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Surto de nefrite: SES mantém equipe em Guaranésia

Surto de nefrite: SES mantém equipe em Guaranésia

Terça-feira | 09/12/2003 | 00:00·Atualizado em 29/06/2013 | 20:20
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Técnicos da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) estão examinando gado leiteiro em fazendas de Guaranésia, no Sul de Minas, onde ocorre um surto de nefrite, possivelmente causado pelo consumo de leite e derivados “in natura” contaminados pela bactéria Strepotococus Beta Hemolítico. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) encaminhou à Superintendência de Epidemiologia da SES a análise de 12 exames de pacientes que revelaram a contaminação pela bactéria dos grupos A (em 4 pacientes), C (em 6 pacientes) e G (em 2 pacientes). Para conhecer o tipo ao qual pertence determinado grupo da bactéria, serão enviadas amostras para um laboratório do Canadá, já que a sorotipagem não é feita no Brasil. Até esta terça-feira (9), a SES registrou 57 casos de nefrite em Guaranésia.

“Conhecer o tipo é importante do ponto de vista técnico-científico, mas não interfere no trabalho de controle do surto”, explicou a superintendente de Epidemiologia da SES, Valéria Rodrigues. Na próxima semana, a Funed deverá liberar os resultados das análises em amostras de alimentos, considerados importantes pela equipe técnica da SES para a comprovação da causa da nefrite. A doença é uma inflamação nos rins, provocada pela reação do organismo à infecção na garganta, causada pela bactéria. A bactéria do grupo A normalmente é encontrada no organismo humano e provoca amigdalites principalmente em crianças. Já a bactéria do grupo C geralmente é causa de mastite (inflamação nas tetas) de bovinos e eqüinos. A do grupo G possui poucos estudos científicos.

Além da assistência aos doentes e orientações à população, a investigação epidemiológica do surto inclui a chamada “busca ativa” de casos. Isso quer dizer que os técnicos da SES percorrem as comunidades em busca de pessoas que podem ter se contaminado e apresentado sintomas da doença, mesmo antes dos primeiros relatos chegarem ao conhecimento das autoridades sanitárias.

A superintendente garante que não há motivos para moradores saírem ou visitantes deixarem de ir à cidade. “Todos nós temos que tomar cuidados com o que ingerimos em qualquer lugar do mundo. No caso, é importante não consumir leite e derivados ‘in natura’. O leite deve ser fervido por, pelo menos, 20 minutos ou ser consumido já pasteurizado”, recomenda. Outra orientação imprescindível é que as pessoas não façam auto-medicação, pois o tratamento por medicamentos deve ter controle rigoroso.

Raro

Esse tipo de surto de nefrite é considerado raro. No mundo, foram registrados cinco episódios, sendo dois no Brasil, que ocorreram em Minas Gerais: em Nova Serrana, em 1998, com 253 casos e 3 óbitos; e em Guaranésia, este ano, atingindo, em sua maioria, mulheres de 15 a 59 anos. A nefrite aparece após dor de garganta e febre. Os sintomas da doença são urina reduzida e escura (por expelir sangue) e inchaço devido à retenção de líquido, que também causa alta da pressão arterial. A nefrite, que ocorre cerca de 15 dias após a contaminação da pessoa pela bactéria, é provocada pelo acúmulo de anticorpos nos rins, o que acontece porque o organismo busca se defender da bactéria. Segundo afirmou, a transmissão só pode acontecer durante a fase da faringite e, por isso, além do tratamento do paciente também é feita a quimioprofilaxia (tratamento com antibióticos) nos contatos familiares. A nefrite, na maioria dos casos, tem evolução benigna.