Unimontes participa de pesquisa sobre uso da telemedicina
MONTES CLAROS (10/02/06) - A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) é uma das instituições que participa de um trabalho pioneiro de pesquisa sobre o uso da telemedicina para as ações preventivas de saúde, iniciativa que faz parte do projeto ‘Minas Telecárdio: Implantação e Avaliação da Efetividade de um Sistema Piloto de Telecardiologia em Minas Gerais’.
Os estudos, orçados em cerca de R$ 2,3 milhões, serão financiados pelo Governo do Estado através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Secretaria de Estado da Saúde e Finep - Financiadora de Estudos e Projetos/Ministério da Ciência e Tecnologia.
O objetivo do estudo é avaliar o custo/efetividade da implantação de novas tecnologias no tratamento das doenças isquêmicas, ou seja, doenças cardiovasculares tais como angina e o infarto. As atividades serão realizadas por 18 meses, envolvendo equipes multiprofissionais com núcleos de epidemiologistas e economistas, como forma de medir os custos dos tratamentos.
Será avaliada a eficiência da telemedicina no tratamento das doenças cardiovasculares, sendo observados os números de eletrocardiogramas e outros exames transmitidos pelo sistema, a quantidade de pessoas tratadas no próprio local de origem e a repercussão do uso da nova tecnologia na qualidade de vida dos pacientes.
Além da Unimontes, estão envolvidas as Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG), de Uberlândia (UFU), do Triângulo Mineiro (UFTM) e de Juiz de Fora (UFJ). O coordenador geral é o professor Luiz Pinho Ribeiro, da UFMG. Pela Unimontes, os trabalhos estão sendo coordenados pelo professor André Pires Antunes, do departamento de clínica médica.
De acordo com o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Mário Neto Borges, o projeto pioneiro de telemedicina vai abranger 80 cidades com menos de 10 mil habitantes e com mais de 70% da população com cobertura do Programa de Saúde da Família (PSF). Serão criados cinco pólos (Belo Horizonte, Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba e Uberlândia) e, em cada um, haverá um hospital-referência, para o recebimento dos dados de outros 16 municípios.
Os pacientes das pequenas cidades inseridas no programa terão acesso a um projeto de eletrocardiograma digital. Para isso, em cada município, além do treinamento de uma equipe local, será montada uma estrutura de equipamentos de informática para a transmissão dos dados para as cidades-pólo, onde as informações serão analisadas por especialistas, que vão orientar o tratamento.
Impacto positivo
O coordenador do curso de Medicina da Unimontes, João Felício Rodrigues Neto, ressalta que, por intermédio do estudo sobre a telemedicina, professores e acadêmicos terão acesso a organismos de pesquisa de referência internacional na área, como a UFMG. Ele enfatiza a possibilidade de a Unimontes se transformar em centro de referência para os pequenos municípios do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha na melhoria da assistência à saúde. “A pesquisa vai permitir a melhor formação dos acadêmicos e a atualização de conhecimento pelos professores. Beneficiará, também, os profissionais das cidades menores, que poderão tirar dúvidas pelo sistema computadorizado”, complementa.
Por sua vez, João Antônio Pimenta de Carvalho, chefe do Departamento de Clínica Médica, destaca a relevância social do projeto de telemedicina. “Com esse projeto, além da pesquisa científica em si, os professores do curso de Medicina da Unimontes estarão realizando um trabalho social, melhorando a assistência aos moradores dos pequenos municípios, que não contam com cardiologistas”, ressaltou.
Agência Minas
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