SES amplia serviços de telessaúde aos municípios mineiros
BELO HORIZONTE (08/04/10) - Nos dias 7 e 8 de abril a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e o Hospital das Clínicas da UFMG lançaram, durante o Iº Encontro Estadual em Atenção Primária e Telessaúde, a 2° etapa do Tele Minas Saúde (Telessaúde) em Belo Horizonte.
O Telessaúde é uma iniciativa do programa Saúde em Casa, da SES-MG, que desde 2005 tem como objetivo melhorar a qualidade dos serviços prestados na atenção primária. Por meio dele, médicos de pequenos municípios recebem auxílio online de especialistas para realizarem diagnósticos, prevenção e tratamentos de doenças.
Em sua segunda fase, o sistema passará a funcionar em 507 municípios e oferecerá todas as especialidades médicas. Como resultado, possibilitará uma assistência especializada à distância aos profissionais de saúde de municípios menores, que não contam com a presença contínua de profissionais especializados.
O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Antônio Jorge de Souza Marques, destacou que o serviço de telessaúde é mais um importante instrumento na organização da rede de saúde centralizada na atenção primária. “O telessaúde oferece aos profissionais que trabalham na atenção básica mais qualificação, troca de experiência, e, principalmente, apoio especializado”.
Marília Alves, diretora da escola de enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais, afirmou que Minas é o estado que avança mais rápido nos serviços de telessaúde. “Com o telessaúde, Minas aproxima os pequenos municípios dos grandes centros produtores de saber e de experiência”, disse.
Durante o encontro, foram entregues aos municípios os equipamentos que se destinam à Telecardiologia. São computadores, impressoras, câmeras fotográficas digital, eletrocardiógrafo, kit multimídia.
Facilidades
O envio do eletrocardiograma de pacientes com suspeita de doenças cardiovasculares em tempo real para as universidades foi o primeiro serviço disponibilizado pelo sistema, ainda em 2005. O processo é simples: durante o atendimento, os médicos responsáveis no município realizam os procedimentos clínicos iniciais. Em uma universidade parceira, um cardiologista recebe o eletrocardiograma em tempo real por email. Ao receber os eletros, analisam, fazem os laudos e devolvem pelo sistema ao município solicitante. Além disso, eles realizam também suporte aos atendimentos de urgência cardiológica e discussão de casos clínicos online.
A presidente da sociedade mineira de médicos de famílias, Ruth Borges Dias, lembrou a eficácia do sistema para salvar vidas. “O telessaúde consegue ajudar as pessoas ao possibilitar um diagnóstico correto em tempo hábil”, disse.
Resultados
A eficácia da segunda opinião, por um lado contribui para a ampliação do acesso da população a profissionais especializados e, por outro, reduz encaminhamentos a especialistas, diminuindo o impacto financeiro nos pequenos municípios.
Uma grande queda de encaminhamentos foi constatada na primeira etapa do programa, quando apenas a especialidade de cardiologia era oferecida a 179 municípios. Nessa fase, foram realizados quase 95 mil eletrocardiogramas.
Essas diminuições, além de proporcionar um ganho para o cidadão que pode ser tratado sem sair da sua cidade, gera ainda uma economia para o município. Em Minas, em média, um encaminhamento custa R$ 83,39.
Mais qualificação
Os equipamentos da Telessaúde permitem também reforçar a atualização do profissional. Além da discussão de casos, o sistema possibilita a realização de cursos à distância. “O interessante é que, na prática, os professores da UFMG das áreas de enfermagem, odontologia e medicina qualificam os profissionais da ponta do sistema, de forma direta”, explica a professora Beatriz Alckmin, do Hospital das Clínicas/UFMG.
Para facilitar o processo de ensino-aprendizagem são utilizadas ferramentas tecnológicas como a modelagem 3D e produção de vídeos, inclusive vídeos interativos e animações. Por meio da modelagem 3D é possível simular eventos patológicos, assim como expressar sintomas de forma visual, com a produção de imagens dinâmicas construídas a partir de modelos do corpo humano que possuem toda caracterização correta do processo de funcionamento normal dos órgãos e sistemas.
Os temas abordados nos cursos são sugestões dos próprios profissionais de saúde que, no final de cada semestre, enviam os assuntos que desejam verem abordados. Além disso, o material é produzido a partir das dúvidas que os profissionais apresentam em sua atividade assistencial.