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Simpósio traz novas tecnologias para produtores de café do Brasil

Quinta-feira | 25/08/2011 | 19:40·Atualizado em 17/05/2013 | 11:50
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ARAXÁ (25/08/11) - Colheita mecanizada, soluções potenciais para o controle da broca do cafeeiro e manejo ecológico pós-colheita foram temas dos minicursos realizados, nessa quarta-feira (24), durante o 7º Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, em Araxá, no Alto Paranaíba.

O professor da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Fábio Moreira da Silva, apresentou custos e perspectivas para a colheita mecanizada. Segundo ele, a mecanização agrícola aumentou a capacidade produtiva. Para o professor, não há como retroagir na tendência da mecanização. “O custo de um cavalo de potência de homem é de R$ 38,00 por hora, enquanto que o custo de um cavalo de potência de máquina é de R$ R$ 0,80 por hora”, explica. Fábio afirma que embora o produtor tenha perdas com o uso de máquinas, o custo da colheita mecanizada é muitas vezes menor que o manual.

Apesar das vantagens da colheita mecanizada que foram abordadas durante o minicurso, o professor também alerta para o bom uso das máquinas. “Alta vibração e velocidade baixa da máquina podem prejudicar o cafeeiro”, informa. Para o produtor Wagner Ferrero, o maior desafio da mecanização no café é a perda de café do chão, a varrição. “Estamos buscando alternativas, novas tecnologias. Acreditamos que a pesquisa possa contribuir para isso”, diz.

Há três anos a Ufla desenvolve pesquisas nesse segmento, e alguns bons resultados já foram alcançados. Segundo Fábio Moreira, a média de 14% de perda de café do chão foi reduzida para 7% apenas regulando a velocidade da esteira e o posicionamento das recolhedoras”.

Broca do cafeeiro

O pesquisadore Júlio César de Souza da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Júlio César de Souza, e a pesquisadora do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Vera Lúcia Benassi, apresentaram soluções potenciais para controle da broca do cafeeiro.

Segundo eles, a época de trânsito da broca é o ponto-chave no controle. “A broca coloca ovos somente 70 dias depois da maior florada. Portanto, o produtor terá esse tempo para monitorar e, se preciso, usar inseticida para matar a mãe e evitar o ciclo”, alerta Júlio César.

De acordo com o participante do minicurso e pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Luiz Carlos Arcan, também estão sendo desenvolvidos estudos no Paraná nessa área. “Pesquisamos controle biológico, usando um fungo e armadilhas para atrair a broca”, explica. Os pesquisadores informaram que o grão infestado com a broca fica deformado e prejudica na qualidade da bebida e, portanto, o produtor dever estar atento para não perder na sua lavoura.

Manejo ecológico pós-colheita

Os participantes do minicurso puderam conhecer tecnologias desenvolvidas pela Cenicafé, instituição de pesquisa colombiana, apresentadas pelo engenheiro agrônomo Carlos Eugênio Tascon. Uma delas foi a máquina que faz a separação de frutos verdes sem utilização de água. Segundo Carlos Eugênio, 99% dos frutos verdes pode ser separado com essa tecnologia. A máquina já está disponível para comercialização.

No Brasil, há também uma máquina que consegue bom resultado na separação de frutos verdes. Especialista em demucilagem de café, Carlos Eugênio também apresentou fundamentos de demucilagem mecânica do café, técnicas de aproveitamento da polpa e do mucílago com minhocas. Carlos falou sobre café de qualidade, mas com um apelo ecológico, visando à redução da contaminação ambiental.

Outras atividades

Também integrou a programação, a visita técnica à Fazenda São Matheus. Os participantes puderam conhecer, em 203 hectares, as variedades de café Mundo Novo, Acaiá, Catuaí 144, Catuaí 62, Topázio e Rubi, além do sistema de irrigação por gotejo e mecanização da propriedade.

Para o produtor José Antônio de Oliveira, a visita foi uma excelente oportunidade. “É uma fazenda modelo. Percebi a mentalidade aberta do proprietário e o nível de excelência da sua fazenda”, elogia.

A programação do segundo dia do simpósio contou ainda com apresentação de trabalhos de técnicos de diversas instituições brasileiras e sobre vários temas: umidade do solo, potencial hídrico foliar e fotossíntese em cafeeiros submetidos a diferentes níveis de radiação; água residuária do café; efeito de fungos no biocontrole de nematoides e na nutrição fosfatada do cafeeiro; histopatologia da infecção de Colletotrichum gloeosporioides em folhas e frutos destacados do cafeeiro; produtividade de cultivares de café no cultivo orgânico na Zona da Mata de Minas Gerais; e qualidade sensorial e coloração do café beneficiado armazenado em embalagens herméticas.

O 7º Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil é uma realização do Consórcio Pesquisa Café, com organização da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Universidade Federal de Lavras (Ufla), Universidade Federal de Viçosa (UFV) e coorganização da Embrapa Café.