Situação da saúde mental é discutida em conferência
BELO HORIZONTE (13/05/10) - Representantes dos governos federal, estadual e municipal, profissionais de saúde, usuários dos serviços de saúde mental e seus familiares, bem como parceiros intersetoriais, estão reunidos desde a manhã desta quinta-feira (13) na IV Conferência Estadual de Saúde Mental. O evento tem por objetivo promover um debate sobre a assistência que vem sendo oferecida aos portadores de sofrimento mental, especialmente no atual cenário da reforma psiquiátrica. O encontro termina neste sábado, com a realização de uma palestra do psiquiatra Franco Rotelli.
Durante os três dias de conferência, serão discutidos os novos desafios para a melhoria do cuidado em saúde mental no Estado, contemplando o desenvolvimento de ações intersetoriais, com ênfase nos direitos humanos, assistência social, educação, cultura, justiça, esporte, entre outros aspectos. Segundo o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge de Souza Marques, é preciso promover a integração da saúde mental em todos os níveis de atenção, especialmente no nível primário.
“Na psiquiatria, temos alguns problemas que são considerados transtornos menores, como a depressão, a angústia, a ansiedade. Tais males são atualmente os mais prevalentes e, muitas vezes, tornam as pessoas desabilitadas para a vida social. É por isso que precisamos traçar ações e estratégias eficazes e, nesse sentido, a atenção primária é extremamente importante”, ressaltou o secretário.
A IV Conferência Estadual de Saúde Mental é uma conquista dos usuários e familiares do movimento da Luta Antimanicomial, com o apoio dos trabalhadores e gestores do SUS. Para o vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde, Geraldo Heleno Lopes, Minas Gerais se diferencia dos demais Estados principalmente em relação à promoção dos debates que envolvem a saúde mental.
“Assuntos complexos como os que se referem à saúde mental necessitam do envolvimento e participação de toda a sociedade. Nesse quesito, Minas Gerais se destaca, pois recebe total apoio dos órgãos governamentais para a realização de encontros como este”, afirmou.
Saúde Mental no Estado
Minas Gerais tem atualmente mais de 160 Caps (Centro de Atenção Psicossocial) em funcionamento, sendo que 147 já estão credenciados pelo Ministério da Saúde. Cada vez mais a rede de Saúde Mental tem se fortalecido, mostrando-se capaz de substituir o modelo centrado no hospital psiquiátrico.
“Temos ainda 72 Serviços de Residências Terapêuticas e 25 Centros de Convivência cadastrados na Coordenação Estadual de Saúde Mental. Além disso, contamos com 300 equipes de saúde mental na Atenção Primária da Saúde, 159 equipes de Nasf com 129 profissionais de Saúde Mental, 20 Associações de Usuários e familiares de serviços de Saúde Mental e aproximadamente 3700 equipes de Saúde da Família, além de 329 leitos de psiquiatria em 38 Hospitais Gerais”, ressaltou a coordenadora estadual de Saúde Mental, Marta Elizabeth de Souza.
A rede hospitalar diminuiu significativamente o número de leitos em hospitais psiquiátricos, passando de oito mil leitos, no início dos anos 90, para aproximadamente 2.425 leitos em março de 2010. Destes, 994 são ocupados por moradores, ou seja, pessoas internadas por mais de um ano ininterruptamente.