Minas Gerais lança projeto de Listas Vermelhas para conservação da biodiversidade
Instrumento científico atualizado fortalece a gestão ambiental e amplia o conhecimento sobre espécies ameaçadas no estado
Minas Gerais deu mais um passo estratégico na proteção da biodiversidade ao lançar, nesta terça-feira (31/3), o projeto de elaboração das Listas Vermelhas da fauna e flora ameaçadas de extinção no estado. O evento ocorreu no Museu de Ciências Naturais da PUC Minas, em Belo Horizonte, reunindo representantes do poder público, especialistas e instituições ligadas à agenda ambiental.
A iniciativa tem como objetivo identificar, classificar e atualizar o grau de ameaça das espécies presentes no território mineiro, com base em critérios técnicos reconhecidos internacionalmente, seguindo parâmetros da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O trabalho considera fatores como perda de habitat, pressão antrópica, fragmentação de ecossistemas e dinâmica populacional.
Mais do que um levantamento científico, as Listas Vermelhas se consolidam como instrumento essencial para a gestão ambiental. A ferramenta orienta a criação e ampliação de unidades de conservação, apoia estratégias de proteção e contribui para a formulação de políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade.
O projeto também amplia o conhecimento sobre espécies pouco estudadas e direciona pesquisas científicas, especialmente em casos com escassez de dados — um dos principais desafios para a conservação.
Durante o lançamento, a diretora de Proteção à Fauna do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Laura Homem, destacou o caráter estratégico da iniciativa ao integrar diferentes setores “A atualização das listas é fundamental para o planejamento territorial e o enfrentamento da perda de biodiversidade”.
“A ferramenta é importante para qualificar a tomada de decisões e fortalecer ações de proteção das espécies ameaçadas”, acrescentou a gerente de Recuperação Ambiental e Planejamento da Conservação dos Ecossistemas do IEF, Mariana Pimenta.
Outro destaque é o fortalecimento da base de dados sobre a fauna e flora mineiras, permitindo identificar lacunas de conhecimento, orientar estudos e qualificar ações de monitoramento.
Entre os exemplos que evidenciam a urgência do projeto está o peixe Henochilus wheatlandii, criticamente ameaçado e restrito a poucos trechos de rios no estado. Na flora, espécies dos biomas Cerrado e Mata Atlântica também enfrentam alto risco de desaparecimento. Já entre os invertebrados, Spinopilaria moria representa grupos ainda pouco conhecidos, mas essenciais para o equilíbrio ecológico.
O projeto é lançado em um cenário global de intensificação da perda de biodiversidade, com estimativas indicando taxas de extinção até 100 vezes superiores à média histórica e cerca de 14% das espécies sob algum nível de ameaça.
A iniciativa integra ações de compensação socioambiental pelo rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019, com financiamento previsto no Acordo de Reparação, firmado em 2021, e conta com apoio da Fundação Biodiversitas e da Biocev, reunindo instituições técnicas e científicas.
Com duração estimada de 30 meses, o projeto será desenvolvido em etapas que incluem levantamento de dados, consultas públicas, validação científica e publicação dos resultados. Ao final, será disponibilizado um “Livro Vermelho” das espécies ameaçadas, além de um guia prático e uma plataforma digital aberta ao público.