode ser conferido através das 24 belas fotos que capturam o cenário de um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

Para um dos fotógrafos Eugênio Marcos Andrade Goulart, professor da Faculdade de Medicina da UFMG, a idéia surgiu por meio de pessoas que se interessam por Guimarães Rosa e pela obra Grande sertão: veredas. "Nós queríamos ver o lado regional do livro. Guimarães Rosa escrevia com o mapa aberto. A experiência foi riquíssima. Identificamos paisagens maravilhosas com vilas, serras, rios e também as veredas - avenidas de buritis que acompanham pequenos córregos", conclui.

O grupo percorreu, em 10 dias, dois mil quilômetros das mesmas trilhas do jagunço Riobaldo e como explicou Eugênio, "caminho com muita poeira e buraco". Sobre a degradação ambiental na região, Eugênio salientou que ela pode ser vista "no corte da mata, dos buritis e na poluição dos rios decorrente da atividade da mineração".

O professor Fernando Proietti lembrou a complexidade que o livro traz para os leitores. "Muitos começam a ler, mas não chegam ao fim". Perguntado se esta dificuldade também se refletiu na viagem, ele garantiu que não: "Foi uma experiência fantástica", concluiu.

O escritor

Mineiro de Cordisburgo, João Guimarães Rosa nasceu em 1908 e morreu em 1967. Formado em Medicina, logo ingressou na carreira diplomática, exercendo funções no exterior e no Brasil. Seu reconhecimento como escritor ocorreu a partir de 1956, com a publicação de Grande sertão: veredas e Corpo de baile. É considerado um dos maiores escritores da América Latina, um transculturador, ao lado de Juan Rulfo, José Maria Arguedas e Gabriel García Márquez.

Com Grande sertão: veredas, o autor revoluciona o gênero regionalista, ao mesclar o narrativo, o poético e o dramático, recriando a língua portuguesa. No relato memorialístico do jagunço Riobaldo, condensam-se questões centrais da experiência humana: a existência do diabo, a questão do bem e do mal, o conflito entre o herói e o mundo, a ambigüidade do erótico, a relação agonística entre o rural e o urbano. Assim, ao mergulhar num mundo tão particular - o sertão com seus protagonistas e figurantes -, Guimarães Rosa aborda o que há de mais universal.

Dados biográficos publicados no site da Copeve/UFMG: Grande sertão: veredas (1956) - João Guimarães Rosa