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Rap, teatro e troféus alegram CEIP São Benedito em BH

Quinta-feira | 15/10/2009 | 19:05·Atualizado em 01/07/2013 | 10:24
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BELO HORIZONTE (15/10/09) - O Centro de Internação Provisória (CEIP) São Benedito tornou-se palco de uma grande festa em comemoração à Semana da Criança e do Adolescente, na tarde desta quinta-feira (15), com a participação dos familiares dos adolescentes acautelados. O evento teve apresentações musicais, teatrais, exposição de desenhos livres, xilogravuras e entrega de troféus aos vencedores de uma olimpíada interna.

A diretora de atendimento da unidade, Renata Craviee, conta que a intenção foi proporcionar um momento de descontração aos jovens e, ao mesmo tempo, mostrar aos familiares o trabalho socioeducativo que vem sendo desenvolvido no local. A festa teve ainda direito a brinquedos como totó e cama elástica e também distribuição de pipoca e algodão doce, cachorro quente e refrigerantes.

O adolescente André (nome fictício), de 17 anos, estava visivelmente feliz com a presença da mãe, Claudilene Lúcia, e da irmãzinha, Gisele, de 7 anos. “Nada melhor do que rever minha família. Somos muito unidos”, disse ele. Pela primeira vez na unidade, a mãe declarou ter se surpreendido com a organização do lugar, a cordialidade dos funcionários e, principalmente, com as oficinas de arte, educação e esporte oferecidas ali. “Isso me tranquiliza. Imaginava os meninos ociosos, trancados num alojamento sem ter o que fazer, 24 horas por dia”. Durante o evento. André apresentou um rap que compôs em parceria com os companheiros. “A letra fala sobre a nossa sede de paz e do cansaço com a violência”, explicou ele.

Outro que também curtiu a festa jogando totó e pulando na cama elástica foi José (nome fictício), de 15 anos. Ele sonha em voltar a estudar e, um dia, construir uma família. “Entrei para o mundo do crime muito cedo. Não posso dizer que foi por influência dos amigos. Foi por causa da adrenalina mesmo. Mas já entendi que não vale à pena”, conta. Um de seus melhores amigos no Centro é também uma espécie de ídolo. É Ricardo (nome fictício), de 17 anos, que o abraça e, em seguida, ergue com as duas mãos o troféu que ganhou por ser o capitão do time de futebol vencedor na olimpíada interna. “O esporte pode ser definido como um bom conselheiro. É só nos dedicarmos, que colhemos bons resultados. A vida também é assim”, ensina.

Várias opções

A diretora da unidade, Renata Craviee, relata que ouvir depoimentos como o de Ricardo, em que os próprios jovens se responsabilizam pelo erros cometidos e se comprometem a mudar de atitude, é o mais gratificante para quem está na coordenação. Atualmente, os 62 jovens do CEIP São Benedito participam de oficinas de quadrinhos com a equipe da Escola Guignard, duas vezes por semana; de oficina de produção de texto e xilogravura com a Organização Não-Governamental Memória Gráfica; e de oficina de canto com um voluntário do Museu de Artes e Ofícios, também uma vez por semana.

As oficinas de futebol e vôlei acontecem às segundas, quartas e sextas, coordenadas pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), De Peito Aberto que, recentemente, assinou termo de parceria com a Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase) para oferta de cursos em todos os centros socioeducativos do Estado, oferecendo como opção várias modalidades esportivas.

Para a diretora de atendimento, tais intervenções refletem diretamente na atitude e postura dos jovens, tornando-os capazes de administrar os próprios sentimentos e mais articulados e preparados na busca de soluções para os conflitos que surgem. Ela destaca que iniciativa que tem surtido bons resultados a parceria estabelecida com o Centro de Reeducação Social São Jerônimo, localizado no bairro Horto, e que abriga adolescentes do sexo feminino.

De 15 em 15 dias, um grupo de jovens internos do São Benedito visita a unidade e vice-versa. O objetivo é promover um debate entre eles, mediado por um psicólogo, abordando temas como sexualidade, drogas e o dia-a-dia do cumprimento das medidas socioeducativas. “A resposta é muito positiva porque eles ficam conhecendo os pontos de vista de um e outro, trocam ideias e compartilham experiências”. Eventualmente, os jovens do Centro também participam de sessões de cinema, precedidas de debate.