Nova tecnologia ajuda em ocorrência de transbordamento de reservatório em Betim

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A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) utilizou, pela primeira vez, os aparatos tecnológicos previstos no Protocolo Operacional Padrão (POP) para situações de risco de ruptura ou rompimento de barragem. O instrumento é operacionalizado no recém-inaugurado Centro de Geotecnologias e Monitoramento Ambiental Territorial (CGMat), da Feam, e foi colocado em prática para dar suporte ao atendimento da ocorrência de extravasamento de água de uma barragem irregular localizada em área particular no bairro Duque de Caxias, em Betim, na RMBH.

O protocolo foi utilizado pela Fundação, em parceria com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), que responde pela gestão e fiscalização das barragens de reservação de água em Minas Gerais. O Igam também atuou para minimizar os impactos do ocorrido na cidade da Grande BH, entre os dias 16 e 19 de fevereiro.

A ocorrência

Em Betim, a Gerência de Segurança de Barragens e Sistemas Hídricos do Igam e o Núcleo de Emergência Ambiental (NEA), da Feam, foram acionados e permaneceram no local, ininterruptamente, para acompanhamento de ações na estrutura.

Com o acionamento do POP, foi primeiramente elaborado um produto cartográfico com o contexto socioambiental e territorial da área a jusante da barragem, contendo informações sobre as características e ocupação do terreno e a mancha de inundação simulada. Em seguida, foram elaborados mais dois produtos: um mapa indicando quais áreas poderiam ser atingidas com o aumento do nível da água e transbordamento da estrutura, e outro com a mancha de inundação em uma situação hipotética de ruptura da estrutura.

Com o indicativo dos produtos cartográficos das áreas que poderiam ser atingidas, mais de 50 famílias foram retiradas de imóveis e encaminhadas para abrigos da prefeitura municipal.

“Nesta operação ficou muito claro que os produtos previstos no protocolo conseguiram contribuir para ampliar a capacidade e a qualidade do Estado nas respostas frente às emergências ambientais”, frisa o analista ambiental da Feam e coordenador do CGMat, Alessandro Campos.

Como não havia informações sobre a estrutura que não estava cadastrada junto ao Igam, as equipes encontraram dificuldades para elaborar os produtos, principalmente a simulação, relatou Alessandro. “Tudo foi feito com base nas imagens georreferenciadas, mas também com as informações e fotografias que eram enviadas pelas equipes que estavam atuando em campo”, acrescenta o coordenador.

Tendo em vista a instabilidade da barragem, a Gerência de Segurança de Barragens e Sistemas Hídricos do Igam determinou, juntamente com o NEA, a drenagem total da água da represa. “Durante o período em que a prefeitura estiver realizando estudos sobre o futuro da área, o nível da água deverá permanecer esgotado, para dar segurança às comunidades vizinhas e, também, aos trabalhos e intervenções que sejam necessários no local como obras de recuperação de uma adutora da Copasa”, observa o coordenador do NEA, José Alves Pires.

Integração

Todas as atividades feitas no CGMat e, também, pelas equipes do NEA e do Igam em campo foram balizadas por tendências de chuva para Betim, durante os dias em que a operação esteve em vigor. O boletim foi elaborado pela equipe de meteorologia do Igam, que atua no Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais (Simge) com as possibilidades de ocorrências de chuva forte para um período de 72 horas.

O informe, inclusive, alertou para a possibilidade de novas ocorrências de chuva forte em Betim que poderiam resultar em cheias de córregos, rios e deslizamentos. Segundo a diretora de Operações e Eventos Críticos do Igam, Wanderlene Ferreira Nacif, as informações meteorológicas, aliadas aos produtos elaborados no CGMat, ajudaram a nortear e a otimizar o planejamento de ações das equipes em campo.

“A primeira execução oficial do POP Barragem, coordenado pelo CGMAT, confirmou a positividade da estratégia adotada pela Feam. É uma ação para aprimorar os instrumentos e tecnologias de gestão territorial, além de fortalecer o trabalho entre as equipes do Sisema garantindo uma resposta efetiva à sociedade”, afirma o presidente da Feam, Renato Brandão.

CGMat

Inaugurado pelo Governo de Minas em novembro de 2020, o CGMat é uma sala localizada na Cidade Administrativa dedicada ao desenvolvimento de avaliações ambientais e de metodologias para aprimoramento dos instrumentos de gestão e planejamento ambiental, equipada com tecnologias para a execução de análises por meio de sensoriamento remoto, geomática e modelagem. A estrutura foi preparada visando à melhoria e o acompanhamento de desastres envolvendo barragens e, também, o fortalecimento de mecanismos de suporte e resposta às emergências ambientais no estado.