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Secretaria de Agricultura quer ações para evitar queda no preço do leite

Secretaria de Agricultura desenvolve estudo para propor mudanças em toda a cadeia produtiva da pecuária leiteira. Uma das principais preocupações é com a atual situação do comércio do leite. Para o secretário Silas Brasileiro, a queda do dólar pode mais uma vez prejudicar os pecuaristas.

Quarta-feira | 10/08/2005 | 16:09·Atualizado em 03/06/2013 | 13:29
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BELO HORIZONTE (10/08/05) – A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais está fazendo estudo para propor mudanças em toda a cadeia produtiva da pecuária leiteira. Uma das principais preocupações do secretário Silas Brasileiro é com a atual situação do comércio do leite. Segundo ele, a queda do dólar pode mais uma vez prejudicar os pecuaristas. O primeiro sinal de alerta já surgiu: a importação de leite em pó e soro de leite disparou nos últimos meses.

De acordo com as informações obtidas pelo secretário, a importação de soro de leite no primeiro semestre deste ano chegou a US$ 10,5 milhões. O valor é quase o dobro das negociações do primeiro semestre de 2004, que foram de US$ 5,8 milhões. No caso do leite em pó, a situação não é diferente. Nos primeiros seis meses de 2005, a importação foi de US$ 2,7 milhões. Já no mesmo período do ano passado, as compras foram de US$ 1,2 milhão.

“É absurdo importar leite quando estamos produzindo o suficiente para o abastecimento do mercado. Isso vai atingir diretamente os nossos pecuaristas, que já estão recebendo menos pelo leite produzido nas propriedades”, afirma o secretário. O soro é usado na composição de muitos produtos lácteos, mas, segundo Silas Brasileiro, é preciso saber se ele está sendo utilizado dentro dos padrões permitidos. “Muitos produtos podem estar sendo fraudados, prejudicando até o consumidor. Quem vai ao supermercado não sabe se está comprando leite ou soro reidratado”, alerta.

O secretário formou um grupo de trabalho para elaborar propostas de regulamentação do setor que serão apresentadas ao governador Aécio Neves. “O governador quer acompanhar de perto esse assunto, pois reconhece o alcance social do leite que é responsável pela renda de muitos pequenos produtores e pela fixação do homem no campo. Ele tem acompanhado com interesse a questão, para que haja uma solução que seja satisfatória para o segmento”, informa o secretário. O grupo de trabalho é formado por representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), da Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg), do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (Silemg) e da Secretaria de Agricultura, incluindo a Emater-MG. Silas Brasileiro também vai apresentar o estudo para o governo federal e buscar a colaboração de outros estados produtores de leite. “A crise é um desafio para trilhar novos caminhos”, afirma.

Porteira adentro

De acordo com o secretário Silas Brasileiro, apesar dos esforços políticos, também é preciso mudar os padrões dentro das propriedades. “Não adianta produzir muito leite. É preciso ter rentabilidade”. Para ajudar a construir um programa de produção de leite a baixo custo, a Secretaria de Agricultura vai contar com a colaboração do professor da Universidade Federal de Uberlândia, Edmundo Benedetti. O professor tem doutorado em Nutrição de Ruminantes e Pastagem e já desenvolveu um trabalho de produção leiteira a baixo custo na Bahia.

“O objetivo do programa é ensinar, continuamente, o produtor de leite a conduzir sua propriedade para alcançar produtividade e sustentabilidade. É preciso ter uma visão empresarial”, esclarece o professor. De acordo com Edmundo Benedetti, o produtor precisa ser orientado para ter condições de buscar informações sobre mercado, tecnologia e crédito. O trabalho nas propriedades de Minas vai ser feito numa parceria com os técnicos da Emater-MG, que em breve vai abrir mais 80 escritórios (totalizando quase 800 escritórios em Minas) e promover a capacitação de todos os técnicos de campo.

“Nossos técnicos serão orientados para atuar como agentes de informação. Tudo para tornar o produtor mais eficiente e aumentar a renda”, explica o secretário Silas Brasileiro. Segundo Benedetti, existe uma cultura de busca da produção máxima, porém os pecuaristas não sabem se gastam muito ou pouco dentro da propriedade. Também vão participar do programa as cooperativas, os sindicatos, as prefeituras e as associações.

O trabalho desenvolvido pelo professor Benedetti é voltado para a produção de leite a pasto, incluindo manejo de pastagem, reserva de alimentos para o período da seca (silagem), higiene do rebanho, manejo de esterco, preservação de manancias e escolha de forrageiras. “A família rural receberá constantemente a visita de um profissional que vai apresentar soluções simples para que o trabalho seja mais eficiente”, diz o professor. Os pecuaristas também vão receber apostilas e preencher relatórios semanais sobre as atividades. “A primeira fase do trabalho é para dar estabilidade de produção com qualidade do produto”.

Outra etapa do programa prevê o trabalho em conjunto. “Os pecuaristas são convidados a participar de dinâmicas de grupo, assistem palestras e aumentam seus conhecimentos gerencias, sobre o agronegócio e cooperativismo”, explica Benedetti. Numa terceira etapa, os produtores assumem o papel de empresários, elaboram projetos e planilhas de custo. É nesse momento que eles têm maior poder de barganha e condições de buscar financiamentos. “Essa é a tônica do projeto: baixo investimento com maior lucratividade, juntamente com a educação cooperativista”, diz o professor.