Tecnologia aplicada ao agronegócio contribui para o desenvolvimento do país
No 2° Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência, pesquisadores discutem o valor da ciência para aumentar a geração de alimentos

O debate sobre a importância do agronegócio para a geração de alimentos e o desenvolvimento do país encerrou o primeiro dia do 2° Encontro Preparatório para o Fórum Mundial de Ciência.
O professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e secretário Adjunto de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Evaldo Ferreira Vilela, citou os avanços do Brasil que, na década de 1970, importava grande parte de seus alimentos. “Este progresso não se deve a uma questão de capital, terras e mão-de-obra apenas, mas de tecnologia”, destacou.
Para Evaldo, o grande desafio da sustentabilidade provoca a reinvenção dos modelos de produção, de olho no crescimento populacional do planeta. Estima-se que, em 2050, o mundo abrigará cerca de nove bilhões de habitantes.
O professor também citou ações de segurança alimentar e defesa agropecuária, como a Rede de Inovação Tecnológica para a Defesa Agropecuária (RIT), que conecta estudantes, pesquisadores e técnicos numa área prioritária para o país. Evaldo também chamou atenção para a necessidade de se investir em empresas inovadoras na área de tecnologias agropecuárias.
Consumo de carnes
O pesquisador José Aurélio Garcia Bergmann, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), discursou sobre a produção animal nos trópicos, destacando a crescente demanda por alimentos com o aumento da população. Segundo Bergmann, o Brasil é o país do agronegócio, já que um terço do PIB nacional vem deste setor. “Nos consolidamos como maior exportador de carne bovina e um dos maiores exportadores de carne do mundo”, afirmou.
O Brasil detém hoje o maior rebanho comercial do mundo, seguido de índia e China. Para o pesquisador, o sucesso deste crescimento está no avanço do sistema de produção, da qualidade da nutrição, manejo, sanidade e genética dos animais.
Bergmann destaca ainda que cerca de 60% da melhora se deve ao desenvolvimento da genética, através da geração do conhecimento. “Tivemos que reinventar a nossa agricultura e pecuária”, disse.
O pesquisador finalizou mencionando o potencial hídrico e climático do Brasil, que possui 5,3 milhões de hectares de água doce em reservatórios naturais e artificiais. Isto proporciona o desenvolvimento do cultivo de quatro espécies potenciais – Tilápia, Carpa, Tambaqui e Camarão. “Investindo nestas espécies, podemos saltar de 1,5 para 20 milhões de toneladas em 2013, o que corresponderá a 11% do PIB”, finalizou.
O professor Elíbio Rech, da Universidade Nacional de Brasília (UNB) falou sobre a biotecnologia e engenharia genética aplicada à produção de alimentos, destacando o Brasil como um importante produtor de alimentos. Ele citou o avanço da eficiência produtiva brasileira e a necessidade de políticas publicas para viabilizar o uso de novas tecnologias, como a do DNA recombinante.
Sobre o Encontro
Sob o tema central “Desafios para o desenvolvimento científico e tecnológico nos trópicos”, o objetivo do encontro é debater temas relacionados ao Fórum Mundial de Ciência, que será realizado em 2013 na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e também identificar demandas e recomendações que irão compor um documento nacional.
O tema propõe uma reflexão sobre os novos desafios que a humanidade terá de enfrentar nas próximas décadas com o crescimento populacional, que traz problemas relacionados à habitação, transporte, emprego, educação, meio ambiente e produção de alimentos – tema que encerrou o primeiro dia do evento.
O evento continua nesta terça-feira (30/10). Clique aqui e confira a programação completa.