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Secretaria defende criação de empresa para comercializar cachaça

Secretaria de Agricultura propõe a criação de uma empresa especializada na comercialização da cachaça de alambique para atender ao mercado interno e à exportação do produto mineiro. O plano foi apresentado aos participantes do Seminário de Negociações Estratégicas (I Agrinvest), realizado em Montes Claros.

Terça-feira | 23/08/2005 | 17:04·Atualizado em 27/05/2013 | 11:35
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MONTES CLAROS (23/08/05) – O diretor de Comercialização da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Eduardo Ferreira, propõe a criação de uma empresa especializada na comercialização da cachaça de alambique para atender ao mercado interno e à exportação do produto mineiro. O plano foi apresentado aos participantes do Seminário de Negociações Estratégicas (I Agrinvest), realizado em Montes Claros, no Norte do Estado.

De acordo com Ferreira, secretário-executivo do Conselho Diretor do Pro-Cachaça e coordenador do Comitê Gestor da Cachaça, a proposta foi bem aceita porque o setor da cachaça de alambique em Minas enfrenta muitos problemas e não tem estrutura para assumir com eficiência a comercialização. Ele cita, entre outros, a capacidade ociosa dos alambiques e os estoques elevados do produto, principalmente por causa do peso dos impostos federais. Além disso, o consumo é afetado pela baixa renda familiar.

“A exportação seria uma saída e deve ser um dos objetivos dos produtores de cachaça, mas por enquanto a estrutura da produção não possibilita essa alternativa”, assinala. Ferreira explica que, além da boa rentabilidade, as exportações possibilitam o benefício da exoneração fiscal, mas as empresas em sua maioria são pequenas e não podem oferecer garantias para a formalização de parcerias de longo prazo com os compradores internacionais.

Por isso, ele diz que seguiu uma recomendação do secretário de Agricultura, Silas Brasileiro, ao apresentar no Agrinvest a proposta de formalização de uma empresa que assumiria a parte de comercialização, sustentada por uma boa estratégia de marketing. “A proposta interessa a todos os segmentos presentes no seminário, porque possibilita a ampliação do mercado da cachaça, oferece suporte às ações do governo para reduzir a informalidade do setor, e pode atrair investidores, pois se trata de um negócio destinado a dar alto retorno”.

O novo projeto será apresentado, por intermédio do Pro-Cachaça, às associações dos produtores, a fim de avaliarem a possibilidade de se desenvolver um modelo intermediário sustentável para a comercialização da cachaça de alambique. A empresa poderá ser implantada por meio de suas cooperativas, em parceria com empreendedores privados ou fundos de investimento.

No Agrinvest, o secretário-executivo do Conselho Diretor do Pro-Cachaça fez palestra para os representantes dos grupos que podem se interessar pela criação da empresa. Ferreira destacou a atuação do Governo do Estado, por intermédio da Secretaria, para dar suporte ao desenvolvimento da cachaça de alambique em Minas. O Pro-Cachaça, presidido pelo secretário Silas Brasileiro, estimula a produção da bebida, a entrada de novos tipos no mercado e procura reduzir a informalidade do setor. A cadeia da cachaça gera 460 mil empregos em Minas e, com seus 8.500 produtores, detém 86% do mercado de destilados do Brasil. Além disso, segundo levantamento do programa, os alambiques do Estado respondem pela produção anual de 230 milhões de litros ou 50% do volume de bebida desse tipo produzida no Brasil.