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Sorriso no Campo leva saúde bucal para populações carentes

O Programa Sorriso no Campo vai atender, no mês de julho, comunidades dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e Norte do Estado. Em parceria com alunos do curso de odontologia de faculdades mineiras, a população dessas regiões recebe atendimento bucal preventivo e curativo.

Sexta-feira | 13/06/2008 | 13:28·Atualizado em 15/05/2013 | 12:37
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BELO HORIZONTE (13/06/08) - As comunidades carentes dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e Norte de Minas receberão, em julho, atendimento odontológico gratuito. A iniciativa faz parte do Programa Sorriso no Campo, que realiza, em parceria com as faculdades de odontologia, atendimento bucal, preventivo e curativo à população.

O programa está em sua 10ª etapa e, nos dias 16 e 17 de junho, promoverá capacitação conjunta das faculdades e alunos, em Montes Claros, mobilizando representantes das secretarias municipais de Saúde, Conselho Regional de Odontologia e prefeituras municipais.

Durante o evento, serão apresentados indicadores de saúde bucal da região, que ajudam a balizar as ações a serem implementadas. O tema central dessa 10ª etapa será “Guia para a saúde bucal no Estado de Minas Gerais”. Além disso, no encontro, as faculdades serão direcionadas para os municípios que atenderão durante as férias de julho.

O Sorriso no Campo é um estágio rural supervisionado, que envolve alunos dos últimos períodos do curso de odontologia das principais faculdades do Estado. Os estagiários atuam durante as férias escolares de janeiro e julho, com atividades de promoção de saúde bucal e prevenção em localidades rurais, incluindo a distribuição de kits com material preventivo.

Luiz Henrique Maia Santiago, coordenador do programa, afirma que, muitas vezes, a comunidade nunca se sentou numa cadeira de dentista e tem no projeto a oportunidade de tratar da saúde bucal. “Em comunidades carentes, muitas vezes, os moradores nunca tiveram acesso a um consultório dentário. Os alunos chegam nessas localidades fazendo a promoção da saúde, com palestras e instruções de como escovar os dentes, passar o fio dental e mostram como é importante a prevenção para uma boa saúde bucal”, relata.

Ele lembra que o benefício do programa não é só para as comunidades. “Na tentativa de fortalecer a articulação da teoria com a prática, o programa também acaba por inserir os alunos em cenários diversificados e em espaços comunitários, que permitem a sua participação em situações reais do dia a dia e trabalho, uma experiência que eles levarão para o resto de suas vidas”, avalia.

Maria Isabel Gandra, ex-aluna da Unimontes, participou do Sorriso no Campo, em 2006, e guarda boas lembranças. “Na faculdade vemos a teoria e com o conhecimento de campo passamos a ter outra visão da própria profissão”, analisa. Ela participou do programa atendendo ao município de Claro dos Poções, no Norte de Minas, quando estava no nono período e passou duas semanas e meia na localidade. Hoje, Maria Isabel trabalha no Programa Saúde da Família (PSF) de Montes Claros e aponta a experiência como decisiva para seu emprego atual. “Estudávamos na faculdade sobre o Programa Saúde da Família e com o Sorriso no Campo tive a oportunidade de ver e sentir na prática como era trabalhar com as comunidades mais carentes. Foi ali que tudo começou”, acredita.

Alterar o quadro social da região

O programa Sorriso no Campo é desenvolvido pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, do Mucuri e do Norte de Minas (Sedvan), Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas (Idene), e Secretaria de Estado de Saúde (SES).

A secretária de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, do Mucuri e do Norte de Minas, Elbe Brandão, chama a atenção para a importância da inclusão da saúde bucal no contexto da saúde pública e da necessidade de investimentos para incrementar o setor. “O Sorriso no Campo é hoje uma ação consolidada de governo, que faz com que as populações do campo continuem a sorrir”, afirma.

O Programa Sorriso no Campo foi criado em janeiro de 2004 como forma de alterar o quadro social numa região em que a população rural apresenta elevado grau de analfabetismo e os maiores índices de doenças bucais registrados em Minas Gerais.

Desde que foi implementado, o programa prestou atendimento a cerca de 250 mil pessoas da zona rural do Norte, Vale do Jequitinhonha, Mucuri e da região Central de Minas, com procedimentos coletivos, e a 30 mil pessoas com procedimentos individuais. Na última etapa, o programa trouxe uma novidade, ao expandir sua área de atuação para os municípios que possuem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) inferior a 0,7, uma ação que, segundo Luiz Henrique Maia Santiago, visa à auxiliar na melhoria do IDH dos municípios e da qualidade de vida da população.

Já participaram até o momento, mais de 1000 estudantes de faculdades parceiras do programa e mais de 500 mil kits já foram entregues aos usuários, beneficiados pelo Sorriso no Campo.