Roda de Conversa debate uso da gramática com especialistas de temas do cotidiano escolar
O programa, que tem uma hora de duração, vai ao ar neste sábado (20), às 11h, na Rede Minas de Televisão com o painel ‘Vamos jogar a gramática no lixo?’
Assaltaram a gramática. Assassinaram a lógica. Meteram poesia, na bagunça do dia-a-dia. Sequestraram a fonética. Violentaram a métrica. Meteram poesia onde devia e não devia. Estes versos da música ‘assaltaram a gramática’, de Lulu Santos e Waly Salomão, que se tornou conhecida principalmente a partir da interpretação dos Paralamas do Sucesso, dá o tom do Roda de Conversa que vai ao ar neste sábado, a partir das 11h, na Rede Minas de Televisão e vai discutir se ‘Vamos jogar a gramática no lixo?’.
A cada edição o programa discute com três especialistas temas do cotidiano escolar do ponto de vista pedagógico. Esta edição contará com a participação de Maria da Graça da Costa Val, professora da Faculdade de Letras da UFMG e coordenadora de projetos desenvolvidos pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita, o Ceale, da UFMG; Artur Gomes de Morais, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e ainda Zélia Versiani, vice-diretora do Ceale e coordenadora de projeto de produção literária para crianças e jovens, também na UFMG.
O programa conta ainda com a participação de professor Luiz Carlos de Assis Rocha, professor aposentado da Faculdade de Letras da UFMG. Ele foi professor da rede estadual de ensino de Minas Gerais, nos níveis fundamental e médio, por mais de 20 anos e é autor dos livros ‘Estruturas Morfológicas do Português’, em que aborda os problemas da morfologia do idioma sob o ponto de vista da gramática gerativa e de ‘Gramática nunca mais’.
Assis defende que a gramática deve ser ensinada aos alunos do ensino fundamental e médio de maneira diferenciada de como é feito atualmente. “É possível ensinar ao aluno, fazer com que ele domine o português, seja capaz de interpretar e escrever textos na norma padrão, mas sem o estudo da gramática. O aluno tem de praticar o português padrão, fazer exercícios sobre concordância nominal, concordância verbal, acentuação, ortografia, mas não há necessidade de aprender aquela nomenclatura esdrúxula, rebarbativa, que não funciona, que não tem lógica”, defende.
A opinião é compartilhada pela professora Maria da Graça Costa Val. “Quando a gente pensa em português padrão, a gente cria uma situação engessadora. Não cabe a uma criança, a um adolescente ficar decorando conceitos da gramática tradicional, inclusive muito questionada pelos lingüistas. É absolutamente inútil. O importante é garantir, sobretudo em escola pública, que os alunos possam ajustar-se a usar conforme o contexto a linguagem apropriada”, enfatiza.
“Mas de que gramática estamos falando?”, polemiza o professor da UFPE, Artur Gomes de Morais. “Já são 30 anos que a gente no Brasil vive esse movimento de renovação do ensino da língua portuguesa priorizando as competências de ler, compreender e produzir textos”, acrescenta.
Dúvidas frequentemente levantadas por estudantes foram ponto de pauta da professora Zélia Versiani durante o debate. “Os alunos falam que Português é muito difícil, mas a dificuldade estaria onde? Creio que a dificuldade está no fato dos professores ensinarem a gramática normativa, pois ela é o centro da aula de português ainda hoje, mas é dada de maneira descontextualizada", avalia.
Roda de Conversa
O Roda de Conversa é uma idealização da Magistra – Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores e da Assessoria de Comunicação Social da Secretaria de Estado de Educação, com produção da D2R Studios.