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Referências em tuberculose participam do Canal Minas Saúde

Quinta-feira | 25/03/2010 | 23:17·Atualizado em 28/06/2013 | 01:56
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BELO HORIZONTE (25/03/10) - Os profissionais de saúde de todo o Estado assistiram nesta quinta-feira (25), por meio do Canal Minas Saúde, uma aula expositiva realizada por referências nacionais de tuberculose que apresentaram as mudanças nas formas de tratamento da doença.

No final de 2009, um novo esquema terapêutico passou a ser utilizado no país. No esquema anterior, o paciente era obrigado a tomar até nove comprimidos diariamente. Com a mudança, quatro medicamentos foram colocados em um único comprimido para facilitar a vida de quem realiza o tratamento, que tem a duração de seis meses. Com esta mudança, a meta perseguida com o novo tratamento é a redução em menos de 5% da taxa de abandono dos pacientes. Com o esquema anterior, 8% das pessoas paravam de tomar a medicação.

Outro fator lembrado aos profissionais de saúde e que busca reduzir esta taxa de incidência é a expansão da cobertura da estratégia do Tratamento Diretamente Observado (TDO). Recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a estratégia consiste no acompanhamento do paciente durante os seis meses de tratamento. “Hoje, 43% dos casos novos são acompanhados; em 2002 eram apenas 3,3%. Dados mostram que 86% dos municípios prioritários, que concentram 70% dos casos de tuberculose, adotam o TDO como estratégia para aumentar o percentual de cura da doença”, afirmou o coordenador de Pneumologia Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Edílson Correa.

O coordenador Nacional do Programa de Combate à Tuberculose do Ministério da Saúde, Dráulio Barreiras, destacou que além das atitudes desenvolvidas, a informação a respeito da doença é uma das melhores formas de prevenção. “Hoje, Minas Gerais apresenta o menor risco de adoecimento da região Sudeste e é o 4º estado com menor risco de adoecimento nos país. Acredito que isso também seja pelo bom trabalho desenvolvido pelo Estado para combater a doença”, afirmou.

Ações prioritárias 

Nos últimos seis anos, Minas Gerais estabeleceu ações prioritárias e inovadoras no controle da Tuberculose. A diretora do Centro de Referência Professor Hélio Fraga da Fiocruz, Margareth Dalcomo, aprovou os trabalhos desenvolvidos em Minas e destacou que servem de exemplo para outros estados. “O Brasil melhora sua posição na lista das 22 nações que concentram 80% dos casos da doença no mundo, passando da 18ª para 19ª. São as ações desenvolvidas pelos estados e municípios que contribuíram para esta conquista”, destacou.

“Atualmente o Estado inova e executa um novo modelo de atenção a saúde por meio das redes de atenção organizadas. As ações de atenção à tuberculose estão sendo desenvolvidas em quatro microrregiões da macrorregião de BH com absoluto sucesso,” afirmou o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge de Souza Marques.

Para alcançar esses resultados, Minas Gerais já capacitou aproximadamente seis mil profissionais da Atenção Primaria. Por meio do Canal Minas Saúde foram desenvolvidas aulas relativas à linha guia da tuberculose para todas as três mil UBS, atingindo a um contingente de aproximadamente 40 mil profissionais de saúde.

Dúvidas 

A presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia, Valéria Augusto, respondeu às perguntas realizadas pelos profissionais de saúde. “A vacina BCG, aplicada ainda na infância, é uma das poucas ferramentas de prevenção da tuberculose, mas não previne por toda a vida. Ela também contribui para evitar as formas mais graves da doença”, afirmou. 

A tuberculose é uma doença causada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis) que afeta vários órgãos do corpo, mas principalmente aos pulmões. A doença é transmitida pelo ar, quando o paciente tosse ou espirra. Os principais sintomas são tosse prolongada (por mais de três semanas) com ou sem catarro, cansaço, emagrecimento, febre e suor noturnos. A tuberculose acomete mais aos homens. A incidência entre os homens (cerca de 50 por 100 mil habitantes) é o dobro das mulheres. O paciente deixa de transmitir a doença após 15 dias de tratamento, não sendo necessário o isolamento. Evitar aglomerações e manter o ambiente arejado são algumas das principais recomendações para prevenir a transmissão da doença.