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Protocolos garantem investimentos de R$ 1 bilhão no setor sucroalcooleiro

O governador Aécio Neves assinou, no Palácio de Liberdade, dois protocolos que vão garantir a Minas investimentos que totalizarão R$ 1 bilhão, com a instalação de duas usinas de produção de cana-de-açúcar e álcool. As duas usinas vão gerar 2,2 mil empregos diretos e terão capacidade para gerar 100 MW de energia.

Terça-feira | 03/06/2008 | 20:49·Atualizado em 27/06/2013 | 19:12
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BELO HORIZONTE (03/06/08) - O governador Aécio Neves assinou, nesta terça-feira (3), no Palácio de Liberdade, dois protocolos que vão garantir a Minas Gerais investimentos que totalizarão R$ 1 bilhão, com a instalação de duas usinas de produção de cana-de-açúcar e álcool. As duas usinas vão gerar 2,2 mil empregos diretos e terão capacidade para gerar 100 MW de energia, o suficiente para abastecer uma cidade do tamanho de Sete Lagoas, que conta com cerca de 211 mil habitantes. As usinas também vão produzir subprodutos resultantes do processo de moagem da cana.

“Aqui em Minas, os senhores sempre encontrarão um solo absolutamente fértil não apenas para a produção de cana-de-açúcar, mas para ousadias empreendedoras. O Estado se preparou, Minas vive um momento extraordinário de pujança, de crescimento econômico. Foram mais de R$ 160 bilhões de novos investimentos anunciados no Estado nesse nosso período de governo, com algumas centenas de milhares de novos empregos gerados e uma perspectiva extraordinária para o futuro”, afirmou o governador, em seu pronunciamento.

Bevap no Noroeste

Um dos protocolos foi assinado com a Bevap – Bioenergética Vale do Paracatu, que pretende investir R$ 575,15 milhões na implantação de uma usina no município de João Pinheiro, no Noroeste de Minas. A unidade vai empregar diretamente 700 pessoas e terá capacidade de moagem de 3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produção de 258,5 mil metros cúbicos de álcool. O início da moagem está previsto para 2009.

A área plantada da Bevap, em João Pinheiro, será de 847 hectares, no primeiro ano, ampliando para 7,2 mil hectares no segundo ano, até atingir 36 mil hectares do quinto ano em diante. O projeto prevê co-geração de energia de 15 MWh no primeiro ano, e de 50 MWh a partir do segundo ano de atividades.

O Grupo Bevap espera faturar R$ 80 milhões no primeiro ano de atividades da usina, saltando para R$ 266 milhões a partir do segundo ano. Além de adoção de todas as medidas ambientais necessárias à obtenção das licenças de implantação e operação, a Bevap se compromete a tratar e dispor todos resíduos industriais, e proceder o desembaraço alfandegário dos materiais nos portos secos situados em Minas Gerais.

A Bevap foi constituída em 2007, resultado da formação de um grupo de investidores dos setores de construção civil, concessão de rodovias e telecomunicações, entre os quais se destacam o Grupo Latinoamericana, CCI Concessões, Vialco Construções e Participações e Plamin Empreendimentos e Participações. O grupo detém concessões de rodovias em diversos estados do Brasil e é quinto maior concessionário do país com faturamento anual em torno de R$ 255 milhões.

Agroerg no Triângulo

O outro protocolo de intenções foi assinado pelo governador Aécio Neves com a empresa Agroerg das Minas Gerais, para a instalação de uma usina de produção de cana-de-açúcar e álcool no município de Centralina, no Triângulo Mineiro. O investimento nesse projeto será de R$ 484,66 milhões, com a geração de 1.560 empregos diretos.

O projeto tem início previsto para setembro deste ano e conclusão em 2013, quando deverá atingir capacidade instalada de moagem de 2,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produção de 206,8 mil metros cúbicos de álcool. O início da moagem está previsto para 2011.

O projeto prevê a co-geração de 45 MW de energia, quando atingida a capacidade instalada de produção. A Agroerg projeta faturamento de R$ 53 milhões no primeiro ano de atividades da usina, saltando para R$ 118,2 milhões no segundo ano, e R$ 305,7 milhões a partir do terceiro ano.

A Agroerg foi constituída em 2007 por um grupo de investidores que conta com a participação de fundos estrangeiros e do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

Eficiência e preservação

De acordo com o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gilman Viana, os dois novos empreendimentos instalados em Minas utilizam tecnologia moderna e são ecologicamente corretos. Ele afirmou também que a produção de cana de açúcar deve ser vista como uma atividade alavancadora e não competidora da produção de alimentos.

