Simpósio Vent-Lar de Cuidados Respiratórios Não-Invasivos
BELO HORIZONTE (24/05/07) – Com a presença de especialistas brasileiros e estrangeiros, será realizado na segunda e terça-feira (28 e 29), no Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte, o 1º Simpósio Vent-Lar de Cuidados Respiratórios Não-Invasivos. O evento faz parte do Programa de Atendimento Domiciliar da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) que, além do Hospital Júlia Kubitschek, mantém equipes no Hospital Infantil João Paulo II e no Hospital Eduardo de Menezes
Entre os convidados do evento está o fisioterapeuta português Miguel Gonçalves, da Unidade de Fisiopatologia e Reabilitação Respiratória e da Unidade de Cuidados Intensivos – Serviços de Pneumologia e de Urgência do Hospital Universitário São João (Porto, Portugal). O simpósio começa às 8h da segunda-feira (28) e termina às 12 h do dia seguinte, com vagas limitadas para profissionais da saúde.
O programa “Vent-Lar” foi implantado em 2002, voltado para pacientes com doenças degenerativas neuro-musculares. Esta assistência permite a melhoria de qualidade da vida desses pacientes – muitas vezes crianças – por meio de um tratamento de manutenção. O principal diagnóstico dos usuários do programa é a Distrofia Muscular de Duchenne, mas existem mais de 30 formas diferentes de distrofias musculares.
Segundo o presidente da Fhemig, Luís Márcio Araújo Ramos, a finalidade desse programa é de promover a humanização do tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes que precisam de suporte ventilatório. O programa da Fhemig é pioneiro entre os hospitais públicos e é reconhecido nacionalmente.
O Programa na Fhemig
Os programas de atenção domiciliar e o “Vent-Lar”, da Rede Fhemig, estão sendo desenvolvidos principalmente em três unidades: Hospital Júlia Kubitschek (com 150 pacientes cadastrados e 26 em atenção domiciliar), Hospital Infantil João Paulo II (36 cadastrados e 18 domiciliares) e Hospital Eduardo de Menezes (20 pacientes de doenças infecto-contagiosas assistidos em casa).
Os pacientes assistidos em casa têm uma estrutura montada pela Fhemig, com o aluguel de equipamentos e a assistência de uma equipe multidisciplinar, que se reveza de acordo com cada caso: são pediatras, clínicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem, assistentes sociais, psicólogos, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. No caso de crianças, as mães também são capacitadas pela equipe para cuidarem de seus filhos no dia-a-dia.
Um dos participantes do simpósio, o Hospital Infantil João Paulo II, foi premiado durante o 1º Congresso Brasileiro de Atenção Domiciliar (Cascavel/ PR) pelos programas “Vent-Lar” e de Atenção Domiciliar. O programa “Vent-Lar” desse hospital também foi convidado a apresentar-se em Bruxelas, na Bélgica, no ano passado e já está convocado a mostrar sua experiência, ainda este ano, em diversos países da Europa – entre eles, Espanha e Suíça.
Distrofia muscular
O principal tipo de distrofia muscular e a mais severa, a de Duchenne, tem a incidência de 1 a cada 3.500 nascimentos. Os sintomas podem ser percebidos entre os 3 e 5 anos de idade: quedas freqüentes, dificuldades para subir escadas, correr, levantar-se do chão.
No início da doença, a substituição das fibras musculares por fibrose e tecido adiposo causa um aumento do volume das panturrilhas. Esta fibrose causa retrações musculares, com encurtamento dos tendões. A fraqueza muscular na região do tronco causa ainda escoliose progressiva. Os membros superiores são também atingidos com a progressão da doença, o que pode impedir a criança de andar. Nesta fase, já se manifesta o comprometimento do coração e da musculatura ventilatória.