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RMBH: Desemprego cresce, mas continua o mais baixo do país

Quarta-feira | 25/03/2009 | 18:11·Atualizado em 10/06/2013 | 05:08
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BELO HORIZONTE (25/03/09) - Com uma taxa de desemprego de 9,4%, a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foi a que registrou, em fevereiro, a menor taxa dentre as seis regiões pesquisadas. A taxa média ficou em 13,9%, com Salvador apresentando a maior taxa com 19,4%, enquanto São Paulo registrou 13,5%, de acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada nesta quarta-feira (25), pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), em parceria com a Fundação João Pinheiro (FJP), Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Fundação Seade, que produzem a pesquisa na RMBH.

A taxa de desemprego na RMBH subiu pelo segundo mês consecutivo, passando de 8,8% em janeiro para 9,4% em fevereiro de 2009, o que significou um aumento de 15 mil pessoas desempregadas, elevando para 244 mil o número de desempregados. Em janeiro eram 229 mil. Os ocupados, que eram 2,369 milhões de pessoas em janeiro, passaram para 2,355 milhões em fevereiro e a População Economicamente Ativa (PEA) foi estimada em 2,599 milhões. O tempo médio de procura por trabalho foi calculado em 39 semanas, três a menos, comparando-se com o mês anterior.

De acordo com o sociólogo e pesquisador Plínio de Campos Souza, coordenador da pesquisa pela Fundação João Pinheiro, os meses de janeiro e fevereiro são, historicamente, de retração nas contratações. “Com os efeitos da crise, tivemos diminuição de 14 mil postos na ocupação em fevereiro, mas em janeiro esse índice havia chegado a 49 mil”. Ele explicou que já se teve um percentual de desemprego de 21% na RMBH, em 2003, ano também de crise. “Isso significa que, de cada 100 pessoas, 21 estavam desempregadas naquele ano e nossa economia respondeu bem. Como atualmente estamos em uma situação muito melhor, não há motivo para acreditar que o desemprego vá explodir na RMBH”, afirmou.

O subsecretário de Trabalho, Emprego e Renda da Sedese, Fernando Sette Pinheiro, explicou que apesar da diminuição de postos de trabalho, a Região Metropolitana de Belo Horizonte ainda tem saldo positivo. “A RMBH continua com um estoque de 50 mil empregos com carteira assinada. A política de emprego e renda do Governo está alcançando o objetivo desejado, embora a situação sinalize para que trabalhemos ainda mais.” Sette Pinheiro observou ainda que a crise tem fundamento econômico, mas também psicológico, o que influencia o comportamento das pessoas. “Esperamos que nos próximos meses o desemprego diminua ou, pelo menos, se estabilize para que as pessoas mantenham seus empregos”, finalizou.

De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Agostinho Patrús Filho, é importante destacar que nos últimos doze meses houve uma redução de 17,5% no desemprego na RMBH, enquanto a média nas seis regiões pesquisadas foi de 4,1%. “Ainda temos problemas gerados pela crise internacional, mas estamos em uma posição ‘confortável’, diante das outras regiões. Enquanto a RMBH reduziu sua taxa em 17,5% no ano, Recife já perdeu todo o ganho que havia acumulado em 12 meses e já ampliou o desemprego em 1,1% e São Paulo só conseguiu reduzir seu desemprego em 0,7% em um ano”, explicou.

Serviços

Comparando fevereiro com janeiro de 2009, houve redução de 16 mil postos de trabalho na indústria, de 12 mil no comércio e de seis mil na construção civil. Já os serviços apresentaram elevação de 11 mil ocupações e o agregado "outros setores" também cresceu em nove mil postos no período. Comparando fevereiro de 2009 com fevereiro de 2008, o saldo foi de 52 mil ocupações. Os serviços criaram 73 mil vagas e a construção civil oito mil. Mas a indústria perdeu 8 mil ocupações e o comércio 2 mil. O agregado “outros setores de atividade”, que inclui serviços domésticos, agricultura, pecuária e extração vegetal e outras atividades, perdeu 19 mil vagas.

