Funed é o único laboratório no país a produzir medicamento contra hanseníase

Fundação do governo mineiro fabrica a Talidomida 100 mg, que é distribuída para todo o Brasil

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Este é o principal medicamento utilizado por pessoas diagnosticadas com hanseníase
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A Fundação Ezequiel Dias (Funed), laboratório farmacêutico do Governo de Minas Gerais, é o único no Brasil que produz o medicamento Talidomida 100 mg, desde 1973. Este é o principal medicamento utilizado por pessoas diagnosticadas com hanseníase. Toda a produção é encaminhada ao Ministério da Saúde, que distribui o remédio às secretarias de Saúde de todos os estados brasileiros, que o demandam. De janeiro a abril deste ano, já foram entregues 2,3 milhões de comprimidos. A expectativa é de que a Funed atinja produção de 7.682.760 unidades, até o final de 2019.

O medicamento é fornecido apenas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Somente instituições e profissionais credenciados junto ao ministério têm autorização para prescrição e entrega da Talidomida. O remédio também é indicado para o tratamento de alguns tipos de câncer, lúpus e úlceras aftóides.

Responsável pelo acompanhamento de efeitos e reações adversas que o medicamento possa causar, a analista do Serviço de Farmacovigilância da Funed,  Paula  Lana, ressalta a segurança do uso da Talidomida sempre que seguidas as exigências da legislação que controla o seu uso, a RDC 11/2011 da Anvisa.

Ela alerta que o diagnóstico das doenças para a qual a Talidomida é indicada pode ser difícil, como no caso da hanseníase. “Às vezes, a pessoa  não percebe que tem manchas pelo corpo e não procura um dermatologista”. Segundo Paula, a mancha passa a ser uma preocupação quando a pessoa nota que perdeu a sensibilidade ao calor ou frio e não sente dor ao tocar nos locais onde ela apareceu. A Talidomida poderá ser usada sempre que o paciente apresentar uma reação da hanseníase denominada eritema nodoso hansênico.

Atualmente, é o medicamento de primeira escolha para esta indicação, apresentando rápidos resultados positivos. Os eventos adversos devem ser monitorados pelos profissionais de Saúde, principalmente a neuropatia periférica, que acomete principalmente os nervos dos braços e pernas dos pacientes, alterando sua sensibilidade. Com relação às má-formações fetais, elas podem ser evitadas, seguindo-se os critérios de controle da legislação, assegurando-se que mulheres em idade fértil só tomem o medicamento após exclusão, mensalmente, de uma possível gravidez, para que não sejam expostas ao risco. 

Homens na produção

A chefe da Divisão da Produção de Medicamentos da Funed, Ana Paula Teixeira, reitera a segurança do medicamento nos tratamentos onde seu uso é indicado. Mas, explica que, o princípio ativo Talidomida possui potencial teratogênico, sendo capaz de causar má-formação congênita. Por isso, ela explica, é vetada a participação de mulheres no processo produtivo da Funed, onde há a exposição ao princípio ativo, sendo as atividades desenvolvidas exclusivamente por servidores do sexo masculino.

Na década de 1960, o desconhecimento do potencial teratogênico do medicamento causou o nascimento de fetos com má-formação, devido ao uso do medicamento por mulheres grávidas. Assim, a Funed, de maneira preventiva e visando garantir a segurança de suas servidoras, não permite que mulheres participem do processo produtivo onde há exposição ao princípio ativo. E assim, evita que elas tenham qualquer tipo de contato com a Talidomida.

Atualmente, o processo de fabricação, dentro da unidade de produção, conta com oito homens, mas todas as demais atividades de suporte, como as analíticas e de fracionamento, também são realizadas exclusivamente por servidores do sexo masculino.

Hanseníase

A hanseníase (antigamente conhecida como lepra) é uma doença infectocontagiosa causada por um micro-organismo (bactéria) denominado Mycobacterium leprae. A transmissão ocorre a partir do contato direto com doentes sem tratamento, que eliminam os bacilos pelo  aparelho respiratório superior, por meio de secreções nasais e gotículas da fala, tosse e espirro.

No caso dos doentes que recebem tratamento médico, não há risco de transmissão. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a doença atingiu 28.761 pessoas no Brasil, em 2015.



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