Faop completa mais de meio século de valorização da cultura e arte mineira
A Fundação de Arte de Ouro Preto | Faop acaba de completar seu 52º aniversário. É mais de meio século de uma trajetória repleta de histórias, lutas e vitórias para celebrar.
“É sempre um enorme prazer comemorar o aniversário da Faop, principalmente para mim que ontem era aluna e hoje posso contribuir para o seu crescimento atuando como presidente desta fundação tão importante e singular. Neste ano nos reinventamos, ampliamos nossa atuação em um momento atípico e desafiador e reafirmamos o importante papel que a cultura tem nesse cenário de poucas certezas. Gostaria de parabenizar a todos os servidores e ex servidores da Faop que veem, desde sua criação, contribuindo para o crescimento e consolidação da instituição como uma das mais importantes do país", celebra Júlia Mitraud, presidente da funcação.
Restauração
Ao longo dos anos a Faop se consolidou como ferramenta significativa para o impulsionamento da arte e da cultura como forma de transformação social. O trabalho ultrapassa as barreiras da instituição e impacta, não apenas todos os profissionais e alunos, mas também a comunidade de modo geral.
Exemplo disso é o projeto ARO | Formação em Arte, Restauro e Ofício — que marcou a vida de vários jovens.
“O projeto veio para dar vários caminhos para os alunos que por lá passaram, alguns amigos viraram empreendedores e artistas - pintores, artesãos, dançarinos, criaram amor por atuar, outros seguindo mais a fundo a área de restauração. Foram vários os benefícios, mas o mais importante para mim foi o amadurecimento pessoal que tive lá dentro, a criação de responsabilidade, paciência, o lutar por direitos de forma correta, acreditar em mim mesma, ter perspectivas de futuro e nunca desistir dos meus sonhos”, conta Maxíléia Romão, ex-aluna.
Gabriela Rangel, diretora da Escola de Arte Rodrigo Melo Franco de Andrade, conta que a fundação faz parte da sua trajetória desde o começo: “Pensar a Faop em seus 52 anos, é rever minha história, nasci no primeiro ano de seu funcionamento, filha de dois artistas pioneiros na criação de sua escola de arte. Cresci frequentando os cursos. Como professora, coordenadora e diretora da Escola de Arte, onde tive o privilégio de viver a arte como formação e convivência, aprendi a importância da preservação do legado cultural e, principalmente, compreendi a abrangência e singularidade do trabalho realizado aqui.”
História
A Faop nasceu em 1968 como resultado da união de esforços de importantes nomes da arte nacional - o poeta Vinicius de Moraes, a atriz Domitila do Amaral, o escritor Murilo Rubião e o historiador Affonso Ávila.
O objetivo era criar em Ouro Preto um instrumento capaz de fomentar a cidade como polo irradiador de cultura, incentivando a produção de arte. Para isso, o então governador de Minas Gerais Israel Pinheiro solicitou que Murilo Rubião fosse o responsável pela implantação da instituição.
Em 1969, à Faop foi integrada a Escola de Arte Rodrigo Melo Franco de Andrade | EARMFA, criada pelos artistas Nello Nuno e Annamélia Lopes. Poucos anos depois, o restaurador Jair Afonso Inácio criou, em conjunto com a EARMFA, o primeiro curso para a formação de conservadores e restauradores no Brasil.
Desde a sua criação, a fundação já impactou milhares de crianças, jovens e adultos com seus cursos, oficinas, seminários, exposições, festivais e concursos, além de atuar em projetos de preservação e restauro de obras de grande relevância para as comunidades.