Produtor aposta em leite orgânico e manejo silvipastoril

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Após carreira em indústria de laticínios, Vinícius Soares decidiu dar uma guinada de vida. Engenheiro agrônomo e gestor comercial, há um ano ele e a esposa se mudaram de Poços de Caldas para o município de Piumhi, no Centro-Oeste do estado, onde ele administra negócio voltado para produção vegetal e pecuária focada no leite orgânico.   

Soares abraçou uma ideia antiga do pai, Vagner, de trabalhar com produtos orgânicos e, juntos, iniciaram o cultivo de milho e a formação das pastagens, que já estão em fase de certificação.   

Em relação à criação de gado, o sistema implantado na fazenda para a produção de leite das vacas da raça Jersey é o pastejo rotacionado juntamente com sistema silvipastoril intensivo, que é a combinação de árvores, pastagem e gado. 

Crédito: Sítio Pontal das Araras

Transição

Os animais entraram no processo de transição para o modelo orgânico em 2020. De acordo com Vinícius, o gado deverá receber a certificação de leite orgânico ainda em julho deste ano. Ele já se prepara também para produzir o primeiro queijo da região da Canastra orgânico certificado. Para isso, o agrônomo lançou a marca Faz o Bem Orgânicos. “Bem-estar é um dos pilares da Faz o Bem, queremos levar bem-estar para o animal, para as pessoas, a comunidade e nossos consumidores”, diz o produtor rural. 

Ele ainda tem outros projetos. Um deles é que o sítio se torne uma unidade demonstrativa ou fazenda escola do modelo de produção orgânica, com dependência mínima de insumos externos, baixo custo de produção, aliados à conservação ambiental. 

Certificação 

A coordenadora técnica regional da Emater-MG, Alice Beatriz Soares, explica que, para receber a certificação de propriedade de produção orgânica, é indispensável seguir a legislação ambiental e trabalhista, além de realizar auditoria por meio de empresa contratada ou pelo Sistema Participativo de Garantia (SPG), quando grupos formados por produtores e outras partes interessadas se autocertificam. É necessário também preparar e apresentar um plano de manejo orgânico.   

Em relação à produção de leite, além do respeito à legislação, a saúde e o bem-estar animal são requisitos fundamentais para conseguir a certificação. A técnica ainda observa que há necessidade de seguir alguns critérios no manejo do gado, como pastagem por seis horas por dia no período diurno, alimentação saudável, água limpa e bezerros mamarem preferencialmente na mãe. 

Alice Soares ressalta que o processo de conversão para a produção de leite orgânico dura um ano e meio. “ Um ano para conversão orgânica das pastagens e da produção de grãos e mais seis meses para adequação do rebanho ao manejo orgânico”, completa. 

Sistema Silvipastoril

No sítio, foi adotado o sistema silvipastoril intensivo com pastejo rotacionado e irrigado. Vinícius conta que há um ano implantou o sistema na propriedade com o objetivo de diminuir custos, proporcionar conforto aos animais e ter o próprio insumo orgânico. 

Ele ressalta que a atividade garante bem-estar ao gado e oferece aos animais a oportunidade de manter sua característica natural de pastoreio. 

De acordo com João Inácio Citton, técnico da Emater-MG, a silvicultura é um sistema que estuda o manejo de florestas, que podem ser naturais ou artificiais. As naturais correspondem ao bioma brasileiro, como a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica; enquanto as artificiais são o pinus, eucalipto, seringueira e paricá. 

No sistema silvipastoril há a integração  de árvores, pastagens e gado numa mesma área e ao mesmo tempo. O técnico ainda ressalta que o modelo é importante, pois diminui o desmatamento e fornece insumos para a propriedade.