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Notícia

Secretaria promove o IV Congresso Estadual de Alfabetização

O IV Congresso Estadual de Alfabetização termina nesta quinta-feira, no Minascentro, em Belo Horizonte. O encontro reúne cerca de 2,5 mil educadores, que estão discutindo a meta do Governo de Minas, para 2011, que é dar condições de leitura e escrita para toda criança com até 8 anos.

Terça-feira | 10/06/2008 | 13:10·Atualizado em 11/06/2013 | 16:55
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BELO HORIZONTE (10/06/08) - Ao atingir a meta de que até 2011 toda criança em Minas deve ser capaz de ler e escrever até os oito anos, 90% das dificuldades relacionadas à educação escolar terão sido resolvidas, afirmou a secretária de Estado de Educação, Vanessa Guimarães Pinto, durante a abertura do IV Congresso Estadual de Alfabetização, nesta terça-feira (10), no Minascentro. De acordo com os dados do Proalfa 2007, 66% das crianças da rede estadual lêem e escrevem com autonomia aos oito anos de idade.

O evento reúne, até o dia 12 de junho, cerca de 2,5 mil educadores e tem como tema central “Até 2011, todas as crianças em Minas capazes de ler e escrever até os 8 anos”. Participam professores alfabetizadores das escolas das redes estadual e municipais e representantes das prefeituras das superintendências regionais de ensino de todo o Estado.

O 4º Congresso Estadual de Alfabetização tem como objetivo dar continuidade aos estudos sobre a alfabetização e à reflexão sobre os resultados das práticas escolares desenvolvidas nas escolas públicas de Minas Gerais.

Em Minas, o foco na alfabetização foi definido como a principal estratégia. “Tudo o que está acontecendo no Estado serve de exemplo nacional”, disse a presidente estadual e vice-presidente nacional da União de Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Suely Duque Rodarte. “O salto que estamos dando é importantíssimo. Em Minas, não temos duas redes públicas, a municipal e a estadual, mas uma linha só a seguir na educação”, disse.

Além do ensino fundamental de nove anos, a Secretaria de Estado de Educação tem investido na capacitação de professores, construção e reforma de escolas, universalização do ensino médio, na implantação de programas profissionalizantes e em diversos programas de apoio. As metas, segundo a secretária Vanessa, já foram definidas em todas as dimensões, e merece destaque o Plano de Intervenção Pedagógica (PIP).

O PIP estabelece, apóia e acompanha ações para melhorar o desempenho dos alunos e propor soluções para os problemas detectados visando garantir o aprendizado dos estudantes. Cerca de dois mil analistas visitam todas as escolas da rede pública e produzem relatórios mensais com dados para que a coordenação do programa acompanhe a trajetória de cada escola. Esta é uma das contribuições para que a escola não se sinta só no desafio da alfabetização.

“O PIP diminui a distância entre a Secretaria, as superintendências regionais de ensino e as escolas, e assim ficamos mais próximos dos professores para superarmos as dificuldades, todos juntos. E durante o congresso trocamos experiências e comemoramos os bons resultados”, disse.

Para a secretária, os diretores escolares fazem uma enorme diferença e lideram o movimento de reconstrução da escola. “O sucesso de toda Minas Gerais depende da escola pública. E na imensidão do Estado temos que pensar em cada região, cada município e cada escola”, afirmou. Em Minas, 270 mil pessoas trabalham na educação na rede pública. “É o exército da educação”, definiu. A secretária falou sobre a importante vitória para os professores no Estado, quando foi aprovado o plano de carreira da educação. “Antes os professores dos anos iniciais recebiam salário inferior aos demais, mas desde 2004 o salário é baseado na titulação, o que permite concentrar professores com melhor formação no ciclo de alfabetização”.

Minas tem o ensino fundamental de nove anos em toda a rede pública desde 2004, estabelecendo como meta prioritária que todas as crianças sejam capazes de ler e escrever até, no máximo, os oito anos de idade. “O grande segredo da mudança em Minas é mais tempo para aprendizagem já que todas as crianças ingressam no primeiro ano aos seis anos. Essa é a nossa realidade”, disse Vanessa Guimarães.

Com o ensino fundamental de nove anos em todas as escolas da rede pública, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Educação, tem investido pesadamente na capacitação de professores, orientadores e supervisores.

As avaliações mostram que o esforço vem dando resultado. Com o ensino focado no aprendizado, a maioria das crianças lê e escreve ao final do 1º ano, aos seis anos de idade, outra parcela consegue dominar a leitura e a escrita aos sete anos no decorrer do 2º ano, e apenas uma minoria precisa de mais tempo para aprender, até os oito anos e, por isso, a política pública estipulou essa idade limite.

Segundo a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Raquel Elizabete dos Santos, a preocupação não é só subir as metas dos alunos nas avaliações, mas que os alunos aprendam. “Os professores e profissionais das escolas passaram a entender a importância da avaliação, que ela não é feita para punir. O que nós queremos é que os meninos aprendam. Segundo Raquel dos Santos, antes havia uma barreira entre o professor e o aluno. “Agora as avaliações estão quebrando estas barreiras”, disse. Os resultados das avaliações estão sendo discutidos como âncora do processo de planejamento focado no desempenho dos alunos.

