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Telecentros em unidades socioeducativas promovem reinserção de jovens mineiros

Com o objetivo de socializar e dar oportunidades, capacitações vêm transformado a vida de centenas de jovens no Estado

Domingo | 18/11/2012 | 06:00·Atualizado em 01/07/2013 | 15:50
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O espaço oferece capacitação e qualificação profissional aos adolescentes privados de liberdade
O espaço oferece capacitação e qualificação profissional aos adolescentes privados de liberdade / Crédito: Divulgação/Sectes

Um projeto do Governo de Minas, desenvolvido pelas secretarias de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) e de Defesa Social (Seds) em parceria com o Poder Judiciário, está promovendo a recuperação de adolescentes infratores através da ocupação e capacitação profissional. O objetivo é a reinserção destes jovens na sociedade, através de cursos profissionalizantes ministrados por meio de telecentros instalados nas unidades socioeducativas. É a educação a distância contribuindo para a transformação de jovens cidadãos.

O embrião da iniciativa foi implantado em 2009, no centro de Internação Provisória Dom Bosco – CEIP-DB, na região Leste de Belo Horizonte. Atualmente três outras unidades repetem a mesma metodologia em centros socioeducativos em Ribeirão das Neves, Sete Lagoas e em Belo Horizonte.

O espaço oferece capacitação e qualificação profissional aos adolescentes privados de liberdade, por meio de cursos a distância, e serve de apoio para desenvolver diversos trabalhos integrados com propostas das disciplinas escolares. Com o sucesso da iniciativa, os parceiros estão atuando para estender a experiência e instalar telecentros nas outras 20 unidades de internação de adolescentes infratores do Estado.

Atualmente, Minas possui 487 Telecentros instalados atendendo a sociedade em diversas regiões do Estado. As salas são equipadas com laboratório de informática conectado à internet que, além dos cursos, oferecem serviços de utilidade pública e realização de pesquisas escolares. São ofertados cerca de 40 cursos gratuitos a distância em diversas áreas do conhecimento. Os alunos são certificados pela Rede de Formação Profissional Orientada pelo Mercado, projeto estruturador do Governo de Minas, coordenado pela Sectes.

Segundo a juíza da Vara Infracional da Infância e Juventude de Belo Horizonte, Valéria Rodrigues da Silva, a implementação dos Telecentros nos Centros Socioeducativos, além de oportunizar a formação profissional dos jovens, através dos cursos e a inclusão destes no mercado, também é uma importante ferramenta de suporte na socialização e na educação. “Essa parceria foi uma grande vitória. Através das capacitações e dos cursos os jovens tem conseguido entrar no mercado de trabalho, assim sendo reinseridos na sociedade e cumprindo com o objetivo do trabalho”, afirma a juíza.

Com três anos de funcionamento, o Telecentro do Centro de Internação Provisória Dom Bosco já certificou cerca de 500 internos, em diversos cursos, como de office-boy, digitação, auxiliar de escritório e introdução à informática, oferecendo um diferencial na vida do adolescente. Um dos jovens atendidos pelo Centro Socioeducativo relatou os benefícios que a capacitação lhe trouxe. “Fiz os cursos de informática e administração que foram muitos importantes para mim e vejo que poderão me trazer muitas oportunidades. Tenho muito interesse em participar de outros cursos, pois os que fiz me ajudaram bastante em diversas atividades, além de nos preparar para o mercado de trabalho”, relata. 

O grande objetivo dessas medidas é a recuperação do jovem. Uma das prioridades é atacar pontualmente a questão da reincidência do ato infracional. Dados do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional de Belo Horizonte (CIA-BH), mostram que em 2011, 25% dos jovens apreendidos foram encaminhados ao CIA-BH mais de uma vez. Estes números revelam uma ligeira redução da reincidência nos últimos anos em Belo Horizonte.

Diante do ato infracional, o poder público tem que criar soluções para agir prontamente, para que não ocorra reincidência e também para que o indivíduo não migre para o sistema penitenciário. Um dos mensuradores das iniciativas é quando os antecedentes processuais do adolescente não apresentam mais prática de atos infracionais, indicando o sucesso na aplicação.

Segundo o articulador interinstitucional da Vara de Atos Infracionais de Belo Horizonte, Anderson Tadeu Campelo, essas capacitações tem um apelo muito grande. “Quando se capacita um adolescente, você trás uma implicação direta com os familiares. O jovem se torna detentor de novos conhecimentos e passa a ser mediador perante a família dele, com a comunidade e a sociedade. O jovem deixa de pertencer a marginalidade para se tornar um força de trabalho no campo formal, gerar renda e melhorar a situação dos familiares dele”, completa.

Anderson destaca ainda a importância da expansão e instalação de Telecentros em Centros Socioeducativos como uma forma pontual de reinserção social do adolescente infrator e, mais do que isso, a sua retomada para um processo de recuperação social. “A importância deste espaço é muito maior do que podemos imaginar, você tem o resultado direto. O jovem pode trabalhar numa oficina mecânica, por exemplo, e aplicar no local de trabalho o que lhe foi passado durante a capacitação”, completa.

Os cursos ainda constroem nos jovens noções de cidadania, preenchendo um espaço que não existia. Um sistema que com o aparato tecnológico bem fundamentado e com pessoas capacitadas, vem conseguindo inserir valores nos jovens.

Anderson Tadeu Campelo aponta ainda que é fundamental o acompanhamento do jovem, que é feito pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, onde é feito um relatório e estudo do perfil dos jovens infratores. A leitura detalhada destas informações permitirá que novas políticas públicas sejam implantadas para o enfrentamento destes problemas.