Projeto incentiva o interesse pela leitura nos alunos da rede estadual
BELO HORIZONTE (12/07/11) - As obras de aventura são as que mais atraem a atenção de Delgyanny Estelita Rodrigues, de 10 anos. “A gente fica com vontade de ler mais e mais o livro, até o final, para saber o que vai acontecer”, confessa a estudante, que cursa o 5º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Sarah Kubitschek, no Bairro da Graça, em Belo Horizonte. Mas as outras histórias também são bem vindas. Os suspenses e temas da atualidade encontram espaço no quarto da menina, escolhido como cenário ideal para seus momentos de leitura. “Além de ser mais confortável, eu gosto de ler sozinha, porque assim fico mais concentrada”, completa.
Toda esta dedicação ao universo literário teve o reconhecimento da escola e do Instituto Gil Nogueira, que em parceria, realizam o projeto “Ler é viver”. A ação, que busca estimular a leitura entre os alunos dos anos iniciais do ensino fundamental (com exceção do 1º ano), realiza, até esta quarta-feira (16), a premiação dos estudantes das escolas estaduais participantes que mais leram no primeiro semestre de 2011.
Delgyanny foi premiada na categoria diamante. Ela e o colega Yuri Ferreira Resende foram os alunos que mais leram livros no primeiro semestre letivo na escola em que estudam. Quem vê tanto empenho não acredita que até o ano passado, o ato de ler não fazia parte das atividades preferidas da menina. “Meu pai ama quando leio, pois antes ele pedia e eu não gostava”, confessa.
Dos 210 alunos da Sarah Kubitschek que estão nos anos iniciais do ensino fundamental, cerca de 120 foram premiados no projeto, ou seja, leram no mínimo cinco livros no primeiro semestre deste ano. “Além do projeto, a escola busca alternativas para o trabalho de leitura com os alunos. Todos os dias, eles têm um momento na sala para recontar as histórias que leem, além ilustrar e resumir as histórias. Investimos na leitura porque ela é importante”, explica a supervisora.
Formando leitores
O “Ler é viver” é realizado semestralmente. As escolas participantes recebem do Instituto Gil Nogueira um kit composto por 40 livros literários que são trabalhados pelos professores em sala de aula. Ao término do semestre, há uma premiação para os estudantes que conseguiram ler o maior número de livros. Os estudantes são classificados nas categorias Diamante, Ouro, Prata e Bronze e recebem prêmios que variam de aparelho de som a estojo escolar.
As ações não se restringem aos educadores das escolas. Profissionais do Instituo Gil Nogueira também acompanham e participam do trabalho prático, contando histórias para os alunos e avaliando o projeto junto aos professores. “A leitura e a interpretação são a base de tudo. À medida que o projeto avança, nós percebemos que os alunos leem mais. O resultado aparece muito no quarto e no quinto ano. Tentamos desenvolver neles um hábito mesmo”, avalia a coordenadora do “Ler é viver”, Tânia Lima.
Apesar de ter lido 40 livros no primeiro semestre de 2011, apenas no projeto, Delgyanny tem metas mais desafiadoras. Ela quer bater o próprio recorde: “No próximo semestre vou ler 50 livros, se Deus quiser”. O primeiro passo foi dado neste final de semana, quando foi com a família para Montes Claros. “Pedi à professora uns cinco ou seis livros para ler durante a viagem”.
Escolas participantes
O projeto “Ler é viver” existe desde 2007. O trabalho, que começou com 661 alunos, hoje atende 3.185 crianças, que leram 3.642 livros somente em 2010. Algumas das escolas participantes são: Geraldina Soares, Sarah Kubitschek, Olímpia Resende, Nossa Senhora Aparecida, Pedro Dutra, Engenheiro Silvio Fonseca, Mário Gonçalves Matos, Dulce Pinto, Carlos Goes, Marechal Deodoro, Manuel Casasanta e Sagrada Família. Esta última premiará os alunos nesta quarta-feira.