Epamig desenvolve tecnologia que potencializa a produção de ora-pro-nobis
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) desenvolve estudos para o cultivo de ora-pro-nobis, também conhecido como lobrobô, em um sistema de plantio superadensado com colheitas sucessivas de folhas e ramos novos. A técnica permite o aumento da produção de biomassa e de proteína por área e por tempo.
O trabalho tem como objetivos principais o resgate da culinária tradicional de Minas Gerais e o incremento da alimentação, por meio de uma fonte de proteínas, ferro e cálcio. “A difusão da tecnologia por meio de oficinas sobre produção de mudas, cultivo e preparo de ora-pro-nobis, resultou na inclusão da planta na horta e merenda de escolas famílias agrícolas nos municípios de Araponga e Ervália, na Zona da Mata Mineira. Além disso, famílias rurais têm comercializado o excedente em feiras locais”, destaca a pesquisadora da Epamig Maria Regina Miranda Souza, responsável pelo trabalho.
Além da produção rápida de uma grande quantidade de proteína vegetal de elevada qualidade biológica, as folhas são ricas em minerais, especialmente ferro e cálcio, fazendo do ora-pro-nobis uma excelente opção para alimentação, com perspectivas de importância econômica e social. “Neste sistema de cultivo, o teor médio de proteínas das folhas, que é de 22,4%, foi mantido”, afirma Maria Regina.
Os experimentos começaram em 2009, como parte da tese de doutorado da pesquisadora, defendida em 2013. Desde 2017, novos experimentos, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) vêm sendo desenvolvidos no Campo Experimental Vale do Piranga da Epamig, no município de Oratórios. Três genótipos, dentre eles um sem espinhos, estão sendo testados.
Características
O ora-pro-nobis é uma planta alimentícia não-convencional (PANC) da família Cactaceae, nativa do Brasil, que ainda é pouco conhecida pela população, embora seja encontrada do Sul ao Nordeste do país. Seu consumo é mais comum na zona rural dos estados de Minas Gerais e Goiás, especialmente em locais onde seu uso culinário está associado à cultura popular tradicional.
Além de serem consumidas frescas, puras ou refogadas com frango e costelinha de porco, dentre outras combinações, as folhas secas podem ser convertidas em farinha, a serem adicionadas para o enriquecimento nutricional de macarrão, pães, entre outros produtos. "Trata-se de uma planta perene, rústica e bastante vigorosa, resistente à seca e que se adapta a diversas condições climáticas. E é mais encontrada em quintais domésticos, como planta única ou em cercas-vivas", explica Maria Regina.
A pesquisadora acrescenta que no conhecimento popular, o ora-pro-nobis também é usado para cicatrização de feridas, prisão de ventre e tratamento de anemia. Pesquisas na área de farmacologia também relatam propriedades funcionais e medicinais, como as antioxidantes.