Hospitais adotam plano de atendimento a vítimas de desastres e catástrofes para as Copas
João XXIII e Eduardo de Menezes, da Rede Fhemig, se preparam para atender casos de traumas, epidemias e acidentes com múltiplas vítimas no Estado

Em razão do grande contingente de torcedores que vêm de outros países e de diversas cidades brasileiras para a Copas das Confederações e do Mundo - segundo estimativas do Ministério do Turismo são aguardados em Minas Gerais 200 mil estrangeiros e 430 mil brasileiros, os Hospitais João XXIII e Eduardo de Menezes, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), contam com planos de atendimento multivítimas para situações de desastres prontos para serem executados caso seja necessário.
O processo de preparação dos planos teve início em 2011. No caso do Hospital Eduardo de Menezes, o plano destina-se ao atendimento de epidemias e acidentes biológicos com múltiplas vítimas, dado à característica da instituição, que é referência estadual na assistência destes casos. Também pesou na escolha a experiência exitosa do hospital no controle da pandemia de Influenza A (H1N1) em 2009.
O plano para o atendimento às epidemias e acidentes biológicos será acionado apenas na Copa do Mundo 2014, uma vez que o ambulatório de urgência em doenças infecciosas ainda está em construção. Para a Copa das Confederações, a instituição disponibiliza leitos de terapia intensiva. “Estamos nos preparando e equipando para atuar nas catástrofes, epidemias e até mesmo em acidentes que podem ocorrer dentro do próprio hospital. Estes fatos podem ocorrer em qualquer ocasião e devemos estar preparados para acionar os nossos planos de atendimento à multivítimas”, enfatiza o gerente assistencial do Eduardo de Menezes, Marcelo Oliveira.
Durante a Copa das Confederações, as vítimas serão atendidas nos três outros hospitais da capital que compõem a Rede de Assistência em Situações de Catástrofes e Desastres: João XXIII, Odilon Behrens e Risoleta Neves. “O objetivo é aumentar, por meio de um planejamento estratégico factível e fácil, a área física do hospital, para consequentemente, expandir a capacidade habitual de atendimento aos pacientes”, enfatiza o diretor de emergências do Hospital João XXIII, Tarcísio Versiani.
Ainda segundo o gestor, um plano de catástrofes deve ser elaborado para atender até 20% acima do limite do hospital. No caso do João XXIII, que possui 400 leitos, é possível atender, simultaneamente, 480 pacientes. Já no Eduardo de Menezes, a capacidade é para 180 vítimas, uma vez que o hospital possui 150 leitos.
Destaca-se também que em todos os hospitais que vão atender multivítimas, o projeto tem o objetivo de garantir recursos humanos e materiais extras no caso de uma ocorrência de grandes dimensões, considerando que a Copas das Confederações e do Mundo do Mundo irão reunir multidões. “Como o João XXIII é o maior pronto-socorro do Estado, logicamente, ele abrange um maior número de pacientes”, afirma Versiani. O médico ressalta ainda que o hospital pretende utilizar o plano de atendimento a desastres e catástrofes como ferramenta permanente.
O presidente da Rede Fhemig sublinhou que a estrutura montada pelos dois hospitais para fazer frente a eventuais situações de desastre explicita, de forma inequívoca, a alta capacidade técnica, profissional e de logística destas unidades e, ao mesmo tempo, consolida o papel de toda a Rede Fhemig como protagonista da promoção e da salvaguarda da saúde dos cidadãos mineiros e, no caso específico das duas Copas, da extensão de sua expertise aos cidadãos dos diversos países do mundo que estarão em Belo Horizonte na ocasião.
Execução do plano
Quando o plano é colocado em atividade, os pacientes vindos do desastre passam pela triagem e são classificados através das cores verde (sem risco imediato de morte, prioridade 3), amarelo (urgência, prioridade 2) e vermelho (emergência, com risco imediato de morte, prioridade 1), a fim de facilitar o fluxo dentro do hospital.
De acordo com Tarcísio Versiani, numa situação de desastre, 50% das vítimas são verdes e, para elas, o plano de catástrofes do João XXIII destina três salas do bloco de emergência; 30% são amarelas e ocupam duas salas; e 20%, vermelhas, para as quais é reservada a sala de politraumatizados.
Dos 20% de pacientes classificados como vermelhos, em média 10% precisam de uma cirurgia de emergência, o que, segundo o médico, é perfeitamente viável nestas circunstâncias. “Seguindo o nosso protocolo, é possível dar vazão a isso de uma maneira organizada, através de um planejamento estratégico. O problema são os pacientes verdes, que são muitos e que ocupam um grande espaço”, explica Versiani.
Os pacientes que já se encontrarem sob cuidados do Hospital João XXIIIl no bloco de emergências, e que tenham uma situação clínica favorável para que saiam do local, serão transferidos para o bloco vertical, do 2º ao 10º andar, de modo que haja espaço para a chegada das vítimas do desastre.