Reunião busca sensibilizar gestores sobre o Inquérito de Tracoma
Com o objetivo de sensibilizar os gestores quanto ao Inquérito de Tracoma, a Coordenadoria de Oftalmologia Social da Secretaria de Estado de Saúde, em parceria com o Ministério de Saúde, realiza nos dias 11 e 12 de agosto, em BH, a Reunião do Inquérito Epidemiológico Nacional do Tracoma.
BELO HORIZONTE (09/08/05) – O tracoma - inflamação crônica ocular - continua a ser uma das doenças de maior disseminação no mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima a existência de 146 milhões de pessoas com a doença, dos quais 5,9 milhões ficaram cegos.
Com o objetivo de sensibilizar os gestores quanto ao Inquérito de Tracoma, a Coordenadoria de Oftalmologia Social (COS) da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), em parceria com o Ministério de Saúde (MS), realiza nos dias 11 e 12 de agosto, de 8 às 17 horas, a Reunião do Inquérito Epidemiológico Nacional do Tracoma, no auditório da SES, à Avenida Afonso Pena, 2.300, Funcionários.
O encontro reunirá representantes da Coordenadoria de Oftalmologia Social e Vigilância Epidemiológica da SES, da Fundação Ezequiel Dias (Funed), Secretaria de Estado de Educação (SEE), Departamento de Oftalmologia da Associação Médica de Minas Gerais, além de representantes de 13 Diretorias de Ações Descentralizadas de Saúde (Dads).
Para o coordenador estadual de Oftalmologia Social, Jules Jésus Ayoub, o encontro é de extrema importância, pois será apresentado o desenho do estudo do Inquérito de Tracoma. Durante o evento, técnicos do MS e da COS fornecerão aos presentes informações e orientações para a viabilização do inquérito.
Inquérito de Tracoma
Segundo informações do Ministério, o último Inquérito Nacional para avaliar a situação do Tracoma se deu entre 1974 e 1976. Os dados do referido inquérito, associados às informações atuais sobre a doença, permitem supor que a inexistência de notificação pela maioria das Unidades Federadas se deva provavelmente à interrupção das atividades de vigilância epidemiológica e controle.
Desde 2002, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, o Ministério da Saúde retornou essa atividade. Em uma 1ª etapa, foram realizados trabalhos de campo nos estados de São Paulo, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba. E em 2003, na 2ª etapa, nos estados do Paraná, Sergipe, Tocantins, Rio Grande do Sul, Bahia, Acre, Roraima e Espírito Santo.
Em maio de 2004, teve início a 3ª etapa do projeto, quando começaram os estudos em outros estados, inclusive em Minas Gerais. Para o desenvolvimento dos trabalhos no Estado, os profissionais solicitados pelo MS e indicados pela SES-MG já foram treinados.
“Este estudo é de grande relevância para o Estado de Minas Gerais, pois o tracoma não é uma doença de notificação compulsória, permitindo que sejam feitos registros sistemáticos dos dados mínimos dos casos detectados e tratados, de forma a proporcionar informações sobre a situação epidemiológica da doença, avaliar sua evolução e o impacto das ações de controle desenvolvidas”, afirmou Jules Ayoub.
Tracoma
Trata-se de uma afecção inflamatória crônica da conjuntiva (membrana fina e transparente que reveste o olho) e da córnea, uma ceratoconjuntivite (inflamação da córnea e da conjuntiva) crônica palpebral, em decorrência de infecções sucessivas cada vez mais agravantes, que pode levar a cicatrizes na conjuntiva palpebral. Costuma durar meses e até anos e, em casos mais graves, evoluem para seqüelas, provocando lesões corneanas importantes, podendo levar à cegueira.
O agente etiológico do tracoma é a Chlamydia trachomatis, uma bactéria de vida obrigatoriamente intracelular. Além do tracoma, esta bactéria é responsável pela conjuntivite de inclusão, pelo linfogranuloma venéreo e por outros quadros de doenças sexualmente transmissíveis.
O homem, com infecção ativa, é a principal fonte de transmissão da doença. Os indivíduos até 10 anos de idade com infecção ativa são considerados o maior reservatório de transmissão da doença em uma comunidade. Crianças com tracoma também podem portar C. trachomatis nos tratos respiratório e gastrointestinal.
A transmissão da doença ocorre de pessoa a pessoa, através do contato direto com as mãos contaminadas com secreção ocular, ou contato indireto através de objetos contaminados.
Todos os indivíduos são suscetíveis à doença, sendo que crianças reinfectam-se com maior freqüência, dependendo das condições do meio. A resposta imune celular é considerada necessária para a cura da infecção, mas provavelmente também contribui para o desenvolvimento das lesões conjuntivais cicatriciais.
Os anticorpos responsáveis pela proteção podem ser diferentes dos que causam reações deletérias. Se fosse possível estimular, especificamente, a resposta imunológica protetora, então existiria uma vacina de tracoma eficaz.