Visa fecha farmácia acusada de fabricar remédio ilegalmente
Técnicos da Superintendência de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (Visa-MG) interditaram hoje as farmácias de manipulação da rede Neoativa, em Belo Horizonte. A rede é acusada de produzir, de forma irregular e em escala industrial, o medicamento Lidocaína.
BELO HORIZONTE (16/08/05) – Técnicos da Superintendência de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (Visa-MG) interditaram hoje as farmácias de manipulação da rede Neoativa, em Belo Horizonte. A rede é acusada de produzir, de forma irregular e em escala industrial, o medicamento anestésico Lidocaína – usado em exames de endoscopia –, que teria sido o responsável por três mortes e internação de outras 13 pessoas no município de Itagiba, na Bahia.
De acordo com Teresinha Póvoa, diretora de Vigilância de Medicamentos e Congêneres da Visa-MG, a Neoativa possui cinco farmácias: duas em BH, uma em Contagem, uma em Betim e uma em Diamantina. A matriz, localizada na rua Barão de Coromandel, nº 244, apresentou inúmeras irregularidades. Com o auxílio de fiscais da Fazenda, técnicos da Visa realizaram uma inspeção no local. Foram encontradas provas de que a farmácia produzia medicamentos em escala industrial – prática proibida por lei para farmácias de manipulação. “A empresa estava funcionando sem alvará há três anos”, alertou Teresinha Póvoa, após a inspeção.
Foi encontrado no local um bloco de notas fiscais que comprovaram a venda da Lidocaína para vários hospitais e clínicas de Belo Horizonte. O uso do medicamento irregular já foi suspenso para uso e comercialização. Será instaurado um processo contra o estabelecimento.
Os proprietários da rede de farmácias não compareceram ao local para acompanhar a inspeção. Segundo o advogado da Neoativa, a empresa foi “ludibriada”, pois não era de conhecimento dos proprietários que a Medic Minas era uma distribuidora de medicamentos. A Medic Minas, também localizada em Belo Horizonte, é apontada como a responsável pela venda da Lidocaína para 11 estados, incluindo o município de Itagiba, onde ocorreram as mortes. A Medic Minas comprava o medicamento da Neoativa, trocava os rótulos e revendia o produto.
Segundo a Visa/MG, não é possível afirmar que somente o uso da Lidocaína tenha causado os óbitos e os outros sintomas apresentados. A equipe da Visa recolheu material para análise e continua procedendo as investigações.