Por forma de inserção, de fevereiro para janeiro, o setor privado apresentou redução de quatro mil postos entre os trabalhadores com carteira assinada e de 10 mil entre os assalariados sem carteira. No setor público o recuo foi de dois mil postos de trabalho e entre os autônomos foi de cinco mil ocupações. O emprego doméstico ampliou em 11 mil postos e as "demais formas de inserção" recuaram em quatro mil ocupações. Comparando fevereiro de 2009 ao mesmo período do ano anterior, houve geração de 50 mil empregos com carteira assinada e perda de 14 mil entre os assalariados sem registro em carteira no setor privado. No setor público foram criados 30 mil postos de trabalho e o emprego doméstico perdeu 15 mil vagas. Entre os autônomos houve pequena ampliação de 1.000 ocupações e o agregado "demais formas de inserção" apresentou estabilidade no período.

Rendimentos menores

Entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, o rendimento real médio retraiu-se em 1,7% e o seu valor passou para R$ 1.172. O rendimento dos assalariados reduziu-se em 1,6%, de R$ 1.189 para R$ 1.166, enquanto o rendimento real médio dos autônomos foi a R$ 991 (era R$ 1.031 em dezembro), o que representou perda de 3,9%. O salário real médio do setor de serviços variou negativamente em 2,5%, de R$ 1.010 para R$ 986. Na indústria, o rendimento médio subiu 2,1%, de R$ 1.154 para R$ 1.178. No comércio, houve recuo de 1%, de R$ 814 para R$ 806. A massa de rendimento real dos ocupados apresentou perda de 3,8% e a dos assalariados de 3,7%, em ambos os casos decorrente do decréscimo no nível de ocupação e no rendimento real.

Entre janeiro de 2008 e janeiro de 2009, o rendimento real médio dos ocupados elevou-se em 8,4% e passou de R$ 1.082 para R$ 1.172. O salário real médio cresceu 3,6%, de R$ 1.125 para R$ 1.166. No setor privado, o salário médio aumentou em 4,5%. Na indústria houve elevação de 6,8%, nos serviços houve relativa estabilidade (0,6%) e no comércio a perda foi de 6%. Entre os assalariados com carteira assinada o acréscimo foi de 3,2% e para os sem registro em carteira, de 10,5%. Entre os autônomos o rendimento médio elevou-se em 12,7%. A massa de rendimentos dos ocupados cresceu 10,9%, refletindo o aumento no rendimento real médio, já que o acréscimo no nível ocupacional foi bem inferior. A dos assalariados expandiu-se em 8,7%, resultado do comportamento positivo tanto do nível de emprego quanto do salário real médio.

Regiões metropolitanas

A taxa de desemprego médio nas seis regiões onde a pesquisa é realizada passou de 13,1%, em janeiro, para os atuais 13,9%. Em São Paulo foi de 13,5%, no Recife 19,1%, no Distrito Federal 16,3%, em Porto Alegre 10,4% e em Salvador 19,4%. A RMBH, com 9,4%, continua tendo a menor taxa de desemprego entre as seis regiões. Assim como no mês anterior, as regiões metropolitanas de São Paulo e de Belo Horizonte apresentaram maiores aumentos relativos da taxa de desemprego.

A eliminação de 229 mil postos de trabalho e a saída de 94 mil pessoas do mercado de trabalho resultaram no acréscimo de 136 mil pessoas ao contingente de desempregados. O total de ocupados nas seis regiões investigadas foi estimado em 17,11 milhões pessoas e a População Economicamente Ativa, em 19,86 milhões. O contingente de desempregados no conjunto das seis regiões foi estimado em 2,76 milhões de pessoas, 136 mil a mais do que no mês anterior. Segundo Mário Rodarte, economista do Dieese e coordenador da pesquisa, mesmo esperado, o crescimento foi o mais intenso para o período de toda a série, “Mesmo assim, a taxa é a mais baixa para o mês de fevereiro, desde 1998”.

Veja em imagens o quadro "ESTIMATIVA DA POPULAÇÃO EM IDADE ATIVA, ECONOMICAMENTE ATIVA,OCUPADA, DESEMPREGADA E TAXA DE DESEMPREGO TOTAL. REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE (RMBH)Fevereiro de 2008 a Fevereiro de 2009"