Saúde apresenta estratégias de combate à dengue
BELO HORIZONTE (18/03/09)- Nesta quarta-feira (18), o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Felipe Caram, apresentou, durante audiência pública realizada na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, a situação da dengue em Minas e as medidas tomadas para o seu combate.
Durante a audiência, três eixos foram destacados como determinantes para um rápido e eficiente controle da doença. O primeiro eixo é o desenvolvimento de ações intersetoriais. “O combate não deve envolver apenas a saúde, mas também outros setores como a limpeza urbana, educação, regulação urbana, planejamento e defesa civil,” explicou Caram.
O segundo eixo revela o compartilhamento das estratégias entre os municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O subsecretário destacou que essa ação está em curso desde o início do ano, por meio do Plano Metropolitano de Combate à Dengue, projetado pelos municípios em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde. "A Região Metropolitana possui alta densidade demográfica e um fluxo constante de pessoas. Por isso, são necessárias ações conjuntas entre os municípios de Belo Horizonte, Betim, Contagem, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Vespasiano, Sabará, Ibirité e Nova Lima”, explicou Caram.
Assim como o subsecretário, o representante do Ministro da Saúde e integrante do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Evelim Coelho, destacou a necessidade do trabalho organizado e articulado entre os três níveis: municípios, secretarias de Estado e o Ministério da Saúde.
A necessidade de uma ação conjunta e eficiente, segundo Giovanini, destaca-se, principalmente, pelo aumento do número de casos de dengue clássica e hemorrágica, além do aumento da gravidade e da crescente notificação de casos em crianças. "Enquanto, no Brasil, em 1990, foram registrados 274 casos de dengue hemorrágica com oito óbitos, em 2008, foram registrados 4 mil casos com 229 óbitos," destacou.
O terceiro eixo para a eliminação dos focos da doença é a efetivação de uma parceria com a sociedade civil. Foi destacada a necessidade de transformar a informação que o cidadão possui em atitude, pois cerca de 80% dos criadouros do mosquito estão localizados dentro das residências. Em janeiro de 2009, em Belo Horizonte, constatou-se que 32,06% dos criadouros estavam em materiais descartáveis acumulados nas residências. Os pratos e jarros de plantas são responsáveis por 19,82% e os pneus por 7,5%.
Para reforçar as informações sobre a doença para a população, Caram destacou que foi produzido material informativo sendo: são 04 mil cartilhas sobre o Plano de Contingenciamento da Dengue 2009, 400 mil cartazes, campanha de rádio e tv, campanha de divulgação em jornais, ônibus, empresas, relógios, back bus. O total investido é de cerca de R$ 4.5 milhões.
Plano para Contingenciamento da Dengue
Na audiência, Caram destacou a implantação do Plano Estadual para Contingenciamento da Dengue, que visa criar uma retaguarda assistencial para a população. O plano aponta que para evitar o agravamento da doença duas ações são necessárias: o diagnóstico precoce e o correto manejo do paciente. "Foi detectado que muitos profissionais de saúde não sabiam como agir, por isso desenvolvemos no ano passado e estamos desenvolvendo neste ano ações para a capacitação," destacou.
Essas ações estão sendo realizadas através da distribuição de material educativo, videoconferência, aulas no Canal Minas Saúde para o treinamento de médicos e enfermeiros. No total, 930 profissionais já foram capacitados. Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) estão sendo distribuídos cartazes com recomendações clínicas. Além da capacitação, no atendimento haverá uma classificação de risco do caso menos grave, azul e verde, até os casos que requerem maior atenção, o amarelo, laranja e azul.
Estão preparados para atender os pacientes mais graves a Rede Fhemig e os Hospitais da Rede Pro-Hosp. Há previsão de ampliação da oferta de leitos, sendo disponibilizado de imediato 80. Em Belo Horizonte, o Secretário Municipal de Saúde, Marcelo Teixeira, destacou que há um trabalho para o reforço das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e também a liberação de leitos para o atendimento à população.
Dengue em Minas
Até o momento, foram notificados 13.628 casos de dengue e dois óbitos, sendo um por febre hemorrágica em Governador Valadares, e um por Dengue com complicação, em Coronel Fabriciano. Há 22 casos suspeitos de febre hemorrágica. Cinco foram confirmados, dos quais três em Governador Valadares, um em Ipatinga e um em Belo Horizonte.