Secretário defende setor florestal mais ativo no agronegócio
BELO HORIZONTE (10/05/06) – O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marco Antonio Rodrigues da Cunha, afirmou hoje, durante reunião do Comitê de Agronegócio da Câmara Americana de Comércio (Amcham), que a decisão do Governo Aécio Neves de organizar a economia por cadeias produtivas e estimular as parcerias público-privadas, em todas as áreas, é um dos fatores responsáveis pelo fortalecimento do agronegócio mineiro.
Ele explicou que, como aconteceu com outros segmentos, a área de reflorestamento, por exemplo, pode se beneficiar mais dessa política. "Devemos criar mais condições para transformar e aproveitar o produto florestal do Estado."
Para o secretário, "será possível elevar a produção florestal de Minas Gerais, de 1,5 milhão de hectares para mais de 2 milhões de hectares, com a melhor aplicação do produto das florestas em fontes energéticas, movelaria, embalagem e papel e celulose."
Rodrigues da Cunha disse que a adoção das parcerias dentro do governo e deste com a iniciativa privada, em programas destinados ao desenvolvimento do agronegócio, deverá se confirmar também com a busca de melhoria de desempenho no setor de reflorestamento. "Nos programas da Seapa esse sistema é bastante utilizado, com o envolvimento das secretarias da Fazenda, Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e suas instituições vinculadas, entre outras. O sistema de parcerias ou atuação por cadeias produtivas não é novidade para o setor privado e deve servir de modelo para o governo", enfatizou o secretário.
Segmentos fortes
Em sua palestra sobre "O agronegócio mineiro", o secretário destacou a força da produção estadual, representada por 496 mil propriedades, ou 11% do Brasil. A área agricultável de Minas Gerais é de 5,27 milhões de hectares, equivalente a 8,9% da área total do Estado. Além disso, em mais de 18% dos municípios mineiros a maior participação no Produto Interno Bruto (PIB) é da agropecuária. Outro indicador apontado pelo secretário da Agricultura foi o Valor Bruto da Produção em Minas Gerais, de R$ 19,6 bilhões, ou 11% do VBP brasileiro. Ele explicou que 56% correspondem à agricultura e 44% à pecuária.
As exportações mineiras, em 2005, somaram US$ 13,5 bilhões, sendo 27,6% do agronegócio, contra o total de US$ 9,9 bilhões em 2004 e a participação do agronegócio com 25% nesse período. No Brasil, o agronegócio respondeu, no ano passado, por 36,8% do total das exportações, que foram de US$ 118,3 bilhões.
Conforme explicou Marco Antônio Rodrigues da Cunha, os principais produtos mineiros do agronegócio para exportação tiveram valor aumentado de 2004 para 2005: café, de 48% para 51%; complexo soja, de 12% para 13%; carnes, de 8% para 9%; açúcar e álcool, de 6% para 8%. Outro aspecto positivo foi o aumento do preço médio dos produtos exportados, sendo 53% para o café, 45% para o álcool, 23% para as carnes e 22% para o açúcar, e 12% para a madeira.
Ao falar sobre a estimativa da safra 2005/2006, o secretário da Agricultura informou que Minas Gerais terá produção de 8,7 milhões de toneladas, ou 7% do total previsto para o Brasil (124 milhões de toneladas). No ano passado foram 10,4 milhões de toneladas em Minas e 113,9 milhões no Brasil. A queda da produção mineira se deve principalmente a problemas de estiagem, enquanto a situação do Brasil melhorou porque foram favoráveis, na maior parte do período de cultivo, as condições climáticas nos Estados do Sul.
Minas, maior produtor de café do país, produziu na safra 2005/2006 o total de 20,10 milhões de sacas, enquanto o Brasil colheu 40,62 milhões de sacas. Outro produto forte da agricultura é o milho, com estimativa de produção de 5.171.354 toneladas em 1.259.532 hectares, em Minas Gerais, ou 12,4% da safra total brasileira.
No caso da soja, Minas Gerais tem estimativa de produção de 2.584.994 toneladas dentro do total de 55.887.424 do Brasil. O maior volume da leguminosa, no Estado, é registrado nas regiões do Triângulo Mineiro, Noroeste e Alto Paranaíba.
Rebanhos produtivos
Na pecuária, o secretário da Agricultura destacou atuação do leite. Minas Gerais é o maior produtor do Brasil, com 7 milhões de vacas, 6,5 bilhões de litros produzidos em 2005 e o maior volume (70%) originados de pequenas propriedades. O excedente exportável do Estado é de 3,5 bilhões de litros/ano. O rebanho de corte é constituído de 21,1 milhões de cabeças, o terceiro maior do Brasil. A estimativa de abate total no Estado é de 3.500.000 cabeças. Minas possui apenas 5% das indústrias nacionais com Inspeção Federal (SIF).
Rodrigues da Cunha explicou que o programa Minas Carne foi criado pelo governo estadual para fortalecer o setor de carnes, atendendo em primeiro lugar à pecuária bovina, que precisa de maior organização. Por meio do programa serão melhorados os índices de produtividade do rebanho bovino e elevada a competitividade dos frigoríficos do Estado. O abate clandestino será eliminado e aumentará em 20% o número de frigoríficos com inspeção federal. Será aumentado em 100% o número de frigoríficos exportadores de carne bovina, e a meta, até 2010, é ampliar as exportações de carne mineira bovina para 200.000 toneladas.
"São fortes também, na pecuária mineira, a produção de suínos (34,5 milhões de cabeças/ano, 4º lugar nacional), e a produção avícola, com 622.108 toneladas de carne de frango por ano e cerca de 7,5 milhões de caixas de ovos de trinta dúzias, segundo lugar no ranking nacional", disse o secretário.
O secretário explicou que o desenvolvimento do agronegócio mineiro interessa a toda a sociedade porque se trata de um dos mais importantes setores de suporte à economia, possibilitando a geração de emprego e renda. Entre as áreas que se beneficiam da produção de alimentos estão as de transportes e tratores, com uma frota de 224,95 máquinas. Segundo ele, o agronegócio mineiro precisa de maior apoio na área de transportes, principalmente o fortalecimento do setor ferroviário, com o pleno aproveitamento do corredor Centro-Leste.
Agência Minas
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