Samu Macronorte recebe visita de técnicos e gestores do estado da Bahia
O Samu Macronorte recebeu a visita de técnicos da Secretaria de Estado de Saúde da Bahia e dos prefeitos de Poções e Barra do Choça. Eles conheceram a estrutura do Samu e da rede de atenção às urgências e emergências no Norte de Minas. Iniciada em janeiro de 2009, na Macro Norte, a Rede de Urgências Norte integra 86 municípios.
MONTES CLAROS (23/02/11) - O Samu Macronorte recebeu a visita de técnicos da Secretaria de Estado de Saúde da Bahia e dos prefeitos de Poções e Barra do Choça. Eles conheceram a estrutura do Samu e da rede de atenção às urgências e emergências no Norte de Minas.
A referência técnica da Regulação da SES/BA, Ana Paula, explica que o estado ainda não se estruturou para atender às urgências e emergências. E diante das dificuldades dos municípios de maior porte em manter a oferta de serviços proporcional à demanda, criou-se a necessidade de organizar a rede de atenção nos mesmos moldes da organizada no Norte de Minas.
“Nossa proposta é reunir os municípios do sudoeste da Bahia e organizar um consórcio nos mesmos moldes do consórcio intermunicipal de saúde da Rede de Urgências Norte (Cisrun), mas estamos com dificuldade de operacionalizar legalmente o processo”. Além disso, ela falou que o Governo da Bahia vai iniciar a expansão do sistema de regulação, que, até então, só funciona em Salvador, para a região metropolitana e municípios-polo das macrorregiões. “Por isso viemos conhecer, in loco, o funcionamento da Rede de Urgências Norte, que é a primeira experiência do país neste sentido e é uma referência para todos os estados”, justifica.
A Rede
Iniciada em janeiro de 2009, na Macro Norte, a Rede de Urgências Norte integra 86 municípios do Norte de Minas, beneficiando cerca de 1,6 milhão de pessoas. Da forma como foi organizada, os municípios trabalham integrados, sob um só comando, com indicadores e linguagem única, de modo que toda a estrutura gire em torno do paciente.
O presidente do Cisrun, Warmillon Braga, diz que essa troca de experiências entre os estados é fundamental não só para padronizar os serviços oferecidos no país, mas, principalmente, para que as experiências exitosas possam servir de base para novos projetos.
“Cada região tem suas especificidades que precisam ser consideradas na hora de estruturar um projeto de saúde pública, principalmente no caso da rede de atenção às urgências, que envolve, inclusive, padrões culturais. Tradicionalmente, o Norte de Minas sempre trabalhou com pouco recurso e grande demanda, além das dificuldades estruturais da região, mas sempre soube canalizar essas dificuldades com união e parceria, destacando-se por seus projetos e ideias ousadas e inovadores”. Com a Rede de Urgência, a região deu um novo salto e se tornou modelo para o país. Braga disse estar consciente da responsabilidade em compartilhar as experiências com as outras regiões.
Dificuldades e expectativas
O prefeito de Poções, Luciano Mascarenhas, diz que o município recebeu uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com capacidade para atender toda a região e que está pronta para ser inaugurada. Porém, primeiro é preciso organizar o serviço de forma que todos os municípios sejam igualmente beneficiados. “No sudoeste da Bahia são 24 municípios e há 14 anos foi criada a Associação dos Municípios da Região Sudoeste da Bahia, a Amirs, que sempre viabilizou as ações conjuntas. Mas para o atendimento às urgências, decidimos instituir um consórcio, que já foi formalizado legalmente. Agora, estamos diante da efetivação prática. Já buscamos junto à SES/BA as orientações, mas estão com dificuldade em operacionalizar o processo para transferência de recursos. Por isso viemos buscar onde o serviço já tem tradição e experiência, que é caso do Norte de Minas. O povo baiano está contando com esse serviço”, ressalta.
O prefeito de Barra do Choça, Oberdam Rocha Dias, afirma que os atendimentos de maior complexidade na região são realizados em Vitória da Conquista, que está sobrecarregada. “Nossa expectativa é que com a experiência que vimos no Norte de Minas, tenhamos subsídios para negociar com a secretaria no sentido de credenciar o consórcio para gerenciar o serviço, assim como fez o Governo de Minas, e, também, para orientar as secretarias municipais e prestadores em relação à organização da rede”, conta.
Visita
Acompanhada dos coordenadores do Samu, Enius Versiani, Frederico Willer e Wilhma Alves de Castro, a comitiva visitou as instalações do complexo regulador macrorregional, onde conheceu o funcionamento da central de regulação do Samu e da central de regulação assistencial.
O diretor do Cisrun, Sinvaldo Alves Pereira, juntamente com a equipe técnica, apresentou aos visitantes os detalhes da viabilização e gerenciamento do consórcio público, mostrando o papel de cada um dos entes consorciados, além da participação do Estado e da União no processo.