Funed participa de estudo sobre primeiro caso de reinfecção por covid-19 em Minas
A Fundação Ezequiel Dias (Funed) participou de estudo que relata o primeiro caso de reinfecção do SARS-CoV-2, em Minas Gerais, separado por um intervalo de 225 dias. O documento foi publicado pelo Journal of Infection, periódico oficial da British Infection Association, com acesso aberto e voltado à melhorias de serviço e às análises clínicas que envolvem diversas infecções.
De acordo com o chefe do Serviço de Virologia e Riquetsioses do Laboratório Central de Minas Gerais (Lacen/Funed), Felipe Iani, o artigo demonstrou, pela primeira vez, um caso de reinfecção em Minas. “Normalmente, a maioria dos vírus causa infecção apenas uma vez, por isso as epidemias se arrefecem, são autolimitadas. Porém, se a taxa de reinfecção for elevada, corremos o risco de sofrer uma epidemia por períodos muito mais longos”, afirma.
O caso envolveu a infecção de um médico de 29 anos, que não apresentava comorbidades e que reside no município de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A 1ª infecção em 21/5/2020 e 2ª infecção em 6/1/2021. Todo o processo de sequenciamento das duas amostras foi realizado no Lacen/Funed. “Isso demonstra, mais uma vez, que a Funed é uma instituição fundamental no auxílio ao enfrentamento de situações em Saúde Pública”, comenta Felipe Iani.
Agentes distintos
O especialista explica que os dois episódios de covid-19 estudados foram causados por agentes SARS-CoV-2 geneticamente distintos. O primeiro identificado como B.1.1.28, e o segundo como B.1.2. Felipe Iani lembra que nenhum deles é classificado como VOC (variante de preocupação) nem como VOI (variante de interesse) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Nos estudos, foi possível perceber que as infecções por B.1.2 carregam uma substituição, afetando a posição de aminoácidos 677 da proteína Spike. “Todos os estudos nesse sentido são bastante preliminares, porém, essa é uma região que esta intimamente ligada à infecção, ou seja, uma mutação nessa região pode facilitar a infecção pelo vírus, aumentando a transmissibilidade ou até mesmo favorecendo o escape do vírus ao sistema imunológico, podendo impactar negativamente a eficiência/eficácia das vacinas disponíveis”, alerta.
Na Funed, além de Felipe Iani, os pesquisadores Glauco Carvalho e Talita Adelino também contribuíram para o estudo. O artigo teve participação de outros 19 estudiosos, entre representantes da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), do Ministério da Saúde, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de outras universidades do Brasil. O artigo completo pode ser acessado neste link.
Lacen/MG
Até o dia 27/5, foram sequenciadas pelo Lacen/Funed, por meio de diferentes projetos, 847 amostras relacionadas ao Sars-Cov-2. Desse quantitativo, 260 são de Minas Gerais e 587 de outros estados (Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bahia) e também do Paraguai.
O Lacen/Funed tem o objetivo de prevenir e controlar riscos à Saúde Pública por meio de análises laboratoriais, pesquisas, desenvolvimentos, inovação e produção de conhecimento, fortalecendo as ações de vigilância em saúde, contribuindo para a promoção e proteção da Saúde Pública. Além disso, o Lacen/MG é responsável por controles de qualidade, capacitações e supervisões necessárias aos laboratórios da Rede de Laboratórios de Saúde Pública de Minas Gerais (Relsp/MG).