Visa investiga nova suspeita de morte por uso de lidocaína
A Coordenadoria de Vigilância Sanitária (Visa) da Secretaria de Estado de Saúde (SES) investiga mais uma suspeita de morte por lidocaína, notificada pela Anvisa, no dia 22 de agosto, após receber uma denúncia feita pela filha da vítima.
BELO HORIZONTE (31/08/05) – A Coordenadoria de Vigilância Sanitária (Visa) da Secretaria de Estado de Saúde (SES) investiga mais uma suspeita de morte por lidocaína, notificada pela Anvisa, no dia 22 de agosto, após receber uma denúncia feita pela filha da vítima.
O paciente era um senhor de 69 anos, que foi a óbito após ser submetido a um exame de endoscopia, em uma clínica particular em Belo Horizonte. O paciente faleceu em sua casa, às 12h30, três horas após a realização do exame, no dia 8 de junho. A denúncia à Anvisa foi feita após a divulgação dos possíveis casos de morte por uso da lidocaína no Estado da Bahia, ocorridas no dia 12 de junho.
O superintendente estadual de Vigilância Sanitária, José Geraldo de Castro, afirmou que a Visa compareceu a clínica no mesmo dia em que recebeu a notificação. “Durante a inspeção na clínica, não encontramos amostras de lidocaína, porém tivemos acesso à documentos que comprovam que o estabelecimento de saúde comprava medicamentos da farmácia de manipulação Neoativa e da distribuidora Medic Minas. Mas ainda não podemos afirmar que a lidocaína utilizada pela clínica foi comprada nestes locais, pois os recibos não apresentavam a descrição dos medicamentos adquiridos”, disse.
A Visa aguarda agora o resultado das investigações que serão feitas por meio da confrontação de notas fiscais, solicitadas à clínica, notas da Secretaria da Fazenda e documentos apreendidos durante as inspeções realizadas na Medic Minas e Neoativa. “Através destas comparações poderemos então afirmar se a lidocaína utilizada pela clínica foi adquirida na Neoativa ou na Medic Minas. A única coisa que podemos dizer é que a clínica cometeu erro ao comprar medicamentos de uma distribuidora que não possuía nem autorização de funcionamento, nem alvará sanitário”, complementou.
Resultado lidocaína já analisada
A amostra de lidocaína analisada pelo Instituto Otávio Magalhães (IOM), da Fundação Ezequiel Dias (Funed), apresentou irregularidade na concentração do princípio ativo do medicamento, o cloridrato de lidocaína. O valor de referência é de 10% do princípio ativo em cada 100 ml de substância, e o encontrado na análise foi de 7,26%, o que resulta em prejuízo ao paciente, pois os efeitos não serão os desejados.
Esse resultado refere-se ao laudo da amostra de lidocaína apreendida na distribuidora Medic Minas, empresa que revendia a substância comprada da farmácia de manipulação Neoativa. A amostra não é do mesmo lote da lidocaína utilizada na Bahia. Esse lote baiano ainda encontra-se em processo de análise no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQ).
Já a relação da lidocaína como causa da morte de três pacientes no Estado da Bahia ainda não pôde ser confirmada. Segundo José Geraldo de Castro, a confirmação do motivo do falecimento dos pacientes só poderá ser apresentada após a liberação do resultado dos laudos cadavéricos e exames toxicológicos das vísceras. O resultado das investigações deverá sair no prazo de 30 dias.