Projeto vai trazer maior competitividade e lucro para cafeicultura em MG
Um projeto da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com a Embrapa Café, vai avaliar o desempenho de novas cultivares de café em propriedades localizadas em todas as regiões do estado. Ao fim da primeira etapa, após quatro anos, são esperados resultados indicativos das melhores cultivares em cada região para que Minas produza cafés ainda mais saborosos e sustentáveis.
Minas é o maior produtor de café do Brasil, responsável por 54,9% de toda a produção nacional, segundo levantamento do Conselho Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com o diretor de Operações Técnicas da Epamig, Trazilbo de Paula, as pesquisas com culturas perenes, como o café, têm suas peculiaridades, sobretudo no que se refere à adoção de novas cultivares. Nas últimas décadas, os cafezais mineiros têm sido implantados especialmente com Catuaí e Mundo Novo. As cultivares são produtivas, mas suscetíveis à ferrugem e aos nematoides, além de já superadas pelos avanços de melhoramento genético dos últimos 20 anos.
"A estratégia de demonstrar junto aos produtores o potencial de cultivares de café mais resistentes a pragas e doenças, altamente produtivas e com qualidade de bebida reconhecida nos principais concursos nacionais e internacionais, marca o início de uma nova era para a cafeicultura mineira", destaca o diretor.
Os trabalhos de melhoramento genético do cafeeiro são resultado de ações integradas do Consórcio Pesquisa Café. Para o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Café, Omar Rocha, a cafeicultura tende a ser cada vez mais sustentável e a otimizar o uso de insumos. "As vantagens de optar por cultivares provenientes desse esforço nacional de melhoramento genético são enormes. Dentre as quais, a obtenção de materiais com alta qualidade de bebida, resistências múltiplas a pragas e doenças, mais tolerância ao déficit hídrico e a altas temperaturas", afirma.
As etapas
A proposta do projeto, em parceria com 41 produtores mineiros, é apresentar a eles as novas cultivares de café mais resistentes, produtivas e com alta qualidade de bebida. Os plantios serão realizados no formato de unidades demonstrativas em 43 propriedades de municípios mineiros do Sul,


A condução das unidades demonstrativas contará com participação direta dos produtores em todas as fases do processo. Para se obter dados seguros e satisfatórios, a equipe coordenadora planeja realizar, no mínimo, duas colheitas de café, na primeira etapa.
Segundo o pesquisador da Epamig e coordenador do projeto, Gladyston Carvalho, os produtores selecionados já receberam as sementes das 16 cultivares. O próximo passo será produzir as mudas e iniciar os plantios de acordo com normas de manejo específicas para cada região. Todo o processo será acompanhado de perto por pesquisadores da Epamig, Embrapa Café e colaboradores de instituições parceiras.
Serão avaliadas 100 plantas de cada uma das 16 cultivares nas 43 unidades demonstrativas. No total, 1,6 mil mudas serão plantadas em cada propriedade, o que deve ocupar um espaço entre 0,3 e 0,4 hectare. "Vamos visitar todas as propriedades para ajudar o produtor a escolher a melhor área e orientá-lo a fazer o melhor manejo possível. O intervalo entre o recebimento das sementes e a finalização do preparo das mudas é de cinco a seis meses. Esse é o tempo que teremos para visitar as propriedades e prestar orientações aos produtores", explica.
Em 2022 será feito o acompanhamento do comportamento inicial das plantas. Já em 2023, em setembro ou outubro, são aguardadas as primeiras floradas dos cafeeiros. A primeira colheita está prevista para maio, junho e julho de 2024. "Antes da primeira colheita vamos encaminhar aos produtores parceiros um protocolo de preparo de amostras com qualidade para análise sensorial da bebida. Ao longo de todo projeto, serão realizados eventos técnicos e Dias de Campo para apresentar aos cafeicultores as características das cultivares nas diferentes regiões..
A segunda colheita vai ser em 2025, de acordo com os mesmos protocolos e atividades. Concluídas todas as etapas, a equipe que coordena o projeto vai publicar relatórios com recomendação de cultivares ideais para cada região de Minas, além de informações sobre análises sensoriais, mapeamento de qualidade e ganhos com relação às cultivares tradicionalmente plantadas.
Genética superior
Das 16 cultivares do projeto, seis têm em sua constituição genética acessos do banco de germoplasma de café da Epamig. A estrutura, localizada no Campo Experimental de Patrocínio, conta com mais de 1,5 mil registros de espécies, variedades e cultivares de genética elevada, resistentes à ferrugem, nematoides, bicho mineiro, antracnose e outras pragas e doenças do cafeeiro. As demais cultivares que fazem parte do projeto, inclusive as desenvolvidas por outras instituições, foram escolhidas com base em resultados científicos e técnicos em campo.
Cerrado mineiro
As avaliações de desempenho de cultivares de café mais resistentes e produtivas em Minas já é um caso de sucesso nos municípios do Cerrado (Veja o vídeo). A Epamig, em parceria com a Federação dos Cafeicultores, a Fundação de Desenvolvimento do Café do Cerrado (Fundaccer) e com apoio do Consórcio Pesquisa Café, identifica materiais mais adequados e produtivos para as condições de clima e solo do Cerrado desde 2019, ano que marcou o início das primeiras colheitas.
O trabalho conta com unidades demonstrativas implantadas em 25 propriedades de 12 municípios da região, além de uma unidade no Campo Experimental da Epamig em Patrocínio. Os resultados finais dos experimentos no Cerrado mineiro serão divulgados após o fim da safra de 2022. Os resultados parciais referentes à safra de 2021 serão divulgados em breve e já mostram o desempenho superior das novas cultivares.