Saúde quer inibir avanço da malária com diagnóstico precoce
Saúde quer inibir avanço da malária com diagnóstico precoce
A Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da equipe da Superintendência de Epidemiologia, em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Secretaria Municipal de Saúde de Rio Manso, tomou todas as providências necessárias para conter o surto de malária que atinge a comunidade Souza, distrito de Rio Manso. Até ontem (05) tinham sido confirmados 12 casos da doença e o número de suspeitos saltou de um (na última sexta-feira) para 22 casos.
Segundo a superintendente de Epidemiologia, Valéria Rodrigues, está sendo feita a busca ativa de casos suspeitos – pessoas com um ou mais sintomas da doença – em toda a localidade, por meio de visitas domiciliares. A intenção é detectar precocemente, diagnosticar e tratar as pessoas infectadas. Além disso, a SES já mobilizou os profissionais de saúde deste e de outros municípios da região.
Para reduzir os níveis de transmissão na área afetada, os técnicos estão fazendo a borrifação nas paredes dos domicílios com inseticidas de ação residual e a nebulização espacial com inseticidas no peridomicílio (área próxima às casas). O objetivo é combater o vetor adulto que, após pesquisa entomológica, foi constatado ser o mosquito da espécie Anopheles darlingi.
“Evitar o contato do mosquito com a pele do homem é uma medida de proteção individual que deve ser observada em momentos de surto”, informa Valéria Rodrigues. Como o mosquito tem hábitos crepusculares (entardecer e amanhecer) de alimentação, recomenda-se evitar a aproximação às áreas de risco nesses períodos. Usar repelentes nas áreas expostas do corpo, colocar telas em portas e janelas e dormir com mosquiteiros também são medidas que têm este objetivo. Medicamentos ou alimentos que promovem suor com odor forte, tais como a tiamina e o alho têm também sido usados para repelir o mosquito.
A doença
A malária humana é uma doença parasitária que tem como agentes protozoários do gênero Plasmodium. É transmitida ao homem pela picada de um mosquito do gênero Anopheles. Em Rio Manso, a espécie encontrada é o Anopheles darlingi. O período de incubação da malária varia de acordo com a espécie de plasmódio, sendo de 13 a 17 dias para P. vivax, que está sendo transmitida na região.
Na América Latina, o maior número de casos é verificado na Amazônia Brasileira, com registro de cerca de 500 mil casos/ano. Em 1999, 632.813 casos da doença foram registrados no Brasil, dos quais 99,7% na Amazônia Legal (divisão política do território nacional que engloba nove Estados: Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão).
Em 2001 foram registrados 169 casos importados (transmissão ocorreu fora do Estado) de malária em Minas Gerais. Já em 2002, foram 170 casos importados e 1 autóctone (pessoa se infectou em Minas) da doença.
Sintomas
Mal-estar, cefaléia (dor de cabeça), cansaço e mialgia (dor no corpo), geralmente precedem a clássica febre da malária. O ataque inicia-se com calafrio que dura de 15 minutos a uma hora, sendo seguido por uma fase febril, com temperatura corpórea podendo atingir 41°C ou mais. Após um período de duas a seis horas, ocorre diminuição da febre, o paciente transpira muito e sente fraqueza intensa. Após a fase inicial, a febre geralmente reaparece de 48 em 48 horas na P. vivax (malária terçã).
As manifestações clínicas mais freqüentes na fase aguda são comuns a todas as espécies de malária. Em geral, os acessos são acompanhados de intensa debilidade física, náuseas e vômitos. No exame físico, o paciente apresenta-se pálido e com o baço inchado. No Brasil, a febre é relatada pela grande maioria dos pacientes. A anemia, apesar de freqüente, apresenta-se em graus variáveis. Estima-se que cerca de 20% dos pacientes com malária tenham anemia na fase aguda da doença.
Diagnóstico
O fundamental no diagnóstico clínico da malária, tanto nas áreas endêmicas (onde a doença tem alta incidência) como nas não endêmicas, é sempre pensar na possibilidade da doença. Como a distribuição geográfica da malária não é homogênea nem mesmo nos países onde a transmissão é elevada, torna-se importante, durante a elaboração do exame clínico, resgatar informações sobre a área de residência ou relato de viagens para regiões de maior transmissão. Além disso, informações sobre transfusão de sangue ou uso de agulhas contaminadas podem sugerir a possibilidade de malária induzida (transmitida pelo sangue).
Mesmo após o avanço de técnicas para o diagnóstico laboratorial da malária ocorrido nas últimas décadas, o exame da gota espessa de sangue continua sendo um método simples, eficaz, de baixo custo e realizável em qualquer lugar. Os exames realizados nos pacientes da comunidade Souza devem ficar prontos em dois dias.
Tratamento
O tratamento adequado e oportuno tanto previne a ocorrência de casos graves e, conseqüentemente, a morte por malária. Além disso, elimina fontes de infecção para os mosquitos (pessoas contaminadas), contribuindo para a redução da transmissão da doença.
Para a malária vivax, o tratamento é feito com cloroquina em três dias e primaquina em sete dias, que devem ser ingeridas preferencialmente às refeições. Os medicamentos não devem ser administrados em gestantes nem crianças até seis meses de idade. O tratamento, nesses casos, é feito com outras drogas.