Secretaria confirma primeiro caso importado de febre amarela
A Secretaria de Saúde de Minas Gerais confirmou nesta quinta-feira (24), que L.G.C., de 24 anos, falecido na última segunda-feira (21), em Uberlândia, estava com febre amarela. No entanto, apesar de ser natural de Araguari, município do Triângulo mineiro, o jovem não foi contaminado em Minas.
BELO HORIZONTE (24/01/08) - A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) confirmou nesta quinta-feira (24), em entrevista coletiva realizada no auditório da SES/MG, que L.G.C., de 24 anos, falecido na última segunda-feira (21), em Uberlândia, estava com febre amarela. No entanto, apesar de ser natural de Araguari, município do Triângulo Mineiro, o jovem não foi contaminado em Minas. Os primeiros sintomas da doença apareceram no dia 12 de janeiro, quando L.G.C. estava na zona rural de Goiás.
A sorologia que confirmou a causa da doença foi realizada pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, que recebeu o material do paciente na terça (22) e concluiu os exames às 11h desta quinta-feira. Durante a coletiva, o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luís Felipe Caram, explicou que o rapaz esteve a trabalho na área rural de Goiás e retornou a Minas Gerais apenas no dia 17, quando já havia relatado os sinais da doença. Além disso, Caram destacou serem remotas as chances de ele ter transmitido a febre amarela na área urbana e que há, atualmente, no país, apenas casos de febre amarela silvestre.
"Independente da confirmação do caso, o Estado já tomou as medidas de controle, como do mosquito Aedes aegypti nos locais onde o paciente esteve na zona urbana, ou seja, na área da residência e na área do hospital de Araguari, onde ele recebeu o primeiro atendimento antes de ser transferido ao Hospital das Clínicas de Uberlândia. Mesmo assim, quando ele chegou a Araguari, já não estava em período de transmissão", relatou.
Uma vez infectada, a pessoa pode, ao retornar à área urbana, servir como fonte de infecção para o Aedes, que pode, então, iniciar a transmissão da febre amarela em área urbana. No entanto, este período em que ela é fonte de infecção para o mosquito Aedes vai desde um a dois dias antes de surgirem os sintomas até o quarto ou quinto dia da infecção. "Portanto, esta medida de combate ao Aedes é mesmo por excesso de zelo da equipe da Secretaria", complementou o gerente de Vigilância Ambiental, Francisco Lemos.
Neste caso de óbito suspeito por febre amarela, a notificação se deu na segunda-feira (21), pela manhã. Já na tarde do mesmo dia, a equipe de Vigilância Epidemiológica estava em campo investigando-o. Além disso, a coordenação municipal do programa da dengue de Araguari foi orientada a intensificar o combate ao vetor (mosquito) nas duas áreas do município. "Na terça feira, a SES/MG também deslocou o veículo com UBV para o município, lembrando, mais uma vez, que o uso do UBV, neste caso em especial, é excesso de zelo", disse Lemos.
Caso importado
O óbito de L.G.C. não pode ser considerado como a primeira morte por febre amarela com origem em Minas, mas sim, importado. Os últimos registros de febre amarela confirmados e ocorridos em Minas Gerais ocorreram em 2003, no Vale do Jequitinhonha. As últimas epizootias (mortandade de macacos) no estado mineiro foram registradas, pela última vez, nos anos de 2002 e 2003. Durante a coletiva, a SES/MG esclareceu que, este ano, em nenhuma das notificações de macacos mortos registrados em Minas Gerais foi confirmada a contaminação por febre amarela.
Muitos dos animais foram encontrados em estado de decomposição avançado, o que impossibilitou a coleta do sangue para análise. Além disso, foi esclarecido que o óbito de um primata não humano, notificado nesta quinta-feira (24), em Belo Horizonte, no bairro da Gameleira, não tem a mesma conotação que um encontrado na zona rural e/ou em áreas endêmicas de risco. Em Minas, apenas uma pequena faixa é classificada sob esta categoria. "90% do estado é considerado como área de transição da doença", explicou Francisco Lemos.
Durante a coletiva, foi esclarecido, também, que as medidas tomadas já são tecnicamente suficientes para evitar a transmissão na região de Araguari. Somente se houvesse a suspeita de que o paciente tenha sido infectado em Minas Gerais é que seria indicada a vacinação seletiva (isto é, daqueles não imunizados) na região do caso e no seu entorno. Esta situação ainda não é, no entanto, vivenciada em Minas Gerais - neste ano, especificamente.
Sobre a cobertura vacinal em Minas Gerais, a coordenadora de Imunização, Tânia Brant, relatou que a taxa, no Estado, é de 103%. "Isso indica que o Estado está coberto. Sabemos que existem resíduos vacinais, isto é, coberturas menores em algumas idades. Mas lembramos que a vacina contra a febre amarela está disponível, o ano todo, nos postos de saúde, para toda a população com idade acima de 9 meses ", ressaltou a coordenadora.
Ações
A SES vem intensificando, desde o registro das primeiras epizootias, orientações aos representantes de saúde da região Noroeste, promovido desde o primeiro momento pela equipe de Epidemiologia da SES. São ações, ainda, da Secretaria o envio de equipes da Vigilância Ambiental para investigar a presença do mosquito transmissor da febre amarela silvestre, bem como de macacos doentes ou mortos, na região de Unaí. Uma campanha de mídia foi, ainda, veiculada, na semana passada, sobre a importância de verificar a atualização da vacina.
No dia 17 de janeiro foi realizada em Patos de Minas, promovida na macrorregião Noroeste, uma capacitação para profissionais de saúde que fazem o atendimento da população, para diagnosticar o mais rápido possível um paciente com suspeita de febre amarela. A sensibilização dos profissionais médicos no correto diagnóstico dos casos suspeitos é de suma importância, pois a rapidez é importante para que as medidas sejam tomadas a tempo. Nesta sexta-feira, (25), o curso será oferecido em Unaí.