Produtores do Sul de Minas fazem compra conjunta de sementes de alho 

Iniciativa busca diversificar a produção da agricultura familiar local

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Produtores de Serranos, Seritinga e Bom Jardim de Minas, municípios da região entre a Zona da Mata e o Sul de Minas, decidiram apostar no cultivo do alho e fizeram, em abril, uma compra conjunta de sementes do produto, com o apoio da Emater-MG. A iniciativa busca diversificar a produção da agricultura familiar local, permitindo aproveitar melhor as oportunidades de mercado nas compras institucionais e nas feiras livres. 

Emater / Divulgação

O extensionista da Emater-MG em Serranos, João Carlos de Carvalho Filho, conta que a maior parte da produção agropecuária da região é de grãos, principalmente soja e milho. No entanto, há agricultores familiares que produzem hortaliças no município e buscavam opções de diversificação para ampliar a renda da atividade, principalmente com vendas para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). 

“Dizem que antigamente já houve produção de alho na cidade. Conversando com os agricultores, achamos que seria uma proposta interessante resgatar essa cultura, já que a região tem um clima frio, favorável para o alho. Ele é de fácil cultivo e adequado para pequenas áreas”, comenta João Carlos. Cada quilo de semente de alho necessita de apenas um metro quadrado para o plantio e rende cerca de 10 quilos do alimento. 

Alho livre de vírus 

O técnico de Serranos procurou então o colega da Emater-MG de Gouveia, no Vale do Jequitinhonha, município que já tem uma longa tradição no plantio do alho. E com os agricultores de Gouveia foram adquiridos cerca de 30 quilos de sementes de alho Amarante livre de vírus, uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa Hortaliças e que garante uma maior produtividade. 

A compra conjunta beneficiou 23 produtores dos três municípios. Além de apoiar os produtores na organização e planejamento, a Emater-MG tem dado todas as orientações técnicas para o cultivo. “Por ser uma proposta experimental foi adquirida uma pequena quantidade de sementes. A produção vai depender de como a cultura irá se devolver nas propriedades, mas a expectativa é colhermos em torno 400 quilos de alho, o que ajudará muito na renda das famílias participantes”, explica João Carlos. 

Cultura de inverno 

Emater / Divulgação

A produtora Ana Karina Furtado Pereira plantou três quilos de alho há cerca de um mês e meio e diz que as sementes germinaram bem e as plantas estão bonitas. “Minha família planta grãos, mas eu tenho um projeto de alimentação saudável. Quero cultivar produtos agroecológicos para o consumo próprio e vender o excedente. Já planto açafrão e manjericão, e o alho é interessante, pois com poucos metros você produz bastante. Outra vantagem é ser um produto de valor agregado maior”, argumenta a agricultora. 

Adesão

O fato de ser uma cultura de inverno, com plantio em abril e colheita em agosto e setembro, também atrai os produtores, pois eles podem conciliar com o plantio de outras culturas, cuja produção ocorre no período chuvoso. “A iniciativa chamou a atenção do extensionista de Santos Dumont, que com um produtor local montou uma unidade demonstrativa no município. Nossa expectativa aqui é muito boa. Acreditamos que futuramente mais produtores devem aderir ao projeto”, diz João Carlos. 

Valorização

O alho é uma das plantas mais utilizadas como condimento em todo o mundo e seu consumo cresceu 20% no Brasil em 2020, segundo estimativa da Embrapa Hortaliças. Já a produção do bulbo atingiu 36 milhões de caixas de 10 quilos, confirmado uma boa expansão da cultura no país nos últimos anos. No dia 18/5, o quilo do alho brasileiro N.5/6 estava sendo comercializado a R$16 na Ceasa Minas Unidade Contagem. 

 

 



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