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Notícia

Projeto Raízes estimula alunos a conhecer outras culturas para respeitá-las

Objetivo é acabar com o bullying escolar e expandir os conhecimentos dos estudantes sobre as diferenças culturais e raciais

Quinta-feira | 09/08/2012 | 10:21·Atualizado em 29/06/2013 | 06:43
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Acabar com o bullying escolar e expandir os conhecimentos dos estudantes sobre as diferenças culturais e raciais no mundo foram os objetivos de dois projetos pedagógicos da Escola Estadual Mendes Pimentel, de Belo Horizonte. Mostrar aos alunos o grande mosaico de estereótipos, valores, crenças e comportamentos culturais que habitam os 192 países do mundo, foi o cerne do Projeto Raízes, que mobilizou centenas de jovens.

Segundo a supervisora da escola no turno da tarde, Marcele Barbosa Ruas, a ideia surgiu como proposta para coibir brincadeiras de cunho pejorativo, e que passou a incomodar pais e alunos. “Aqueles famosos casos de apelidar colegas com alcunhas que denigrem a moral da criança e do adolescente passou a acontecer com alguma frequência na nossa escola, e foi para dar um basta nesta dificuldade de relacionamento que nós, professores, resolvemos agir. E a solução que encontramos foi trabalhar a tolerância. E para respeitarmos o próximo precisamos conhecê-lo”, explicou a supervisora.

A primeira edição do “Cor da Cultura” aconteceu no segundo semestre de 2010 e veio justamente para conhecer as outras culturas. Foi quando a professora de História, Ângela da Conceição Leroy foi convidada a fazer a capacitação sobre temáticas étnico-raciais da Secretaria de Estado de Educação, e quem levou o primeiro kit de ensino para a EE Mendes Pimentel. Voltado para Ensino Fundamental e Médio, os professores se mobilizaram para criar projetos interdisciplinares sobre o continente africano. Surgia o Afro Brasil. “Na época, tínhamos também uma defasagem de leitura, daí passamos a incentivar a prática usando textos ligados a África. Uma parte significativa da história brasileira está ligado ao que vem do continente africano, e, no entanto, o racismo no nosso país ainda é realidade. E a escola tem um papel determinante nesta mudança de comportamento. É nossa responsabilidade”, defendeu Ângela da Conceição Leroy.

Para ela, a Cor da Cultura fala sobre aquilo que é a nossa maior preocupação, a discriminação racial. Além disso, “estamos de olho na lei 10.639, que tornou obrigatório a inclusão da cultura negra brasileira, do negro na formação da sociedade nacional e da luta dos negros no Brasil na grade curricular”, lembrou a professora. E a respostas dos alunos a toda esta imersão tem sido excelente. “A temática é muito envolvente e agora vamos abrir o leque para outras culturas também”.

No projeto Raízes, os aproximadamente 300 alunos do Ensino Médio e Fundamental estudaram as diferenças e semelhanças geográficas entre o continente africano e americano. Com o outro projeto em andamento, o “Identidade Nacional”, o aluno vem se surpreendendo com os símbolos nacionais africanos e suas contribuições para as civilizações modernas, contemporâneas que estão sendo revelados em sala de aula.

As técnicas de mumificação na aula de Ciências, a complexidade das construções das pirâmides no Egito e do seu calendário antigo foram alguns dos assuntos detalhados aos estudantes, e que a princípio relacionavam a África somente a um lugar quente do globo, de fauna exótica e de grande porte – leões, elefantes e girafas – e de vegetação típica de regiões de clima tropical com estação seca, como a savana. “Eles adoraram todas estas descobertas. E isto trouxe uma melhora significativa na forma dos alunos se relacionarem. Eles passaram a olhar diferente para o próximo”, destacou a supervisora Marcele Barbosa Ruas.

Foi por causa de todas estas viagens pelo mundo, e pela cultura africana mais especialmente, que os professores resolveram desenvolver o “Aprendendo a respeitar o próximo” que veio a culminar nesta tentativa de desenvolver a tolerância dos alunos e dar um chega para lá no bullying escolar. O ensino infantil da escola também vai ganhar uma versão especial do projeto. A professora de história Ângela já recebeu o kit “A cor da Cultura” direcionado especialmente para os pequenos. Perseguir, intimidar, humilhar, excluir e ridicularizar é coisas do passado na instituição segundo as educadoras.

A professora de história contou também que a escola já está de olho no Dia da Consciência Negra, no dia 20 de novembro, quando deverá acontecer a culminância de outros projetos ligados a temática que deverão ser desenvolvidos no segundo semestre. A supervisora, Marcele Ruas, também reforçou que a ideia é continuar sem prazo para terminar, todas estas ações que estão transformando o espaço da EE Mendes Pimentel em um lugar mais camarada e flexível. “Com certeza, esta mudança de comportamento não fica só na escola. Hoje há uma intolerância generalizada na sociedade, inclusive, com as pessoas mais velhas. A outra razão para continuarmos com esta iniciativa na escola é que temos uma itinerância considerável de alunos que se formam e outros que chegam ano a ano. É preciso espraiar estes valores, este conhecimento global.”