Temas

Toda criança pode ser alfabetizada no tempo certo: uma questão de competências. Este é um dos temas que estão sendo tratados no evento, que também fala sobre os boletins pedagógicos e a matriz de referência e as diretrizes gerais do Proalfa e do Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb).

O congresso conta com palestras sobre a formação continuada e a certificação do professor alfabetizador, os resultados da avaliação externa do Proeb: análise qualitativa e as metas a serem atingidas até 2010 no Proalfa e no Proeb, e sobre o tema ‘trabalhando os resultados da avaliação: toda escola pode fazer a diferença’. Serão realizados debates e mesas-redondas que irão discutir, até a próxima quinta-feira (12), o letramento e sua articulação com Matemática, Ciências, Geografia e História nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Programação

IV Congresso Estadual de Alfabetizaçã

Dia 11/06

9h às 10h30 – Palestra: Leitura: Uma aprendizagem de Prazer

Bartolomeu Campos de Queirós

10h30 às 12h – Palestra: A formação Continuada e a Certificação do Professor Alfabetizador

João Antônio Filocre Saraiva – Secretário Adjunto de Educação de Minas Gerais

14h às 15h30 – Os Resultados de Avaliação externa do Proeb: Análise Qualitativa

Sônia Andère Cruz – Subsecretária de Informações e Tecnologias Educacionais – SEE/MG

18h – Encerramento do 2º Dia

Dia 12/06

9h às 12h – Palestra: Toda Criança Pode Ser Alfabetizada no Tempo Certo

Elvira Souza Lima

14h às 16h – Mesa-Redonda: Tema: Alfabetização/Letramento e sua Articulação com a Matemática, Ciências, Geografia e História nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Coordenadora da mesa:

Ana Lúcia Amaral – Planejando o Cotidiano da Escola

Debatedores:

Delaine Cafieiro – Língua Portuguesa

Vanda Maria de Castro Alves – Matemática

Nyelda Rocha de Oliveira – Ciências

Cláudia Sapag Ricci – Geografia e História

16h – Adesão de Minas Compromisso de Minas – Todos pela Educação

Encerramento do IV Congresso Estadual de Alfabetização

Vanessa Guimarães Pinto – Secretária de Estado de Educação

Palestrantes e debatedores

Elvira Souza Limaé pesquisadora pela Universidade da Califórnia (EUA) em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia e antropologia e música. Trabalha com pesquisa aplicada às áreas de educação, mídia e cultura. Tem várias publicações, entre elas A criança pequena e suas linguagens, Quando a criança não aprende a ler e a escrever, Práticas culturais e aprendizagem, Brincar para quê? e Conhecendo o adolescente.

Bartolomeu Campos de Queiróz possui formação nas áreas de educação e arte, cursou o Instituto Pedagógico de Paris. Desde os anos 70, tem destacada atuação como educador, em vários níveis, contribuindo com importantes projetos para a Secretaria de Estado da Educação e para o Ministério da Educação. Participa do Projeto ProLer, da Biblioteca Nacional, dando conferências e seminários sobre educação, leitura e literatura. Tem 43 livros publicados no Brasil e vários deles traduzidos e editados em outros países. É detentor dos mais importantes prêmios literários nacionais, como o Prêmio Cidade de Belo Horizonte e o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro.

Ana Lúcia Amaral possui graduação em Pedagogia e mestrado em Educação pela UFMG, mestrado em Sociology pela Stanford University e doutorado em Education - Social Sciences of Education pela Stanford University. Atualmente é Professora Adjunta da UFMG. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino-Aprendizagem. Atuando principalmente nos seguintes temas: Cultural Capital, Normal Schools, Organization theories, Market place, Charter e University access.

Delaine Cafiero Bicalhopossui graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Belo Horizonte, mestrado em Estudos Lingüísticos pela UFMG e doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais. Tem experiência na área de Lingüística.

Nyelda Rocha de Oliveira - Bacharel e Licenciada em História Natural pela UFMG. Especialista em nível pós-universitário de Professor para Suplência do MEC. Especialista em Educação Ambiental pela UnB. Professora de Ciências e Biologia. Orientadora educacional pela PUC/MG. Coordenadora de ensino nas áreas de Ciências e Biologia na rede pública e particular. Autora e co-autora de materiais didáticos pedagógicos para ensinos fundamental e médio. Co-autora da única coleção de Ciências das quatro primeiras séries do ensino fundamental recomendada com duas estrelas pelo catálogo da FAE. Ex-coordenadora do setor de extensão do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG. Ministra cursos de formação permanente para professores de Ciências e Bilologia de 1° e 2° grau.

Claudia Regina Fonseca Miguel Sapag Ricci possui graduação em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, mestre em História pela PUC de São Paulo e doutora em História Social pela USP. Atualmente é professora adjunta da UFMG e vice-coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre Ensino de História. Tem experiência na área de Formação de Professores, com ênfase em Educação e História.