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Saúde forma mutirão contra surto de nefrite

Saúde forma mutirão contra surto de nefrite

Quinta-feira | 04/12/2003 | 00:00·Atualizado em 24/06/2013 | 00:07
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“Não há qualquer motivo para que a cidade de Guaranésia seja isolada”, afirmou com veemência, nesta quinta-feira (4), a superintendente de Epidemiologia da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Valéria Rodrigues. O surto de nefrite no município atingiu, até 04/12/2003, 47 pessoas, sendo que 17 dos 18 pacientes que necessitaram de internação receberam alta. De acordo com a superintendente, todas as medidas de controle, assistência e prevenção estão sendo tomadas pela equipe que envolve profissionais das vigilâncias Epidemiológica e Sanitária da SES, do Ministério da Saúde, da Diretoria de Ações Descentralizadas de Saúde (Dads) de Alfenas, de Guaranésia, do Instituto Mineiro de Agopecuária (IMA) e do CDC de Atlanta (EUA).

Nas investigações sobre o surto de nefrite (inflamação renal), através das análises das amostras de pacientes feitas pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), foi isolada a bactéria Strepotococus Beta Hemolítico. A Funed encaminhou à Epidemiologia da SES o resultado de sete exames, revelando que quatro deram positivo para a bactério do grupo C, 2 do grupo A e 1 do grupo G. O relato de casos começou há cerca de uma semana, quando as autoridades sanitárias foram acionadas.

Durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite (Cib) realizada nesta quinta-feira foi aprovado o envio de R$ 10 mil para auxiliar Guaranésia nas ações de controle do surto. O município, que tem cerca de 19 mil habitantes, já recebe, mensalmente, R$ 4 mil especificamente para ações de vigilância epidemiológica.

Cuidado

No Brasil, não é feito o exame de sorotipagem (que verifica o tipo ao qual pertence determinado grupo da bactéria encontrada nos exames). Por isso, amostras que resultaram positivas para a bactéria serão enviadas ao Canadá para sorotipagem. “Conhecer o tipo é importante do ponto de vista técnico-científico, mas não interfere no trabalho de controle do surto”, explicou Valéria Rodrigues. Ela tranqüiliza a população de Guaranésia, lembrando, apenas, dos cuidados que todas as pessoas devem tomar, moradores ou visitantes da cidade: não ingerir produtos de procedência incerta e definitivamente não fazer automedicação, sendo que qualquer dúvida deve ser esclarecida pelos serviços médicos. Os produtos “in natura” derivados do leite que não passaram por inspeções sanitárias estão interditados. Valéria Rodrigues recomenda a fervura do leite por pelo menos 20 minutos ou consumir o produto já pasteurizado.

Raro

Esse tipo de surto de nefrite é considerado raríssimo. No mundo, foram registrados cinco episódios, sendo dois no Brasil, que ocorreram em Minas Gerais: em Nova Serrana, em 1998, com 253 casos e 3 óbitos; e em Guaranésia, este ano. Conforme explicou a superintendente de Epidemiologia da SES, a bactéria do grupo A é encontrada normalmente no ser humano, sendo responsável por amigdalites principalmente em crianças. Já a do grupo C é causa de mastite (inflamação das mamas) em bovinos e eqüinos. A do grupo G possui poucos estudos científicos.

Os sintomas da doença são urina reduzida e escura (por expelir sangue) e inchaço devido à retenção de líquido, que também causa alta da pressão arterial. A nefrite, que aparece cerca de 15 dias após a contaminação da pessoa pela bactéria, é provocada pelo acúmulo de anticorpos nos rins, o que acontece porque o organismo busca se defender da bactéria. “Trata-se de uma inflamação nos rins posterior à infecção na garganta; é uma reação inflamatória”, esclareceu Valéria Rodrigues.

Segundo afirmou, a transmissão só pode acontecer durante a fase da faringite e, por isso, além do tratamento do paciente também é feita a quimioprofilaxia (tratamento com antibióticos) nos contatos familiares. A nefrite não é transmissível e, na maioria dos casos, tem evolução benigna.