“A produção de cana de açúcar está indo no caminho da produção eficiente e com preservação ambiental. Um outro componente que vale a pena ressaltar é que o registro ano a ano, e, sobretudo, no ano de 2007, e os indicadores para 2008, a produção de etanol em números expressivos, mas também a produção de alimentos avança em números expressivos. Nós estamos aumentando a oferta de alimentos, incluindo grãos, leite e carne. Não está havendo concorrência entre a cana-de-açúcar e a produção de alimentos.”

Parcerias

Segundo o governador, as parcerias com os vários níveis de governo e com a iniciativa privada tem sido a marca do Governo de Minas. Ele disse que o papel do Estado é o de facilitar as ações da iniciativa privada que podem gerar crescimento econômico e desenvolvimento social para os mineiros.

“É um momento importante para Minas Gerais, para o Noroeste, para o Triângulo e acho que os senhores, pela representatividade do investimento, pela sua importância, sinalizam de forma muito clara para o resto do país e par outros empreendedores que Minas Gerais é um Estado parceiro, facilitador das ações daqueles que aqui querem empreender”, afirmou Aécio Neves.

O presidente da Bioenergética Vale do Paracatu (Bevap), Márcio Gotlib, ressaltou que a empresa escolheu Minas Gerais para investir em razão da infra-estrutura e da logística que o Estado oferece.

“Pesquisamos várias regiões do país e decidimos pelo Noroeste mineiro porque ele detinha todas as condições: infra-estrutura e a logística fundamental. Conhecemos de perto o projeto do governador, junto com a Vale do Rio Doce, de revitalização da ferrovia de Pirapora que servirá para a criação de uma nova rota de escoamento da produção de grãos”, destacou.

Números do setor

O governador destacou que estão em curso em Minas Gerais, desde 2005, 41 projetos de implantação ou expansão de usinas de açúcar e álcool. Somados, esses projetos representam investimentos de cerca de R$ 9 bilhões, com a geração de 54 mil novos postos de trabalho.

“Há uma projeção que ao fim da consolidação desses projetos, nos saltaremos dos atuais 43 milhões de toneladas de açúcar processada para 82 milhões de toneladas, consolidando uma vocação do nosso Estado, mas agora feita de forma planejada, seguindo a estratégia de desenvolvimento do Estado e tendo a clareza dos empreendedores para algumas questões, em especial, no campo ambiental, que não podem mais ser menosprezadas”, afirmou Aécio Neves.

O potencial de geração elétrica de todos os projetos em Minas é de 4,6 mil MW. Descontando a energia a ser consumida pelas próprias usinas, o excedente energético será de 2,2 mil MW. A venda dessa sobra de energia será feita pela Cemig, por meio de parcerias com as empresas controladoras das usinas. A Cemig também ficará responsável pela construção de linhas de transmissão necessárias à implantação dos projetos.

Auto-suficiência

Minas Gerais tornou-se, nos últimos seis anos, auto-suficiente na produção de álcool e, de comprador do combustível, o Estado passou a vender o produto para outros estados. O número de usinas produtoras que em 2002/03 era de 20, saltou para as atuais 37 unidades em operação.

O governador afirmou que a produção de cana-de-açucar em Minas Gerais cresceu 17,8% nos últimos três anos, a produção de açúcar cresceu 14,3% e de álcool de 22,5%, enquanto as taxas brasileiras foram de 8, 6 e 11% respectivamente.

“Para a safra de 2010 há uma estimativa de que nós podemos estar processando 60 milhões de toneladas de cana-de-açucar, com 45 usinas já em produção. Para a safra atual, a previsão da colheita é de 43 milhões de toneladas, quase três vezes mais que o montante produzido em 2002/03, quando a colheita foi de 15,5 milhões de toneladas”, disse o governador.

A produção de açúcar saltará para 2,6 milhões de toneladas, crescimento de 138%, na comparação com 2002/03, quando a produção mineira foi de 1,1 milhão de tonelada. A projeção de produção de álcool em Minas, nesta safra 2008/09, é de 2 bilhões de litros, aumento de 214% em relação aos 635,8 milhões de litros produzidos em 2002/03. Os dados são do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig/Sindaçúcar-MG). A cultura da cana-de-açúcar está disseminada em várias regiões do Estado – Triângulo, Sul, Noroeste, Zona da Mata, Vale do Mucuri, Central e Oeste -, empregando direta e indiretamente 150 mil pessoas.